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17/02/2015 08:21

Agora é a vez da indústria do bem-estar dominar o mundo

Mário Sérgio Lorenzetto
Agora é a vez da indústria do bem-estar dominar o mundo

A maior indústria do mundo será a do bem-estar

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No passado e até o início do século XX, as grandes fortunas eram de quem controlava recursos como petróleo, aço e madeira. Com o fim da Segunda Guerra, há 70 anos, a cada década uma nova indústria predominou. Na década de 50 foi a construção civil. Na década de 60, foi a vez da indústria automobilística. Na de 70, ocorreu a explosão de consumo dos eletrodomésticos. O entretenimento, com destaque para a TV e o videocassete, teve seu boom nos anos 80. E nos anos 90 os computadores tornaram Bill Gates, criador da Microsoft, o homem mais rico do mundo. A virada do século trouxe a era da internet.

Sem muito alarde, sem astros de destaque, a primeira década do século XXI, trouxe novos hábitos de consumo e mais preocupação com a alimentação. Acrescente o aumento da longevidade, trazendo consigo também a preocupação com mais qualidade de vida, e uma consciência geral sobre os benefícios de uma vida mais saudável. A indústria do bem-estar se colocou como a ponta do consumo no mundo. Ela responde também pelo fenômeno do estressante estilo de vida moderno, alimentado por fast-food, colaborou para a epidemia de doenças crônicas e problemas de saúde. A Organização Mundial de Saúde vem alertando que há mais de 2 bilhões de obesos no mundo. O Brasil é o quinto país com mais casos, com 60 milhões de pessoas acima do peso e 22 milhões de obesos. Os problemas cardíacos e diabetes crescem exponencialmente.

O Brasil é a terra da "comida ogra". Números do IBGE e do Ministério da Saúde demonstram a veracidade da má comida: quase metade dos brasileiros adultos sofrem de hipertensão, ainda que não saibam, exageram na gordura e no sal e é elevado o consumo de açúcar. O resultado é a epidemia de obesidade e diabetes.

Mas o país é também um dos maiores mercados da alimentação saudável. Apenas as vendas de suplementos alimentares e fortificantes são de R$ 10 bilhões anuais. As exportações brasileiras de alimentos orgânicos, produzidos sem agrotóxicos, subiram de US$ 5 em 2005 para US$ 150 milhões no ano passado. Comidas e bebidas saudáveis são um mercado de outros US$ 20 bilhões.

Temos mais de mil spas. A maioria é de pequeno e médio porte com faturamento mensal entre R$20 mil e R$ 40 mil. Criam 13 mil empregos e, somados, movimentam R$ 370 milhões. A idade média dos frequentadores é de 35 anos e as mulheres são mais de 80% dos frequentadores. A exigência por mais saúde está por trás da tecnologia do momento - os "wearables" - computadores para vestir ou usar junto ao corpo como relógios que prometem uma nova revolução. A expectativa é que esses aparelhos produzam as tecnologias mais inovadoras. A indústria do bem-estar já é quatro vezes maior que a indústria farmacêutica.

Agora é a vez da indústria do bem-estar dominar o mundo
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Afinal de contas, a Europa pratica a xenofobia ou a pobrefobia?

Se por um lado os europeus podem tratar impunemente ou quase os negros, os árabes, os mulçumanos, enfim, em uma só palavra, os "subalternos", de outro é quase impossível tocar em um só fio de cabelo dos judeus ou em Israel sem ser imediatamente tachado de antissemitismo.

Esse funcionamento da liberdade de expressão é interpretado de diversas maneiras. Alguns o justificam pelo genocídio judeu e pelo antissemitismo secular europeu, que obrigaria a ficar constantemente em guarda. Para outros, ele reflete uma islamofobia profundamente ancorada nas mentalidades, herdadas do período colonial, que tornam toleráveis aos olhos de todos os propósitos hostis aos mulçumanos.

Os judeus dispunham de um capital cultural, quando migraram para a Europa, superior à média do país aonde chegou. Ao longo de décadas, seus descendentes ascenderam na sociedade, a ponto de ocupar hoje postos de poder, sobretudo nos meios jornalísticos, político e universitário - ou seja, aqueles que produzem, orientam e controlam os discursos públicos.
Já os imigrantes de cultura mulçumana chegaram à Europa após a Segunda Guerra Mundial recrutados pela indústria em função de critérios físicos. Seus filhos e netos foram criados em uma sociedade em crise, atingida pelo desemprego e pela precariedade crescente das quais eles são as principais vítimas e viram diminuídas suas chances de ascensão social. Chegam às classes médias, mas não são representados nas esferas mais altas.
No Brasil, a chegada dos imigrantes mulçumanos não encontrou as barreiras que surgiram na Europa. A pobreza cultural brasileira era bem maior que a dos mulçumanos e aqui eles se instalaram e hoje, ocupam, através de seus descendentes, parcelas de poder. Mas, afinal, é xenofobia ou pobrefobia?

