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12/08/2015 08:55

A Carta ao Povo Brasileiro foi escrita há 13 anos em uma adega portuguesa

Mário Sérgio Lorenzetto
A Carta ao Povo Brasileiro foi escrita há 13 anos em uma adega portuguesa

A Carta ao Povo Brasileiro foi escrita há 13 anos em uma adega portuguesa. O restaurante fechou as portas e o país está próximo da falência.

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A Adega era um típico restaurante português com azulejos por todos os lados, trilha sonora de Amália Rodrigues e pão e vinho na mesa. Em uma tarde de uma segunda-feira, meia dúzia de políticos ilustres comeram, beberam e escreveram o principal documento do petismo desde sua criação. Lula, Palocci, Zé Dirceu, Genoíno, Mantega e Duda Mendonça se reuniram no restaurante em um bairro elitizado de Ribeirão Preto. Beberam dez ou doze garrafas de vinho, comeram cabrito e bacalhau com batatas.

Aquela não era uma reunião qualquer. Durante o almoço redigiram e aprovaram uma carta que podia mudar seus destinos para sempre. E os destinos do país. Essa carta foi idealizada por Antônio. Antônio Palocci. Recém-licenciado do cargo de prefeito de Ribeirão Preto. A determinada altura Duda se levantou e leu, em alto e bom som, uma versão da Carta ao Povo Brasileiro perante os companheiros. Estava definitivamente trocado o ideário de esquerda em matéria econômica por algo "pragmático". Lula saiu da Adega quase direto para o Planalto, Palocci enriqueceu. Dirceu e Genoíno, de presos políticos, passaram a políticos presos. Duda escapou ileso, mas machucado. Mantega foi eterno na Fazenda até ela se "desfazer". Só Mercadante continua eterno sem nada fazer.

Custos fixos elevados, impostos cada vez mais pesados, aluguel alto, movimento fraco, o cansaço do casal proprietário da Adega para enfrentar mais uma crise econômica. O restaurante português chegou ao fim por culpa de uma crise exatos treze anos depois de ali redigirem a carta maior do PT. O próximo a fechar as portas será o governo do PT?
João Almeida Moreira, o autor do texto (ver versão completa na revista Piauí), é um jornalista português radicado em Ribeirão Preto.

A Carta ao Povo Brasileiro foi escrita há 13 anos em uma adega portuguesa
A Carta ao Povo Brasileiro foi escrita há 13 anos em uma adega portuguesa

Um país bonito e desigual por natureza.

A desigualdade caiu 25% nos últimos dez anos no Brasil. Um feito gigantesco em um país que move-se historicamente em perpétua lentidão para resolver seus males. Quem anda à velocidade da luz no país é somente a corrupção. Mas a desigualdade brasileira continua sendo visceral, incontornável e geográfica. Dividido em cinco regiões - Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste - o Brasil tem 42% da população, 55% do PIB, 70% da produção e 50% do consumo em apenas uma delas, o Sudeste.

A Carta ao Povo Brasileiro foi escrita há 13 anos em uma adega portuguesa
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A melhor escola do mundo diz que a experiência e a inovação são os grandes segredos do conhecimento.

A escola onde estuda a elite do mundo fica próxima a Lausanne, na Suíça. O Instituto Le Rosey funciona desde 1880 e por seus bancos e corredores passaram o rei Juan Carlos I da Espanha, o príncipe Egon von Fürstenberg, o príncipe Rainier de Mônaco, familiares dos Rothschild e filhos de John Lennon, Elizabeth Taylor e Diana Ross. Eles pagaram algo próximo à R$ 30 mil por mês para viver uma história e um aprendizado, no mínimo, únicos.

Uma chave da tradição dessa escola é a inovação. Convidam os melhores professores do mundo de cada área para imaginar como irão ensinar daqui a 10 anos. A escola tem em seus pressupostos a diversidade: eles recebem estudantes de 65 países - não mais de 10% saídos do mesmo país e essa variedade torna o ambiente efervescente de novas ideias. Sempre procuram alunos fortes e curiosos, que querem ser aceitos nas melhores universidades do mundo. O ensino privilegia o fator humanitário e abrange uma programação cultural e artística animada, com direito a apresentações de grandes orquestras do mundo em seu próprio anfiteatro. Seus ex-alunos normalmente entram em Harvard, Princeton, Columbia, London School Economics e Sorbonne.

A rotina é intensa e pesada. Começa às 07 horas, quando o café da manhã é servido em um buffet. As aulas vão até 12 horas, quando ocorre uma assembleia para debates, recados e notícias sobre o cotidiano escolar. Do almoço, os alunos seguem para mais aulas, onde ficam até as 15:30 horas. Depois disso, terão duas horas de práticas desportivas ou atividades artísticas. Em seguida, o tempo será ocupado pelas tarefas e banho. Partem para o jantar, meninos engravatados e as meninas em roupas sociais. Mais tarde, podem ocorrer palestras, saídas culturais ou competições esportivas. A escola funciona em regime de internato misto - meninos e moças estudam juntos desde há muitas décadas. Aliás, foi no Instituto Le Rosey que os jovens do sexo masculino e feminino estudaram juntos pela primeira vez na história.

A Carta ao Povo Brasileiro foi escrita há 13 anos em uma adega portuguesa
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Pecuaristas e frigoríficos em alerta.

O setor da carne bovina brasileira era um dos poucos que se mantinha com otimismo até a poucos meses. Era. Os primeiros meses do ano foram de frustrações. No front externo, clientes importantes como a Rússia e a Venezuela reduziram as compras por conta da queda dos preços do petróleo. Internamente, o problema é que a alta do preço da carne bovina fez o consumidor evaporar. Há muitos açougues e supermercados onde se encontram raros cortes para os mais endinheirados. O consumidor foi em busca de proteínas mais baratas como as dos frangos e dos suínos.

Em contrapartida, os criadores de frangos e de suínos, bem como os respectivos frigoríficos tiveram seus resultados potencializados pela fuga interna dos consumidores de carne bovina. As exportações de carne de frango também têm sido beneficiadas pela proliferação da gripe aviária nos EUA, que fez o país perder clientes. A esperança de venda da carne bovina reside na abertura chinesa. Após longo período de negociações, os portos da China se abriram para a carne brasileira, todavia, a economia chinesa tem sido de frequentes especulações nos últimos dias de uma possível queda de seu PIB. Surgiram analistas que afirmam, sem maiores critérios, que os chineses verão seu PIB despencar do patamar de 7% de crescimento anula para algo como 4%.

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Exportação de carne bovina cai 23%.

As exportações brasileiras de carne bovina somaram 118 mil toneladas e renderam US$ 498 milhões em julho, conforme dados da Secretaria do Comércio Exterior, compilados pela Abrafrigo, entidade que responde pelos frigoríficos. O volume de carne foi 23% menor que no mesmo mês do ano passado. A receita auferida com os embarques de carne bovina registrou queda de 28% na mesma comparação. Rússia, Venezuela e Hong Kong são os maiores responsáveis pela grande queda. Em contrapartida, já começaram a aumentar as exportações diretas para os chineses, sem a intermediação onerosa de Hong Kong (que ainda é o maior importador de carne bovina).

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