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28/07/2015 10:43

Crise política e econômica: os três cenários para atravessá-las

Mário Sérgio Lorenzetto
Crise política e econômica: os três cenários para atravessá-las

O Brasil tem três cenários para atravessar as crises política e econômica.

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O mais otimista dos cenários é aquele que FHC e parcela dos tucanos acabam de afastar - o governo federal, os parlamentares da base dos aliados e da oposição, o empresariado e os sindicatos de trabalhadores poderiam convergir para um governo de união nacional, com um programa mínimo para se ajustarem as contas nacionais no meio da tempestade provocada pela Lava-Jato. O principal entrave está não só no alto comando tucano, como também na exclusiva possibilidade de ele se dar com Dilma no centro dos esforços conjuntos. É óbvio que os tucanos só aceitarão essa ideia nas proximidades do "derretimento político-econômico" do governo e da economia nacional. Neste momento, existem muitas esperanças de que o ajuste preconizado pelo Ministro da Fazenda venha a obter alguns bons resultados. A prova da esperança está na credibilidade do ministro para com o empresariado que vem subindo paulatinamente. Portanto, o primeiro cenário está descartado, pelo menos para os próximos meses.

O cenário mais pessimista, seria o da destituição da presidente Dilma ou de uma tamanha diminuição do poderio do governo federal que motivasse os políticos, aliados a ela e de oposição, a moverem verdadeiramente um processo de impeachment. Esse cenário é ainda mais difícil do que o anterior. Os políticos ainda têm muito a ganhar com o governo Dilma e não desistirão enquanto tiverem seus interesses minimamente contemplados.

O terceiro cenário é intermediário entre os dois anteriores. É o mais provável para o segundo semestre do ano. A crise levará a um reforço da atual fórmula governativa com concessões de mais poderes ao PMDB, aos demais aliados do governo e, talvez, a ministros sem ligações partidárias como Joaquim Levy. Há ainda, um novo movimento em curso - a inclusão dos governadores, para dar mais força ao ajuste fiscal e a suas "tropas" no Congresso. Os polos de atração dos governadores já foram desenhados: a reforma do ICMS (destrutiva para a economia do Mato Grosso do Sul) e o aumento do "Imposto da Herança" que é o ITCD. Sem bola de cristal não há quarto cenário.

Crise política e econômica: os três cenários para atravessá-las
Crise política e econômica: os três cenários para atravessá-las

O habeas corpus para o Lula é uma peça que apequena a democracia brasileira.

Pela enésima vez uma parte importante do país delirou, entrou em pulsante frisson. Um desconhecido entrou com um pedido de habeas corpus para o ex-presidente Lula. A esperança de ver Lula na cadeia tomou conta das redes sociais e de parte do jornalismo sensacionalista. A ida de Lula para a cadeia tem duas vertentes, uma pelo simples ódio a ele e a seu cada vez mais diminuto partido, a outra pertence ao mundo do eterno golpismo brasileiro - ganhar as eleições sem disputa entre partidos. O novo presidente, para os golpistas, seria escolhido na Convenção Nacional do PSDB. O competente governador de São Paulo, Geraldo Alckmin contra o precário bom moço de Minas Gerais, Aécio Neves. Um deles estaria eleito para o cargo de novo Presidente da República. Fácil assim.

Um país não sai da ditadura com a eleição de presidentes; sobram resquícios autoritários por longo tempo. Assim como uma democracia plena não é construída em poucas décadas, ela sempre é incompleta e eivada por graves defeitos. Bastam dois exemplos clássicos para confirmar a tese: o movimento que foi às ruas lutar contra o governo tinha parte substancial de "quarteleiros", de pessoas desejosas do retorno da famigerada ditadura; no polo oposto fica a eterna ladainha petista, deblaterando contra a liberdade de imprensa...só nove famílias dominam a imprensa brasileira e queixumes assemelhados. Todavia, o ranço ditatorial mais perigoso, almejado por muitos é de uma "quartelada" através do Poder Judiciário. Tal como tudo e todas as instituições nacionais, o Judiciário também guarda seus ranços autoritários, que só há bem pouco tempo começaram a se desfazer, com a prisão dos mensaleiros. Prisão com provas inequívocas e substanciais.