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A vida em Chongqin, uma das maiores cidades do mundo

Há várias "maior cidade do mundo". Vários parâmetros indicam a maior cidade em área territorial, em população, em densidade e em área metropolitana. Chongqin, na China, sua antiga capital na Segunda Guerra Mundial, é hoje um lugar como poucos no mundo. Uma cidade que cresce tão depressa e com tanto frenesi que fica difícil para acompanhar a velocidade das mudanças. De acordo com alguns critérios pode ser considerada a maior cidade do mundo. Dentro de sua área metropolitana acotovelam-se 38 milhões de habitantes. O ritmo nervoso dessas pessoas captura a essência concentrada de tudo - as coisas boas e as ruins - que define a entidade assombrosa e intimidatória que é a China de hoje.

O Yangzi passa através da cidade, como sempre: uma Lâmina turbulenta e serpenteante de grossa lama marrom, pontilhada de centenas e centenas de navios, sampanas, juncos, barcas e um número indefinível de outros tipos de embarcações, lerdas ou velozes.
Aglomerados de arranha-céus surgiram em cada uma da meia dúzia de centros comerciais, que de dia cintilam e de noite se tornam um pulsante e vertiginoso espetáculo de luzes em tecnicolor, uma espalhafatosa diversão urbana - listras de néon, amarelas e azuis, a correr para cima e para baixo nas laterais dos altos edifícios.

Há centenas de restaurantes, que vendem pipoca, sorvetes e carnes variadas. Há lojas de celulares, fulgurantes lojas de departamentos e filas de rapazes e moças com cartazes que anunciam tudo - tradução, pintura, limpeza de ouvido (uma mania chinesa), passeio de cães, serviços de pedreiro, ginástica. Há uma massa fervilhante de gente de ar feliz, próspera, falante, barulhenta, bem-vestida, bem penteada e bem alimentada - todos chineses, enchendo as praças como se todos os dias fossem feriados e cada momento existisse só para eles, só para ser desfrutado. Moças da polícia feminina desfilam de patins, nas ruas laterais há pelotões da polícia de choque. Todos parecem felizes.
Chongqin tem uma face de "BladeRunner", um mundo do futuro e outra da Londres dickensiana, um mundo de miséria.

Os 38 milhões de habitantes a transformam em maior que o Peru, maior que o Iraque e maior que a Malásia. A aritmética é implacável. A cada dia, oitocentos bebês nascem em Chongqin e 500 pessoas morrem - muitas delas de enfisema, já que a qualidade do ar é péssima. A cada dia afluem para a cidade 1.300 pobres da área rural, tentando pôr as mãos em uma parte da riqueza gerada ali tão ostensivamente. Fazendo as contas, Chongqin recebe 1.600 novos habitantes por dia. Para acomodar números tão fantásticos, levantam-se novos arranha-céus com arrebatada desinibição. As casas velhas, as encantadoras vielas conhecidas como "hutongs", belíssimos templos budistas e taoístas, antigas fábricas, escolas construídas nos anos 1950 - tudo isso é posto abaixo por equipes de demolição diariamente, e sobre suas ruínas emguem-se novos centros comerciais, torres de escritórios e selvas de edifícios de apartamentos, em um frenesi incessante de construção. Todos os dias.

O lado sombrio de Chongqin é também significativo, ainda que quase invisível. Em muitas esquinas veem-se esfarrapados desempregados, carregadores equipados com grossas varas de bambu dispostos a carregar qualquer coisa, desde um gigantesco guarda-roupa até uma gaiola de passarinho. Consta que há 100 mil desses homens. Também há mendigos, poucos, mas existem. Catadores de lixo. Artistas de rua e um grande número de crianças vendendo flores. Chongqin é uma das poucas cidades chinesas onde quase não se vê as bicicletas - por causa das ladeiras íngremes -, e por isso as ruas estão atulhadas de carros e motonetas que fazem um barulho de insetos.
A cidade produz 3.500 toneladas de lixo a cada dia. Tudo é enterrado em enormes covas abertas nos arrabaldes, onde lixo, aterro e plástico são separados e dispostos em camadas superpostas, como uma lasanha, até a cova encher. Então, a área é coberta de terra e semeada com grama, e nela surge um campo de golfe ou um parque. Tudo muito estranho para nosso provincianismo campo-grandense.

 

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