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03/02/2015 10:45

Bons salários x péssima educação. Um gargalo a resolver urgente em MS

Mário Sérgio Lorenzetto
Bons salários x péssima educação. Um gargalo a resolver urgente em MS

Como resolver os gargalos para a educação avançar

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Não existe dúvida alguma que nos últimos anos ocorreu um bom investimento na educação brasileira e na do Mato Grosso do Sul. Como também não paira qualquer dúvida que essa despesa crescente não transformou a qualidade da educação. Não obtivemos melhoria alguma. Este é um país que adora lendas. Criaram a falsa expectativa, e continuam criando, de que bastaria aumentar as despesas com a educação para que os alunos tivessem um ensino de primeiro mundo. Nada ocorreu em melhoria na educação com os sucessivos aumentos salariais dos professores.

É bem verdade que é inadmissível professor ter salário de fome. Mas também é uma verdade que neste país, em especial em nosso Estado, não existe professor com salários baixos. A média gira entre R$4.000 a R$6.000. E ainda terão um reajuste de 13% que é o dobro da inflação. Também lutam por dobrar o dobro: almejam 25%. Nada contra. Muito pelo contrário. Todavia, não é admissível que ganhem bons salários e ofereçam uma péssima educação. O cerne do problema está na excessiva politização da educação. Os professores tornaram-se "correias de transmissão" de ideologias e partidos políticos. A "casa" dos professores, a sede de sua Federação é o prédio principal de um partido político.

O setor público brasileiro gastou aproximadamente R$5,5 mil ao ano por aluno do ensino básico. Multiplicado pelos 41,3 milhões de crianças e jovens até 17 anos que estavam na escola pública, esse valor representa perto de 5% de toda a riqueza produzida no país (PIB). Algo em torno de R$ 230 bilhões, valor 120% maior em termos reais (descontada a inflação) que o de dez anos antes.
A presidenta Dilma escolheu o slogan "Brasil, pátria educadora", propondo chegar a 7% do PIB nas despesas nacionais com a educação (os atuais 5% viram 6,4% quando se considera o ensino superior e as parcerias com o ensino privado). Essa não parece ser a tarefa mais complicada, mesmo diante do ajuste fiscal em curso e da menor perspectiva de arrecadação com os royalties do petróleo.

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As alternativas educacionais em outros Estados

Na média do país, o avanço está concentrado nos anos iniciais do ensino fundamental, em que ocorre a alfabetização e estão os alunos até o quinto ano. No ensino médio o quadro brasileiro é de quase estagnação.
Existem algumas poucas exceções. Ceará. Goiás, Acre e Minas Gerais são Estados que nos últimos anos avançaram além da média em algumas dessas etapas do ensino, mas não em todas. O Ceará jogou todas as fichas em uma forte integração e cooperação entre Estado e municípios (nada a ver com o mau começo educacional do Mato Grosso do Sul que resolveu adiar o início das aulas, a pedido de alguns prefeitos, deteriorando o lado pedagógico). Goiás e Acre concentraram esforços na formação do professor, que foi antecedida por uma negociação para alterar o currículo dos cursos de pedagogia. Minas além do treinamento e capacitação do corpo docente, criou um programa de "intervenção pedagógica" nas escolas.

Todos esses Estados, sem exceção, adotaram programas de meritocracia e introduziram no universo da educação pública algumas palavras típicas do setor privado: avaliação, metas e gestão. Proposta similar foi feita à entidade dos professores de Campo Grande há 12 anos. Foi rechaçada.
No Ceará, bons índices de educação são o critério preponderante para a divisão da parcela de 25% do ICMS. Mas é preciso que uma cidade tenha uma maioria de boas escolas para receber mais. Não basta uma escola ofertar boa qualidade de ensino. Além disso, o Ceará premia com um bônus (R$2 mil por aluno) as 150 escolas municipais com melhor resultado. Mas essa escola precisa se comprometer com a outra escola do mesmo município que teve o pior resultado e prestar assessoria para que essa escola melhore. É similar ao programa chinês, desenvolvido em Shangai que elevou essa cidade para o posto de melhor cidade do mundo na educação de crianças e jovens (excluído o ensino universitário).

Goiás e Acre transformaram o conhecimento dos professores. Estabeleceram como meta graduar todos os professores, fizeram um projeto de licenciatura plena parcelada. Os cursos universitários deixaram de ser generalistas, muito teóricos. Os futuros professores não eram preparados para a sala de aula. Com o apoio do Ministério da Educação, adaptaram os cursos universitários para que fossem mais ligados à prática. Goiás tem 90% dos professores com formação universitária. O Ideb do Acre evoluiu de 3,3 - um dos mais baixos do país - para 5 - bem acima da média nacional. Mudar o currículo dos cursos de pedagogia é um dos pontos urgentes e fundamentais da agenda de um governante estadual.