Prender Lula, sem provas inequívocas, é apequenar (ou até mesmo destruir) a incipiente e sensível democracia brasileira. Não importa o credo de cada um, importam as leis e as provas. Muitos acreditam na participação de Lula na corrupção que assolou o país. Este colunista acredita que Lula sabia do mensalão. São credos que assemelham-se aos religiosos, estão ligados à fé, ao abstrato e convulso mundo do imaginário popular. O Judiciário não pode fazer profissão de fé. Só pode observar e julgar com provas, leis e coragem. Simples assim: há provas, claras e substanciais, prendam o Lula. Caso contrário, enfrentem a sua candidatura à Presidente da República, com a Bíblia da Democracia nas mãos, que é a nossa Constituição. É melhor suportarmos mais uma temporada de Lula no poder do que apequenarmos ou colocarmos em risco a democracia.

Crise política e econômica: os três cenários para atravessá-las
Crise política e econômica: os três cenários para atravessá-las

FHC dá o rumo, clareia a responsabilidade das oposições.

FHC dá claras mostras de qual o rumo a ser seguido pelas oposições no país. Ele cumpre um papel vital para a manutenção da combalida democracia brasileira. Sem dúvida, aprendeu na própria pele que golpismo é o pior e mais comprometedor destino. Deve recordar de seu mandato quando enfrentava a militância petista com o "Fora FHC" tomando conta das ruas e torcendo por um golpe. Sim, a esquerda que hoje denuncia qualquer tentativa de golpe, também é golpista quando na oposição. Hoje, ele é uma voz quase solitária em seu meio, lutando contra as conspirações que florescem. Seu artigo para o jornal espanhol "El País" derrama luzes na escuridão instalada nas oposições. Cobra responsabilidade, cobra trabalho, cobra lucidez e um programa que retire as oposições desse eterno "bater de cabeças" sem ir a lugar algum.

FHC trata da economia: "Política econômica é questão de dosagem e de credibilidade. A dose parece excessiva e todo esforço fiscal pode se esvair na falta de atividade econômica que encolhe a arrecadação. Segundo, sem um horizonte de esperança, qualquer ajuste pode ser letal". "Cabe às oposições mostrar no dia a dia, e não só no Congresso, que o sofrimento do povo é consequência da ação desatinada dos governos de Lula e Dilma - da dupla e não só da última - que desdenharam das boas práticas de gestão do Estado". "O refrão das oposições deve ser: chegamos a tais medidas e ao descalabro atual porque os governos lulo-petistas foram irresponsáveis, não se preocuparam em controlar o gasto público e enganaram o povo, enveredando pela megalomania". "Tanto pior, melhor? Não. Anotada e registrada a responsabilidade política do petismo, as oposições, em particular o PSDB, têm compromissos com a nação. Nada justifica arruinar ainda mais o futuro, votando pela derrubada do fator previdenciário. Nada explica apoiar aumento de gasto que no futuro serão pagos com mais impostos, mais inflação e mais ajustes. Em suma, a oposição deve criticar as políticas petistas e não se confundir com elas. Não deve, porém, votar contra os interesses da nação".

FHC mostra o papel das oposições visando a manutenção da democracia: " espera-se que reiterem [as oposições] não ter o propósito antidemocrático de derrubar governos, mas tampouco o temor de cumprir seus deveres constitucionais, se os fatos e a lei assim o impuserem [alude à cassação de Dilma caso surjam provas específicas, sem golpismo]".

Crise política e econômica: os três cenários para atravessá-las
Crise política e econômica: os três cenários para atravessá-las

Harro Schacht, o sanguinário capitão de submarino nazista, declarou a guerra entre o Brasil e a Alemanha.

