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19/05/2014 07:45

As causas das mortes mostram que o Brasil melhorou e sociedade mudou

Mário Sérgio Lorenzetto
As causas das mortes mostram que o Brasil melhorou e sociedade mudou

Principais causas de morte ajudam a compreender mudanças na sociedade

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Todo ano, mais de um milhão de brasileiros morrem. Entender as principais causas de morte pode desvendar muitas mudanças em nossa sociedade. Por exemplo, o fato de estarmos ficando menos violentos, ainda que a sensação da presença da violência seja elevada.

De 1995 até hoje, as doenças circulatórias continuaram a ocupar o primeiro posto dentre as 10 principais e o câncer ultrapassou as causas não naturais e se tornou o segundo maior motivo dos óbitos brasileiros. Para muitos pode parecer uma má notícia, mas se enxergarmos como comunidade é uma boa nova. É um forte indicador que estamos vivendo mais – uma vez que os tumores são mais frequentes com o avançar da idade.

A melhor notícia, no entanto, é a de que presenciamos um crescimento menor de vítimas por agressão. Dentre as causas externas, não naturais, um dado importante, mas que é tabu na imprensa brasileira é o número de suicídios – 9.852 – maior que o de ocupantes de carros quando da ocorrência de acidentes automobilísticos (9.733) e também maior que o número elevado de pedestres mortos (9.244).

Apesar das mortes por armas de fogo – 36.737 – e por armas brancas – 11.466 – apresentarem números elevados, todavia tais ocorrências a contar de 1996, tiveram uma pequena queda entre 1997 e 1998 e nos anos subsequentes mantiveram estabilidade. Esses números colocados em um gráfico se transformam em uma reta constante.

Assim, as doenças ligadas ao aparelho circulatório vêm apresentando um razoável crescimento e o câncer foi a causa de morte que mais cresceu. A outra variável que demonstra a melhoria nos padrões de vida dos brasileiros é a redução de mortes ocasionadas por infecções e parasitas que, do quinto lugar que ocupava, caiu duas posições, terminando o ano de 2013 em sétimo lugar.

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Chutometria ou a arte de enganar o povo. Curva de Gauss não fica na estrada que liga Sidrolândia a Maracaju

“Chutometria” poderia ser o nome dado para a nova “ciência” que não é nem estatística nem tarô, trata-se de uma modalidade intermediária praticada no Brasil, país de certezas- incertas e em que se erra muito e poucos respondem pelo erro. Ao que tudo indica, o fenômeno tem alcance mundial. Quando o primeiro Ministro da Malásia anunciou que o avião da Malaysia Airlines havia sumido, ele abriu a porta para milhares de teorias especulativas que passaram a dominar os noticiários. O avião havia sofrido um atentado terrorista, tinha sido engolido por um buraco negro, tinha sido pirateado para o Cazaquistão, seria usado pelo Irã em um ataque contra Israel.

Nada é mais natural que a especulação perante o mistério, porém, o número de hipóteses improváveis que circundaram o caso ilumina o incentivo econômico da especulação por “experts”. Quando há grandes incertezas os “especialistas” proliferam, tentando se diferenciar de seus pares. Pouco ganho há em dizer aquilo que todos os outros estão dizendo ou dizer que não há informação suficiente para fazer um julgamento. Por outro lado, espera-se grandes recompensas em suscitar um prognóstico extremado e, no fim, esse acabar sendo a resposta correta. A economia das previsões já mostrou que, ser o único a acertar sempre garante mais glória do que dividir o prêmio.

