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09/05/2014 07:38

As catástrofes preconizadas pelo MPF e pelas indústrias de defensivos agrícolas

Mário Sérgio Lorenzetto
As catástrofes preconizadas pelo MPF e pelas indústrias de defensivos agrícolas

MPF perdeu batalhas, mas continua na guerra contra defensivos

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O MPF (Ministério Público Federal) perdeu as primeiras batalhas para suspender o registro de nove defensivos agrícolas no país, mas continuará a combatê-los. Os pleitos do MPF foram indeferidos em primeira instância, mas haverá recurso. Duas ações foram protocoladas na Justiça no fim de março. Na primeira, busca obrigar a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) a finalizar a reavaliação dos ingredientes parationa metílica, lactofem, forato, carbofurano, abamectina, tiram, paraquate e glifosato. A suspeita do MPF é de que esses produtos tragam danos à saúde humana e ao ambiente. Na segunda ação, o MPF, questiona o 2,4D um dos componentes do agente laranja – desfolhante usado pelos EUA na guerra do Vietnã – e pede a suspensão do registro comercial do ingrediente.

O fato é que, à exceção do glifosato, os demais ativos, que compõem a ação do MPF, já foram proibidos na União Europeia, nos Estados Unidos e na China. Passou da hora de serem proibidos no Brasil. A Anvisa está atrasada. Quanto ao glifosato e ao 2,4-D, há um debate no meio científico, apenas inicial, sob as consequências que poderiam ocasionar. Para o glifosato e o 2,4D, o MPF está sendo apressado, pode aguardar um pouco os resultados das pesquisas.

Se há algum exagero na atitude, em quase tudo exemplar, do MPF, classificada como catastrófica por órgãos do governo federal, por industriais do setor de defensivos agrícolas e por agricultores – a mesma atitude catastrófica ocorre com a resposta do Sindiveg – sindicato da indústria dos agroquímicos. Esse sindicato argumenta que com a proibição dos nove defensivos agrícolas solicitados pelo MPF, a renda a ser obtida pelos agricultores cairia em 97% no plantio da soja, 80% na do algodão, 42% na primeira safra do milho e 28% na segunda safra do milho. Catástrofe se combate com catástrofe?

As catástrofes preconizadas pelo MPF e pelas indústrias de defensivos agrícolas

A safra 2014/2015 será escoada para os portos com caminhões chipados

Após anos de más notícias, a situação melhorou no principal eixo de escoamento de grãos do Centro-Oeste. Mudam presidentes. Trocam ministros. Novos e ambiciosos projetos surgem para substituir os anteriores. Promessas esquecidas são renovadas. A boa notícia é que o cenário de caos vivido no passado, quando as cenas das quilométricas filas de caminhões correram o mundo, não se repetiu até agora. O grande diferencial está no agendamento, determinado pela presidenta Dilma, para a descarga dos caminhões nos portos.

A fiscalização do agendamento começou em fevereiro, desde o local de origem das cargas. Fiscais da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) registram o fluxo de veículos agendados e não agendados em cinco postos de controle nas divisas de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e São Paulo. Em fevereiro, outra agência do governo federal, a ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) publicou uma resolução definindo multas pelo descumprimento do agendamento. Cada caminhão não agendado rende multa de R$ 1mil ao terminal portuário de destino. Em caso de reincidência, o valor dobra. Duas ações governamentais, fiscalização e multa, bastaram para corrigir o caos das estradas próximas aos portos.

Em fevereiro, apenas 50% dos caminhões cumpriam o agendamento, hoje, ele se aproxima dos 100%. Antes, a utilização dos portos aos domingos era um terço do normal, aos sábados não chegava a 40%. Os portos ficavam abarrotados nos dias da semana e quase vazios nos finais de semana. Hoje, todos os sete dias da semana estão com percentuais que se aproximam dos 100% de utilização, mas não ultrapassam a capacidade plena de utilização portuária. O máximo de eficiência para a capacidade existente.

Para a próxima safra, está prevista a instalação de um chip nos caminhões que seguem para o porto. Serão acompanhados desde a origem através de antenas instaladas ao longo do percurso, para agilizar e dar segurança o transporte da safra. Ponto favorável para o governo federal.

As catástrofes preconizadas pelo MPF e pelas indústrias de defensivos agrícolas
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Vivendo em uma aldeia Xarayes

Não sabemos como eles se autodenominava, mas o povo a quem os espanhóis descreveram como Xarayes, os Xarai, era formado por homens e mulheres altos, sadios e formosos. Seus corpos invariavelmente desnudos eram cobertos por complexos desenhos azulados. Todas, as poucas, descrições desse povo foram de rara beleza. Além disso, eram “gente polícia”, pacíficos, gente de razão que mantinham uma complexa organização sociopolítica.

