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23/07/2014 07:30

A Multicoisas é uma coisa muito grande. A história do "faça você mesmo"

Mário Sérgio Lorenzetto
A Multicoisas é uma coisa muito grande. A história do faça você mesmo

A Multicoisas é uma coisa muito grande. A história do "faça você mesmo"

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O conceito já é antigo nos Estados Unidos e na França - a bricolagem, isto é, "faça você mesmo". Contratar alguém para realizar pequenos reparos na residência, no escritório ou na loja, é hoje em dia uma opção cara, muitas vezes inviável. O público preferencial é o feminino e a estratégia de venda é fazer uma consultoria, ensinar e não apenas "empurrar" uma mercadoria.

A Multicoisas nasceu em Campo Grande. Foi uma das primeiras franquias brasileiras, fundada em 1984. O nome é infantil. Saiu de um episódio da série de desenho animado "Os Impossíveis" que tinha um personagem denominado "Multi-Homem".

O empresário montou primeiro uma pequena loja de materiais de construção que foi denominada Multicasa. Percebeu que muitos clientes procuravam ferramentas e ferragens para pequenos reparos. Nascia a Multicoisas.

No ano passado, a rede com 170 lojas, faturou R$ 330 milhões e espera faturar R$ 400 milhões em 2014. A ideia é clara - quanto maior é o número de apartamentos vendidos, maior é a demanda por reparos e reformas. Com o elevado custo da mão-de-obra, resta aos proprietários colocar a mão na massa.

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Enfim, os freelancers brasileiros passaram a ser contratados por empresas dos EUA

Até pouco tempo, o mercado mundial de freelancer estava abarrotado de indianos. No ano passado, os brasileiros começaram a aparecer bem nas estatísticas, 2.116 dos nossos foram contratados para trabalhos temporários através do site Freelancer.com no mundo todo. Esta é uma plataforma que tem 11 milhões de usuários no mundo, dos quais 20% são empregadores. Das 270 mil ofertas de trabalho registradas no site, as áreas com maior demanda são programação, design gráfico e marketing digital. O valor médio de remuneração por projeto é de US$ 200. As empresas norte-americanas, nos 12 meses passados contrataram 723 brasileiros.

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A breve história dos escritórios

Até meados de 1800, a ideia de escritório não existia. A situação mudou quando banqueiros e advogados passaram a precisar de espaço para exercer suas atividades e de assistentes com quem pudessem dividir tarefas.

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A pré-história

A partir de 1860, surgiram os copistas, contadores, bancários e advogados. O aumento de funcionários obrigou os empresários a procurar espaços para abrigá-los. Apenas homens trabalhavam em um espaço diminuto, que abrigava até dez pessoas. Os escritórios eram sujos e mal iluminados. A caneta-tinteiro era o computador da época, surgiu em 1884, o reservatório interno de tinta acabava com a escrita a pena. Chefes e subordinados sentavam lado a lado, o que estreitava as relações. A ascensão dependia da simpatia e não era raro um subordinado casar com a filha do chefe.

Surgem os prédios de escritórios

No final de 1800, o projeto do arquiteto Frank Lloyd Wright, para uma empresa de sabonetes - a Larkin - foi o primeiro da história com ambiente e mobiliário desenhados em função das tarefas inerentes aos escritórios. No início dos anos 1900, os telefones e telégrafos se tornaram comuns. Os armários de ferro substituíram os de madeira por guardarem mais documentos e resistirem ao fogo. As mulheres ingressaram nos escritórios, eram as secretárias. Eram vigiadas pelos homens e se sentavam no meio da sala para serem vigiadas. Surgiram os supervisores, intermediários entre patrões e empregados.

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Dos pequenos prédios aos arranha-céus

Usado pela primeira vez em 1872, mas só popularizado em 1950, os elevadores foram determinantes para a construção dos arranha-céus. Outro item de cabal importância foram as lâmpadas fluorescentes que permitiram o trabalho noturno nos escritórios. O arranha-céu se tornou metáfora de sucesso e poder: só os melhores chegavam ao topo - das carreiras e dos prédios. Apelidada de "esposa de escritório", a secretária passou a ter a função de manter a disciplina das outras mulheres do escritório e de atender o chefe. Era comum para elas realizar tarefas como fazer compras para a esposa do chefe e cuidar da decoração do escritório.

Nascem as baias

A empresa de móveis Herman Miller foi a precursora das baias. Em 1958, criou as estações de trabalho confortáveis e flexíveis. Eram cubículos com divisórias feitas de material barato que davam a opção dos funcionários trabalharem em pé ou sentados. As divisórias foram ganhando altura. O conceito chinês de meritocracia começou a conquistar espaço. O uso das baias foi uma maneira de reforçar a autoridade dos chefes e isolar os funcionários. A sacralização do trabalho individual estava em voga. Os profissionais não desejavam apenas melhores salários, queriam uma sala própria e arejada e para tanto tinham de "subir na carreira" - sair das baias. É a época em que surgem as primeiras discussões sobre a desumanização que o trabalho provoca. O funcionário virou "colaborador" - uma tentativa desajeitada de evidenciar que a função dele influencia o resultado da empresa. O computador começou a ser usado como equipamento de controle de dados.

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A era hi-tech é dos nerds

O primeiro escritório a ter o estilo hi-tech foi o da "Connecticut General", que abrigava uma empresa de seguros em 1957. Eram três prédios cercados por um fosso com divisórias desmontáveis e flexíveis, móveis modulares e coloridos. Eles só conquistaram o mundo com os nerds - Steve Jobs e Bill Gates. Os computadores pessoais foram instalados nas mesas de trabalho e as cadeiras "aeron" de 1994, ocuparam os escritórios que exigiam longas jornadas de trabalho. O design do escritório passa a funcionar como uma propaganda de um suposto clima de trabalho feliz que a empresa proporciona. O profissional é visto como parceiro, que participa ativamente da implementação da estratégia e tem parte de sua remuneração atrelada aos resultados. As empresas passam a cobrar dedicação total - até nos momentos de ócio.

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