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Por outro lado, quando as previsões são erradas ninguém responde pelas especulações

Especialistas na previsão do mercado costumam ser demitidos quando praticam erros grosseiros. Na mídia, conjecturas equivocadas acabam sendo rapidamente esquecidas, por isso há poucos danos em estar errado. A cobertura televisiva não precisa de fatos muito sólidos para tratar dos assuntos, principalmente canais de notícias 24 horas que acabam preenchendo o tempo mesmo com poucas informações sobre o acontecimento. É nesse cenário que aparecem os “especialistas”, “comentadores” e a prática da chutometria floresce. O fenômeno não está limitado ao mundo do noticiário, especialistas atuam em diferentes áreas correndo o risco de se equivocarem, pois, quando eles estão certos a recompensa é imensa. Um especialista que acerta um prognóstico pode sobreviver por muito tempo, pois, acredita-se que o feito pode ser repetido. Por isso a ideia de chutômetro. Eventualmente, alguém consegue fazer um gol chutando fora da área e virar ídolo do time.

Os erros grosseiros que ocorrem nos diferentes campos que lidam com previsões não diminuem as expectativas das pessoas por “adivinhar o futuro”. Na verdade, as características de previsões mais arrazoadas como o reconhecimento da incerteza, do limite do conhecimento e falar em termos probabilísticos ao invés de ver as coisas como definitivas causa desconforto. Os especialistas que afirmam ter mais certeza sobre os fatos têm mais demanda pela mídia, mas isso não quer dizer que eles estão certos. Um estudo de conselheiros econômicos mostrou que aqueles que afirmam saber qual será a movimentação dos mercados eram vistos com mais credibilidade do que aqueles mais céticos, ainda que estes estejam corretos. Aquilo que os praticantes da ciência da “chutometria” acreditam é que a fortuna favorece os audazes.

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O benefício da dúvida a institutos e mestres da chutometria

Institutos de pesquisa erram, os “mestres” da chutometria também erram, mas procuram ser beneficiados pela dúvida. Se levada até as últimas consequências, a dúvida sobre os dados estatísticos – beira um obscurantismo primário. A questão é a oposta, faltam pesquisas estatísticas e profissionalismo na relação com os dados. Falta quem responda pelas pesquisas, que não deveriam ser limitadas ao momento eleitoral. Até o menino que grita fogo, no momento em que as coisas efetivamente começam a queimar sai correndo. Murmúrios de que as pesquisas estatísticas deveriam ser colocadas em dúvida não são sustentáveis, em tal cenário, o já falecido e lendário deputado Enéas Carneiro, que delas duvidava por mero interesse, poderia aparecer liderando a disputa para as eleições presidenciais de 2014.

De fato, no Brasil, as pessoas votam de maneira “errada” e isto é uma causa de incômodo para muitos, votam com base nas estatísticas para não “perder o voto”, votam nas pessoas e não no partido e nas ideias. Será que a crítica que procura relativizar as estatísticas é uma crítica que também procura relativizar ideologias? Que procuram relativizar a mentira e a ética? Os mesmos “críticos de ocasião” tem um mínimo de conhecimento a respeito dos trabalhos que envolvem as pesquisas eleitorais? Curva de Gauss não fica na estrada que liga Sidrolândia a Maracajú. É um gráfico fundamental utilizado em pesquisas para a distribuição de um conjunto de dados.

O sistema empregado, por institutos certificados e de notória especialização, é o SPSS (originalmente significava Statistical Package for the Social Sciences – pacote estatístico para as ciências sociais). Nesse moderno pacote de verificação estatística não existe as condições para transformar blefe eleitoral em verdade absoluta. Negar a probabilidade, negar as estatísticas é trabalhar na escuridão do desconhecimento ou da mentira.

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Segunda-feira: dia de a banana comer o macaco

Em 1924, Billy McCracken e Frank Hudspeth eram zagueiros de um time inglês, o Newcastle. O futebol jogado naquela época era diferente – o esquema mais comum era o 2-3-5. Cinco atacantes e apenas dois defensores. O goleiro dava um chutão e os atacantes tentavam marcar o gol. Já existia uma lei do impedimento. Nela, o atacante deveria ter pelo menos três adversários à frente. A regra tinha uma explicação: tentava impedir que os atacantes ficassem apenas na banheira esperando a bola chegar à área. A lei do impedimento era acatada sem nenhum problema e o futebol era rápido e tinha muitos gols.

