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29/04/2014 07:51

Da bancada do jornal à bancada de restaurante: o instigante Recanto das Ervas

Mário Sérgio Lorenzetto
Da bancada do jornal à bancada de restaurante: o instigante Recanto das Ervas

Desejo antigo e persistência para vender até flores comestíveis

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Há ainda quem lembre o rosto de Márcia Chiad quando ela relatava os principais fatos de Campo Grande. De apresentadora de telejornal a empresária do ramo da alimentação, Márcia percorreu um trajetória profícua e cheia de histórias que incluem, até, o Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. O Recanto das Ervas é um desejo antigo, que começou por volta de 2000, quando ela atuava como professora no curso de Jornalismo da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).

Naquela época, nutrindo um desejo comum à maioria das mulheres, planejava inserir-se em uma atividade que permitisse acompanhar o crescimento dos filhos. Passou a pesquisar negócios relacionados ao meio ambiente, com ênfase nas plantas e paisagismo responsável, Encantou-se com experiências no Rio de Janeiro e São Paulo que privilegiavam o cultivo de ervas. Como a família tinha uma chácara dentro de Campo Grande, adotou a ideia, primeiro como hobby e, hoje, como sustento. Nada sossegada, buscou e terminou por conhecer uma professora de uma escola agrícola em Maracaju que cultivava ervas medicinais. Usou os ensinamentos com os filhos e, como aprendeu, também sentiu vontade de ensinar. “Foi assim que surgiu a ideia do Recanto, vender as mudas e ensinar as pessoas a usá-las”.

Além de ervas, condimentos, hortaliças e verduras orgânicas começaram a brotar na chácara da família de Márcia Chiad. Tudo artesanal, com aplicação racional da água e garantia de nutrientes. Claro que o negócio “bombou” e já não havia mais tempo para a docência ou para o jornalismo. A simplicidade permanece no conceito do negócio, que além da colaboração da professora de Maracaju, contou com orientação do Sebrae (Serviço Brasileiro de Atendimento à Micro e Pequena Empresa). Existe, ainda, uma parceria com concessionária Águas Guariroba para produção na ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) do bairro Los Angeles. O cultivo, desta maneira, ocorre há dois anos.

Da bancada do jornal à bancada de restaurante: o instigante Recanto das Ervas

Produtos livres de agrotóxicos e inquietação movem a empresária

Do viveiro surgiu um restaurante que servia alimentos naturais, produzidos sem adição de agrotóxicos. Esse espaço virou um empório que hoje emprega 12 pessoas. Lembrando que no início, o viveiro tinha somente a força de trabalho da Márcia e um único funcionário. Quem visita o local tem à disposição um cardápio elaborado por ela mesma sob a supervisão de uma nutricionista. Não tem como parar. “Pensamos futuramente abrir licenças para outros locais, ainda estamos formatando o now how. Vendemos as ervas para outros restaurantes e buffet. A ideia é ampliar a nossa produção de flores comestíveis e temperos frescos para fornecer outros restaurantes”.

Contado desta forma rápida, pode haver a ilusão de facilidade, mito. Márcia nunca pensou em desistir do sonho, mas enfrentou desânimo, principalmente quando não havia fluxo de caixa para tocar o negócio. Entre as lições que aprendeu e não se furta em dividir, está a persistência, colocada à prova quando refez o caminho de Santiago de Compostela. “Aprendi muito. Foi fundamental para a minha vida empresarial. Aprendi muito com as dificuldades da caminhada. Tenho imenso prazer em gerar renda, oferecer empregos e ver as pessoas evoluindo. Sempre via uma luz no fim do túnel. Para mim, a persistência e acreditar na idéia foram fundamentais”.

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Se der um “tapa”, não dirija...

A certeza de arrecadar dinheiro com um negócio antes ilegal foi um dos apelos para liberar o cultivo e comércio da maconha no Estado norte americano do Colorado. A lei que liberou a maconha estabeleceu um imposto de 15% sobre a transferência da erva do produtor para o varejista, mesmo quando se trata da mesma empresa. A ele são acrescentados os 2,9% cobrados no estado de toda venda ao consumidor e mais um imposto sobre supérfluos de 10%. Além disso, cada cidade cobra sua taxa da maconha.

No dia 11 de março, a primeira conta do imposto da maconha fechou – recolheram US$ 2 milhões – cerca de R$ 4,5 milhões por um mês de maconha livre. A soma superou a expectativa. A previsão era de US$ 1,4 milhão.

