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26/12/2014 08:18

Como a equipe econômica determinará os próximos quatro anos do Brasil?

Mário Sérgio Lorenzetto
Como a equipe econômica determinará os próximos quatro anos do Brasil?

Gasto público desmiolado

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O problema do Brasil não é tanto o superávit primário quanto o gasto público desmiolado. O gasto público está descontrolado há 20 anos. Mas agora ele ficou desmiolado, não tem pé nem cabeça.

A meta de 1,2%, traçada pela nova equipe econômica, pode ser arrojada, mas é preciso entender como ela a construirá. Se for aumentando impostos, então ela não é nada arrojada. A maior necessidade é ver uma meta para o crescimento do gasto público corrente.

O anúncio da nova equipe nos tirou da "classe econômica do avião da economia mundial" e nos colocou na "classe executiva", travou vários riscos que corríamos com a dupla Mantega-Delfim Netto. O mais importante foi o da recessão que batia às nossas portas. Mas também serviu para espantar o fantasma do rebaixamento do grau de investimento.

Agora teremos de ver o anúncio de como pretendem realizar o superávit de 1,2%. Essa é uma equipe de gente séria, que perseguirá com tenacidade o que se propor. Vão fazer superávit com aumento de receita, corte de despesa ou uma combinação das duas? Os próximos dias determinarão quatro anos.

Como a equipe econômica determinará os próximos quatro anos do Brasil?
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Não vai ser fácil retomar o crescimento industrial

Os caminhos para destravar o investimento e retomar o crescimento na indústria nacional nada têm de trivial. Soluções mais duradouras terão que envolver, necessariamente, investimentos na infraestrutura logística, simplificação do sistema tributário e a adoção de um modelo econômico que reduza o custo do crédito e crie condições para estimular ganhos de produtividade.

A existência, no Brasil, de um parque industrial mais avançado e diversificado do que em outros países emergentes pode ser um trunfo nessa estratégia porque facilitaria a produção de mercadorias com maior valor adicionado. Produtos melhores e mais caros, principalmente para a exportação, permitirão acomodar os custos mais elevados na

comparação dos nacionais com os importados. Há urgente necessidade de pesquisas, melhor concepção de produtos, montagem de logísticas mais eficientes para os suprimentos, uma engenharia e planejamento de melhor qualidade para a produção. O país também se ressente de uma melhor logística de distribuição dos produtos, marketing mais eficiente e de uma assistência técnica de serviços pós-venda. É muito, mas é possível.

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Um rápido perfil da indústria brasileira

O Brasil construiu, especialmente a partir da década de 1950, um parque industrial diversificado que o levou, em 1980, à posição de sétima maior economia industrial do mundo, respondendo por 2,7% da produção global de manufaturados. Nas últimas três décadas, a emergência de países asiáticos, notadamente da China, reduziu a participação brasileira a 1,6% do total e nos empurrou para a décima primeira posição no ranking dos industrializados.

Há um intenso debate sobre qual deverá ser o perfil industrial do país. A única unanimidade é a impossibilidade de competir com os chineses na produção de mercadorias que usam mão de obra intensiva como calçados, têxteis e móveis. As melhores possibilidades estão com aquelas cadeias que nascem a partir de recursos naturais como petróleo, minerais e produtos agrícolas. Nas cadeias que envolvem processo de montagem, excluída a cadeia aeronáutica, as chances de crescimento são menores. Mas o mercado interno assegura um lugar para a indústria automobilística, o setor mais influenciado pelas políticas governamentais. Mas vale recordar que, em 2013, as exportações do setor foram de US$ 15 bilhões e as importações alcançaram US$ 21 bilhões. Um péssimo resultado para a economia nacional.

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Máquinas do parque industrial nacional comemoram 17 anos

Talvez o problema mais grave da indústria brasileira seja a defasagem de suas máquinas. São antigas e obsoletas, com idade média de 17 anos. Assim, o consumo vem sendo suprido em boa parte por mercadorias importadas. Faltam condições de competitividade em relação aos países asiáticos. As causas para esta situação estão relacionadas ao baixo volume de investimentos em inovação e à falta de confiança em comprar dinheiro barato no BNDES para a aquisição de máquinas modernas. A idade das

máquinas do parque industrial brasileiro é cerca de quatro vezes superior ao que se verifica nos países desenvolvidos e na Ásia.

Um estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) mostra que a fatia do setor industrial nos desembolsos do BNDES vem encolhendo desde 2010, quando alcançou 46%. Em 2014, a participação da indústria caiu para 25% dos recursos liberados no primeiro semestre. Na comparação ano a ano (2014/2013), a queda foi de 13% no período de janeiro a setembro.

Para a Fiesp, no entanto, o BNDES não pode ser responsabilizado por essa queda de participação na indústria, uma vez que o banco teve um papel fundamental para que o investimento no Brasil não caísse mais do que já caiu. E hoje, com essas taxas de juros praticadas no país, sem o BNDES, é quase inviável fazer investimentos. A responsabilidade pesa para a desaceleração da economia, vilã das peripécias do ex-czar da economia Guido Mantega.

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Setor calçadista dá bom exemplo de aumento das exportações

Design diferenciado, em linha com o que há de mais moderno na moda internacional, mas usando cores nacionais, aumento da produtividade e mais eficiência na gestão dos recursos são os elementos fundamentais na estratégia dos fabricantes brasileiros de calçados para recuperar a competitividade perdida nos últimos anos no mercado externo. O movimento ainda não atingiu o setor calçadista em sua plenitude, mas tende a se tornar mais forte em 2015.

Eles se organizaram e estão direcionando seus esforços na promoção comercial e inserção de marcas em oito países, entre os quais os Estados Unidos, a China, Rússia, Alemanha, México e Colômbia. O trabalho de retomada dos mercados está sendo realizado em conjunto com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações (Apex-Brasil), com um programa de investimentos de R$ 41 milhões nos próximos dois anos.

Não é uma tarefa fácil. Depois de manter uma performance padrão de quase US$ 2 bilhões de exportação, em função da crise econômica mundial, o calçado brasileiro entrou em uma espiral de queda, até chegar a um patamar em torno de US$ 1,2 bilhão, cerca de 30% a menos. A redução das exportações foi compensada com a ampliação do mercado interno: a partir de 2009, as vendas cresceram 10% ao ano, o que possibilitou a expansão da produção.

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Brasil é o paraíso dos cartões de crédito

Dados consolidados de setembro (mais recentes) da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviço (Abecs) indicam aumentos de 15,6% do valor transacionado e de 11,1% do número de transações com cartões de crédito no mês em relação à mesma primavera do ano passado. Foram realizadas 847,3 milhões de transações movimentando R$ 80,3 bilhões com cartões, em setembro deste ano.

Os números mais recentes da Abecs confirmam tendência verificada nos dados divulgados pelo Banco Central (BC) em maio deste ano, segundo os quais o faturamento do mercado de cartões de crédito subiu 14% em 2013, em relação a 2012. Foram movimentados R$ 534 bilhões. Já para os cartões de débito o avanço foi de 23% com a movimentação de R$ 293 bilhões.

Na função crédito, 50% das operações foram da bandeira Visa e 42% da MasterCard. No débito, a liderança também foi da Visa que repetiu os 50% do total e a MasterCard com 43%. O número de cartões de crédito emitidos e ativos em 2013 voltou a apresentar crescimento, registrando alta de 7%. Existem no país um número imenso de cartões de crédito - 87 milhões. Quase 42 milhões da Visa e mais de 36 milhões da MasterCard. Um paraíso.

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