Até que, em 1924, o zagueiro Billy McCracken teve uma ideia – “vamos combinar um sinal e dar uns passos à frente quando o goleiro do outro time lançar a bola”. A ilusão de ótica fazia o juiz pensar que o atacante adversário estava impedido.

Frank ficou boquiaberto: não podia acreditar que, em quase oitenta anos de futebol, ninguém tivesse pensado em um truque tão simples.

Quando descobriram o macete, os demais times começaram a usar a chamada “linha burra” que em verdade era muito esperta. As partidas caíram em emoção e em gols. O público sumiu dos estádios e os poucos torcedores não paravam de bocejar.

A mudança foi rápida, em 1925, criaram uma nova regra – o jogador estará em impedimento quando se encontrar mais próximo da linha de fundo adversária do que a bola e o antepenúltimo adversário. A regra atual só mudou o antepenúltimo pelo penúltimo. Tentando fazer com que as partidas não continuassem tão tediosas depois do truque do Billy.

Passado algum tempo, em 2003, tentou-se um novo abraço de afogado para dar ritmo ao jogo. Introduziu-se a “posição passiva”: quando um jogador não participa da jogada, não importa se ele está em posição de impedimento. Ninguém nunca ousou pensar em impedir o truque do Billy, que teria sido a coisa mais natural.

Muitos anos depois, porém, essa malandragem do Billy transformou todos nós, torcedores de futebol, em chimpanzés que toda segunda-feira não entendem porque não podem comer a banana (um conhecidíssimo experimento científico), porque não mudam a regra e dão mais velocidade e gols ao futebol. Talvez a Fifa deseje que a banana coma o chimpanzé.

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Empresas prometem flexibilizar com apaixonados por futebol na copa

É menos da metade, mas 39% das empresas brasileiras devem permitir que os funcionários assintam às partidas disputadas durante a Copa do Mundo, que começa em junho. Estudo da empresa de recrutamento e seleção Robert Half mostra também que 34% vão liberar os funcionários mais cedo nos dias de jogo.

O estudo identificou que o clima de festa, por meio de decoração especial, vai amolecer 38% dos diretores de RH. Bolões serão permitidos em 28% das empresas, mesmo percentual daquelas que terão festas temáticas. Os happy hours só viraram promessa para 24%.

Não é só porque são “boazinhas”, 52% dos executivos de RH apostam no lado positivo que a Copa trará para os funcionários. E é sabido que gente estimulada rende melhor.

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Brasil se mantém entre os dez principais destinos de investimento internacional

Cada hora é alguém que fala sobre a confiança dos executivos brasileiros e de como o humor deles cai ou se levanta. Desta vez, o retrato vem da consultoria EY que analisou a confiança deles na economia local no período de outubro do ano passado a abril de 2014. Os dados integram o 10º Global Capital Confidence Barometer, pesquisa realizada semestralmente pela EY com 1.600 executivos de 54 países, incluindo o Brasil. Por aqui, o índice passou de índice passou de 42% para 51%. Para eles, os executivos, o mais importante agora é continuar enxugar custos e aumentar a eficiência. E 53% dos ouvidos também acreditam que o volume de transações corporativas do Brasil vá crescer nos próximos 12 meses.

O tal barômetros mostra, ainda, que o Brasil está entre os dez melhores destinos para os investimentos internacionais. A intenção das empresas em fazerem grandes fusões e aquisições (acima de US$500 milhões) dobrou nos últimos 12 meses – de 12% para 27%. Mesmo assim, que está por aqui que reduzir custo. Esta é a prioridade de 43% dos executivos no país.

O estudo concluiu que lá fora e por aqui, os setores com os mais atraentes aos investimentos em transações são: Mineração e Metais, Petróleo e Gás, Energia, Varejo, Tecnologia e Telecomunicações. Como as transações para exploração e instalação não acontecem rapidamente, a expectativa é de que negócios concretos mesmo, só em 2015.

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