Ocupavam ambas as margens do rio Paraguai nos anos de 1500, desde o Taquari até o Jauru. Espalhavam-se em aldeias, todas elas compostas de dezenas de casas. Cada aldeia obedecia a um “principal”, um chefe local que, por sua vez, estava submisso ao chefe maior, o senhor de todos os Xarai. Quando os espanhóis chegaram até eles, esse senhor era denominado Camire. Não eram belicosos, mas sua complexa organização impunha respeito e, quando preciso, armavam-se para defender suas colheitas.

Eram todos “gente de canoas” e viviam em casas arredondadas, construídas e cobertas por uma palha muito bem trançada, “pareciam tendas de campanha”. Em cada uma delas habitava uma família, composta por pai, mãe e filhos. A reunião destas casas formava uma aldeia. Esta, por sua vez, obedecia a um desenho circular no qual se reservava o centro para uma grande praça. Era onde se reuniam e jogavam. Estava sempre ocupada por crianças, patos e aves multicolores.

Durante o período de seca no Pantanal, onde viviam, plantavam, colhiam e armazenavam mandioca, batata-doce, milho e algodão. As mulheres eram consideradas primorosas tecelãs, fiavam o algodão transformando-os em levíssimas mantas que foram comparadas com os finos e coloridos tecidos que as francesas fabricavam. Decoravam as mantas com cervos e emas.

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Muita beleza e diplomacia marcavam o povo

Elas foram descritas pelos espanhóis como belas e afetuosas e “manejavam com muita destreza nos jogos amorosos”. Esses espanhóis também afirmaram que algumas delas eram mulheres públicas “que ganham por seu corpo” e que não se misturam com as “honestas”. Mas, caso desejassem, poderiam casar-se e tornarem-se honestas.

Camire, o chefe principal, os recebeu com calorosa recepção. Uma comissão de duas dezenas de homens carregados de comidas os aguardava. Patos cozidos, peixes, pão de milho... e um vinho de milho. O caminho até o centro da aldeia estava decorado com harmoniosas flores.

Todos os índios queriam conhecer os famosos estrangeiros. À medida que os visitantes caminhavam, viam a multidão composta de homens, mulheres e crianças que vinham a saudar-lhes, enfeitados de coloridas plumas e trajando tangas de contas brancas.

A última referência que se pode localizar sobre esta nação outrora tão populosa, sadia e laboriosa está em uma passagem do jesuíta José Quiroga que, em 1754, desconfiou ter visto alguns, poucos, Xarai na região onde habitavam.

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Relatório do WWF ataca falta de estímulo à produção de soja responsável

A crítica vai contra, principalmente, para a indústria de produtos ou rações animais, durante relatório divulgado ontem, na ocasião da Mesa Redonda da Soja Responsável, que ocorreu em Foz do Iguaçu. No Boletim da Soja de 2014 do WWF, sugere experiências como as de países europeus que usam a soja de maneira responsável e, assim, estimulam um melhor desempenho das empresas. O embaraço, porém, não é contra o Brasil, mas a Europa, que hoje absorve anualmente 34 milhões de toneladas do grão.

Oitenta e oito grandes varejistas, produtores e fornecedores de alimentos instalados na Dinamarca, França, Holanda, Suécia e Reino Unido, foram analisados. Os desempenhos considerados de melhor satisfação estão nos setores de bens de consumo e indústria de laticínios. A situação muda em relação às empresas de ração, carne e produção de ovos. Juntos, esses setores recebem três quartos da soja mundial.

Entre as alternativas elencadas pelo WWF está a imposição do setor varejista para que compre somente soja produzida de maneira responsável.

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Caso de vaca louca faz Peru embargar carne brasileira

Vai durar 180 dias, segundo o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). O registro da doença aconteceu em uma planta do JBS/Friboi do Mato Grosso. O Mapa afirma que o Peru importa somente 0,1% da carne brasileira, principalmente miúdos. Ainda assim, envia uma missão técnica para dar explicações sobre o caso na próxima semana.

No último dia 2, o Ministério da Agricultura informou ter recebido do laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) a confirmação da doença, mas ainda falta saber se o é um caso atípico ou um caso clássico. O laboratório, que funciona na Inglaterra, deve encaminhar o diagnóstico nesta sexta-feira, segundo o ministério. O caso foi descoberto após exames realizados no Laboratório Nacional Agropecuário de Pernambuco. Esta é a unidade de referência da OIE (Organização Mundial de Saúde Animal). Os exames apontaram que é um caso atípico, uma forma esporádica que não está relacionada à ingestão de alimentos. Para afirmar essa posição, de caso atípico, foram identificados 49 animais nascidos um ano antes e um ano depois do registro do caso da vaca louca. Todas as amostras deram negativo para encefalopatia espongiforme bovina. A conclusão é de que o caso foi por velhice. A preocupação acontece porque, além de matar os animais, a doença também infecta humanos, e o mercado fica abalado.

No ano passado, quando foi confirmado um caso de encefalopatia espongiforme bovina que só aconteceu em 2010 na cidade de Sertanópolis (PR) Japão, a China, o Peru, o Líbano, a Coreia do Sul, Arábia Saudita, África do Sul, Ilha de Taiwan, a Jordânia e o Chile suspenderam a compra da carne brasileira.

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