No dia em que o "Baependi", navio mercante brasileiro, foi a pique, a tripulação estava em festa. Era aniversário de um marinheiro. Em um salão do navio tocavam pandeiro, batiam palmas e cantavam sambas. Subitamente, um estrondo sacudiu violentamente o velho vapor. Em dois dias, um alucinado e sanguinário capitão de submarino nazista pôs a pique seis navios brasileiros, matando cerca de 600 pessoas. Ao contrário do que contava a história brasileira, não foi Adolf Hitler em pessoa quem deu a ordem para a matança, e sim a vontade independente do capitão Harro Schacht. É o que conta e comprova o historiador militar Durval Lourenço Pereira em seu livro "Operação Brasil, o Ataque Alemão que Mudou o Curso da Segunda Guerra Mundial".

Nossos militares hesitavam em apoiar a declaração de guerra. Sabiam que a fragilidade de nossas forças armadas colocaria o Brasil em risco. Também temiam serem coagidos a aceitar a presença de tropas dos EUA no nordeste brasileiro. Tinham ojeriza e desconfiança dos norte-americanos. Por seu lado, os norte-americanos receavam as tendências pró-nazistas do governo de Getúlio Vargas e do comando do exército brasileiro.

Schacht resolveu o conflito. Fazia mais de um mês que seu submarino não torpedeava um só navio em um imenso quadrilátero do Atlântico que ia do Caribe à África do Sul. Ele estava encarregado de "caçar" navios mercantes, de armas e de soldados que iriam abastecer as tropas aliadas. O capitão pediu autorização para o Comando de Submarinos Alemães para mudar de rota: "Solicito liberdade de manobra na costa brasileira. 162 mil litros de combustível. Todos os torpedos". Era um caçador com todos seus apetrechos disponíveis sem encontrar uma só caça. "Liberdade de manobra concedida. Mude de direção e tome o curso de Pernambuco". Foi a resposta obtida por Schacht. Recife era a principal base usada pela Marinha dos EUA no Brasil. O capitão alemão ignorou a ordem e seguiu para as águas próximas à Bahia. E lá provocou um massacre. O Brasil entrou na guerra.

Crise política e econômica: os três cenários para atravessá-las
Crise política e econômica: os três cenários para atravessá-las

Ex-presidentes lutam contra o regime ditatorial venezuelano. A súcia desse regime apedreja políticos brasileiros.

Tudo começou no ano passado com as declarações do ex-Primeiro Ministro espanhol José Maria Aznar. Ele conseguiu galvanizar a imprensa mundial contra o governo venezuelano de Maduro, defendendo seus opositores Antônio Ledezma e Leopoldo López que estão na prisão.
Em 2015, outro ex-Primeiro Ministro da Espanha, Felipe Gonzalez, ingressou na arena. Como advogado de renome internacional iria defender os prisioneiros do regime em frangalhos da Venezuela. A corte de justiça venezuelana, fiel vassala do governo, exercitou seus poderes de chicana e impediu Felipe Gonzalez de seu intento. E novamente ocupou imensos espaços na mídia internacional.

Em seguida, aproveitando a reunião da OEA, 31 ex-presidentes ibero-americanos cobraram medidas internacionais contra o governo venezuelano. Outro passo para asfixiar ainda mais esse governo de atores de circo mambembe foi dado por Felipe Gonzalez, que mobilizou os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (Brasil), Andrés Pastrana (Colombia) e Ricardo Lagos (Chile) que deveriam acompanhá-lo em comitiva a Caracas. Todas essas iniciativas dos ex-presidentes deveriam convergir em uma forte pressão sobre a União Europeia para adotar sanções contra a Venezuela.

À exceção da imprensa que apoia esse regime, todos se postaram favoráveis às ações dos ex-presidentes. Havia seriedade de intentos em prol da libertação dos presos políticos e do estabelecimento de um verdadeiro regime democrático na Venezuela. Agora surge a informação de que um grupo de senadores, comandados por Aécio Neves, tentou entrar em Caracas e teve seu micro-ônibus apedrejado pela súcia de Maduro. Retornando ao Brasil. Foram fazer o que na Venezuela? Aproveitar a onda internacional? Defender os dois prisioneiros políticos e resgatá-los da prisão? Não é por acaso que parte da imprensa apelidou a comitiva brasileira de Liga da Justiça e seus líderes, Aécio Neves e Ronaldo Caiado, de Batman e Robin. Heróis de ocasião.

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