O site da Medicine Man anunciava 20 tipos de maconha, além de pílulas, óleos e refrigerantes. A empresa tem de 2 quilômetros de estufas de maconha e planeja dobrar a produção. A lei que liberou a maconha no Colorado estabelece que o consumidor só pode comprar 28 gramas, o bastante para 28 baseados do tamanho de um cigarro de tabaco. Quem não residir no Colorado só pode comprar 7 gramas – 7 baseados. Mas se o consumidor quiser ir até outra loja e comprar mais 28 gramas ninguém impede, nem a lei.

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Preço final – de US$ 6 a US$ 9 por grama – ainda é cerca do dobro do mercado negro

O destino da verba extra da maconha para os cofres do Colorado ainda está em discussão. A lei determinou que os primeiros US$ 40 milhões de impostos da maconha iriam para a construção de escolas. O governador do Colorado propôs que o superávit seja usado no tratamento de viciados e em campanhas de prevenção ao uso de drogas e de advertência aos motoristas. Algo como: “Se der um tapa, não dirija”. A polícia quer mais dinheiro para reprimir o tráfico.

Em resumo – liberou geral, mas o mundo continua como dantes nos mares de maconha do Colorado. Os maconheiros estão contentes, mas nem tanto – a maconha está cara. Os empresários da maconha, como todos os empresários do mundo, estão furiosos com os impostos. Faltam salas de aulas e sonham que a maconha vai pagar a construção. Aumentará o número de acidentes automobilísticos devido ao estado mental dos motoristas e, por fim, a polícia quer mais dinheiro para combater o que mesmo?

Enquanto isso, em São Paulo, uma nova marcha pela liberação da maconha ocorre. Os organizadores esperavam 10 mil participantes e o tema da manifestação era: “Defender o cultivo caseiro da maconha”. Sem imposto? Então, vão plantar tabaco...

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Pesquisa comprova que o maior problema do governo Dilma é a inflação

A percepção da população sobre a eficiência do governo Dilma no combate à inflação voltou a piorar. Está no mesmo nível do período que antecedeu as manifestações de 2013. De acordo com o monitoramento realizado mensalmente pelo Ipsos Public Affairs, um dos maiores institutos de pesquisa do mundo, a nota média atribuída em junho de 2013 pelos entrevistados aos resultados anti-inflacionários que o governo mostrava era de 4,32. Depois de melhorar no fim de 2013, em março deste ano, a nota média foi de 4,26 – a menor média desde 2005.

A pesquisa é realizada mensalmente com cerca de 1 mil entrevistas. Na época da eleição da presidente Dilma, para 61% dos entrevistados a nota era superior a sete. E apenas 7% dos entrevistados consideravam os resultados para o combate à inflação abaixo da média, ou seja, atribuíam notas entre zero e três. O governo tem de melhorar seu desempenho na economia, mais propriamente no Ministério da Fazenda e no Banco Central ou terá sérios problemas na política.

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Termina prazo de consulta pública nos EUA para compra de carne bovina brasileira

A abertura do mercado norte americano para a carne bovina brasileira é um processo democrático – há uma consulta pública para todos os interessados tecerem comentários. Esse prazo findou. Quem acompanha a consulta mostra-se otimista, porém com alguma cautela. Mesmo com o término da consulta, não há uma data definida para que obtenhamos os resultados.

No fim de dezembro, o Serviço de Inspeção Animal e Vegetal dos Estados Unidos colocou em consulta pública, por 60 dias, uma proposta que permite a importação de carne bovina in natura de 14 Estados brasileiros. O Mato Grosso do Sul é um deles. O período de comentários foi estendido no fim de fevereiro por mais 60 dias. Esse novo prazo foi solicitado por uma carta assinada por oito senadores dos EUA. Eles manifestaram a preocupação de que a entrada da carne bovina in natura brasileira possa levar a febre aftosa de volta aquele país. Essa questão aparece em muitos dos 710 comentários feitos na consulta pública, assim como a necessidade de preservar o mercado para os produtores norte-americanos.

Caso aprovada, a proposta prevê que as nossas exportações aumentarão entre 20 mil e 65 mil toneladas por ano. Nada de muito expressivo quando comparado à exportação total brasileira de carne in natura no ano de 2013 que foi de 1.183.246 toneladas, mas que pode aumentar ao longo dos anos.

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