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30/11/2014 09:43

Dependência estatal compromete identidade do novo sindicalismo brasileiro

Mário Sérgio Lorenzetto
Dependência estatal compromete identidade do novo sindicalismo brasileiro

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Getúlio Vargas deixou alguns legados, determinantes para entender o Brasil de hoje. Primeiro, a Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, de 1943, há mais de 70 anos. Ela regula o sindicalismo e ainda rege a maior parte das relações entre patrões e empregados no país.

Se as leis do trabalho são a ponta mais visível do legado de Getúlio, neste ano elas estiveram no centro das atenções. O sindicalismo tradicional foi alvo de uma série de greves ocorridas em São Paulo e no Rio de Janeiro. Nesses episódios, que envolveram muitos setores, a fama ficou com os trabalhadores do transporte público e os da limpeza urbana. Trabalhadores dissidentes de seus sindicatos mantiveram as paralisações, uma clara e forte manifestação do desgaste desse antigo instrumento de luta. Instrumento de luta? Será que continua sendo?

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Sindicatos ainda dependem do governo

As greves dos dissidentes refletem uma modificação nas leis trabalhistas ocorrida durante o governo Lula. Em 2008, as centrais sindicais passaram a receber 10% da arrecadação do imposto sindical. Essa mudança gerou uma competição sem precedentes por lealdade dos sindicatos existentes às centrais sindicais e também incentivou a criação de uma miríade de novos sindicatos.

A outra mudança ocorrida foi o financiamento que passou a ser feito pelas centrais sindicais às oposições no interior dos sindicatos, na esperança de alterar a filiação de uma determinada categoria e fortalecer-se na disputa dos repasses.

Já no surgimento do "novo sindicalismo" no ABC paulista, na década de 1970, os aspectos da CLT relativos à estrutura sindical deveriam ter sido questionados. O traço mais forte do legado de Getúlio no Brasil de hoje é a estrutura corporativista dos sindicatos, incluindo sua dependência do governo.

A cúpula do sindicalismo continua, como na era de Getúlio, ligadas ao governo, recebendo recursos milionários diretamente repassados pelos governos. E esses recursos não são fiscalizados. Nem pelos Tribunais de Conta.

Dependência estatal compromete identidade do novo sindicalismo brasileiro
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Bacalhau, o "ouro seco", um milagre gastronômico

Construtores de barcos, armadores e pescadores, espanhóis, vascos, e portugueses ficaram enfeitiçados com sua abundância no alto mar, em águas muito distantes da costa. Bacalhau, o "ouro seco", quase religião, cultura gastronômica em si mesmo, vem convertendo em templos os restaurantes que exigem bom preparo, criando um milagre gastronômico.

As águas próximas à Noruega, Groenlândia, Suécia e do Estreito do Labrador foram descobertas, e depois conquistadas, quando pescadores navegavam em busca dos grandes bancos de bacalhau. Travessias de até 3,5 mil quilômetros, de mares cinzas e encrespados, onde se juntam duas correntes, uma quente e a fria. Ali, estava o maná, o banquete do bacalhau. Ali, existiam abundantes microplânctons e diminutos crustáceos, alimentos do bacalhau.

As flotilhas vascas e portuguesas viajavam por meses, semestres, um século depois do outro, desde os anos 1.500.

Os países do Atlântico Norte têm em seus mares o bacalhau. Mas, Bilbao, Barcelona e Lisboa possuem as chaves de seu êxito, os demais ingredientes para as melhores receitas, o sal e o clima propício para secá-lo.

A inteligência portuguesa no comércio do bacalhau

Seguindo o rastro de uma baleia ou recuperando uma travessia viking, os vascos e portugueses descobriram as regiões marítimas onde viviam o bacalhau e mantiveram o segredo por muito tempo. Concretamente, até que, em 1579, os franceses publicaram em um livro essa descoberta. Os bancos de bacalhau eram tão abundantes que geraram, de imediato, normas, leis, tratados e uma indústria florescente que enriqueceu milhares de armadores e pescadores.

O bacalhau salgado permitia campanhas prolongadas no mar. Esta facilidade de conservação e transporte o converteu em uma das mercadorias e comida favoritas dos pescadores e estivadores. Em seguida, começou a invadir as cidades por seu sabor, preço

acessível e abundância. Espanhóis e portugueses dão o crédito ao bacalhau por algumas explosões demográficas ocorridas na Península Ibérica por fartura dessa proteína. A Igreja Católica passou a considerá-lo "alimento frio" e, portanto, apto a estar nas mesas durante a Quaresma e Páscoa, o que o transformou em um dos alimentos mais populares nesses países e posteriormente, no Brasil.

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Joana, a Valente, e uma lição para 2016

À rainha Joana I de Castela (1479-1555), não se pode negar sua condição de mulher valente. Uma vez, caiu uma tormenta que quase fez naufragar o navio em que viajava com seu esposo, Felipe o Formoso. Ele prendeu a seu corpo um odre cheio de ar que era usado como salva-vidas, estava aterrorizado, ela manteve a compostura. "Uma rainha de Castela não deve conhecer o medo. Além disso, conhecem algum rei ou rainha que tenha morrido afogado?", perguntou a Valente. Efetivamente, nenhum rei ou rainha morreram afogados.

Lição para as próximas eleições: a tese de Joana a Valente é a mesma de alguém que questione quantas pessoas morreram em um acidente aéreo carregando um cacho de bananas. A resposta é óbvia: nenhuma. Ou políticos que sonham vencer as eleições com baixos índices nas pesquisas eleitorais após ter aparecido em alguns programas televisivos. Não venceram e nem vencerão.

Nos três casos: eram raros reis e rainhas que viajassem em navios; o mesmo vale para viajantes com cachos de banana no colo e políticos com baixos índices na campanha. Estatisticamente são "riscos" insignificantes. Fica a dica pra 2016.

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