Bons salários x péssima educação. Um gargalo a resolver urgente em MS
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O imbróglio do ensino integral em uma escola "chata"

Se a escola brasileira é "chata", por que estender ainda mais a jornada? Não é só mais tempo na escola que resolverá o problema do péssimo ensino. Em São Paulo construíram o princípio da "adesão". Não é a secretaria que decide qual escola será transformada para o modelo integral. Os alunos são ouvidos e é deles a decisão. Muitos jovens não querem ou não podem estudar por tempo integral porque precisam trabalhar. Por outro lado, o professor é incentivado a aderir a esse programa, pois o governo paulista oferece adicional de salário de 75%, mas exige dedicação exclusiva. Os alunos, por sua vez, passam a ter jornada de até nove horas e meia e além das disciplinas obrigatórias escolhem outras de acordo com seu interesse e objetivo. Há em São Paulo diferentes modelos de ensino integral. Um com aulas regulares, o integral em que o contra turno é ocupado especialmente com atividades esportivas e culturais (mais barato para os cofres governamentais) e outro em que o aluno complementa o estudo regular com formação profissionalizante fora da escola regular, mas bancada e supervisionada pelo governo.

Para evitar que se forme uma elite nos alunos do ensino integral São Paulo começou um debate para reformular o currículo do ensino médio. Goiás, Ceará e Minas Gerais têm em comum uma reformulação completa do currículo. Em Goiás, a educação é integral para o aluno e para o professor, que permanece toda sua carga horária de 40 horas na mesma escola. Todos os professores da sexta série, por exemplo, se reúnem e discutem a turma e cada um dos alunos. E mais, os professores dessa sexta série articulam com os professores da sétima série os conteúdos que precisam ser trabalhados para que o aluno possa acompanhar a etapa seguinte. A ideia goiana é preencher as lacunas do ensino e criar um espírito de "pertencimento" a uma escola. Goiás criou uma rede de ensino médio profissionalizante. O aluno sai com perfil de quadro técnico de gerência intermediária, que falta no país. Também têm competência acadêmica para seguir para uma universidade se esse for seu plano. Há um conjunto de disciplinas focadas em projetos de vida. Não precisa ser sofrido aprender, você pode perguntar ao jovem o que e como ele pode aprender. A escola deve deixar de ter um ambiente "chato".

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Rumo à cidade inteligente

O uso inteligente de dados para a construção de políticas públicas a partir de informações geradas pela cidade é hoje tendência mundial e têm contribuído para tornar mais eficiente a gestão e o uso racional de recursos. Não serve apenas para denúncias e para aumentar a transparência de gastos, pelo contrário, a instalação da "inteligência" na administração de uma cidade visa a melhoria do bem estar coletivo.

Celulares de toda a população medindo a poluição, cuidando de problemas com a iluminação e a limpeza pública começam a se tornar realidade em vários centros urbanos. A modernização da rede de iluminação pública não deve prever apenas a troca de lâmpadas pela tecnologia LED, mas interligar toda a rede a um centro de controle operacional com recursos capazes de levantar dados e fazer uma gestão mais econômica da iluminação. Afinal, iluminação pública pode garantir a segurança das pessoas.

Outro avanço nas cidades inteligentes é no setor de conectividade e convergência digital. Além de criar áreas de conexão WiFi aberta e gratuita ao cidadão, começam a montar laboratórios digitais, com equipamento para impressão 3D que estão sendo disponibilizados gratuitamente para pequenos empresários e para jovens em geral
As mais recentes soluções de gestão pública foram apresentadas na quarta edição do congresso mundial Smart City, realizado em Barcelona, na Espanha, em novembro do ano passado. O evento reuniu representantes de 400 cidades, 242 empresas desenvolvedoras de tecnologia e mais de 10.000 visitantes. A "inteligência" pode melhorar os serviços públicos em todos os metros quadrados da cidade. É possível montar uma rede de inteligência no controle da limpeza pública, melhorar a fiscalização que é quase nula e um dos setores que tem oferecido mais e mais denúncias de malversação do dinheiro público, pode ser feito o monitoramento remoto dos caminhões encarregados da limpeza, não só com intuito de fiscalização, mas para o planejamento de cada casa ou prédio da hora de levar o lixo para a rua, com também pode determinar o momento de limpar os bueiros que são contribuintes eficazes para as constantes enchentes de nossas ruas. O destaque na inteligência urbana tem sido dado para a mobilidade, energia, segurança, infraestrutura (rede de sensores, gestão digital de serviços de água), saúde, construção, governança e educação.

Não é possível continuarmos discutindo eternamente as mazelas ocasionadas pelo consórcio montado entre o Poder Executivo Municipal e muitos vereadores, que usam e abusam das finanças públicas e caminharmos celeremente rumo ao passado distante. Estamos de volta ao passado, quando deveríamos caminhar rumo a uma cidade inteligente. Não resta dúvida que foi a pior escolha, em muitas décadas, de prefeito, vice-prefeito e vereadores.

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