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06/02/2015 09:24

Desvendando os enigmas dos "magros comilões" e dos "gordos que comem vento

Mário Sérgio Lorenzetto
Desvendando os enigmas dos magros comilões e dos gordos que comem vento

A ciência ainda não resolveu todos os enigmas acerca da obesidade

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Você conhece alguém que come como um elefante e ainda assim é magro como um palito? Com certeza também conhece outras pessoas que engordam só de pensar em comer. A ciência conseguiu resolver parte desse enigma e a correta solução: prática diária de esportes, alimentação saudável e genética. Se você conseguir resolver os três fatores tenha certeza que suas chances de emagrecer são imensas.

Todavia, há algo mais importante ainda - o metabolismo. A soma de reações químicas que ocorrem em teu organismo recebeu esse nome, metabolismo, ainda nos anos 1600, quando um médico de nome Santorio Sanctorius lançou o primeiro estudo usando uma "cadeira de pesagem" para registrar o próprio peso antes e depois de comer, dormir, trabalhar, fazer sexo e excretar. O Sanctorius descobriu que para cada 3,6 quilos de comida que ele consumia, eliminava apenas 1,4 quilos. O resto, conclui Sanctorius, saia do corpo através da pele pela transpiração. Hoje, sabemos que as gorduras, carboidratos, proteínas e álcool que consumimos entram em nossas células e servem de alimento a uma complexa rede de reações químicas que geram energia. O que não virar energia vai para o fígado e músculos. Quando os dois estão empanturrados, vira gordura.

Os estudos mais recentes estão demonstrando que uma razão pela qual tem sido tão complicado destrinchar as diferenças entre propensos à obesidade e indivíduos resistentes a ela é que os estudos comparam o metabolismo das pessoas ao longo de apenas 24 horas, o que é apenas um retrato instantâneo. Começam a entender a obesidade como uma falha no sistema geral de detecção de gorduras, carboidratos, proteínas e álcool. Então para entender a obesidade é provável que os cientistas comecem a atuar no difícil estudo do metabolismo ao longo de semanas.

Descobriram que as pessoas resistentes à obesidade relatam aversão a comida ricas em energia, como bolos e churrascos, durante dois dias, após comerem em excesso. Na mesma pesquisa ficou esclarecido que o cérebro dos resistentes à obesidade, após comer em excesso, quase não reage quando se depara com imagens de comidas. Mas ainda falta muito para esclarecer o enigma dos "magros comilões" e dos "gordos que comem vento".

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Desvendando os enigmas dos magros comilões e dos gordos que comem vento

Alguns mitos sobre o combate à obesidade

Correr a 6 km/h queima exatamente o mesmo número de calorias que caminhar a 6 km/h; o que realmente importa é a duração do exercício. Portanto, é um mito que correr é melhor que caminhar. Dá na mesma.
Tem outra novidade na área dos exercícios. Depois de se exercitar, o metabolismo fica acelerado enquanto o corpo se recupera e se repara. Essa pós-queima dura até 24 horas. Depende da duração do exercício (novamente, o efeito da duração), mas também depende da intensidade do esforço. Então, por enquanto, a chave está em dois comprometimentos - duração e intensidade. Não adianta ficar caminhando por 4 horas a passos de tartaruga.
Em um estudo recente, homens receberam uma mesma dieta. Alguns dividiram essa dieta em três refeições e outros em 14 refeições. Aqueles que comeram com menos frequência (3 refeições) tiveram taxas metabólicas mais altas, sentiram menos fome e tiveram melhor controle da glicose no sangue. Cai outro mito por terra - o de que devemos comer pequenos lanches muitas vezes ao longo do dia.

Desvendando os enigmas dos magros comilões e dos gordos que comem vento
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O mundo era um mapa feito de prata e um prato de espaguete

A história da comida italiana começa com a chegada dos espaguetes, que foram introduzidos na Sicília pelos invasores mulçumanos. Mais concretamente, a história da comida italiana começa quando os espaguetes surgem em todas as cidades italianas. Por mais estranho que possa parecer essa é a mesma história de um mulçumano siciliano que dominou boa parte do mundo e do mapa que ele mandou criar. Era um planisfério (um globo) feito de prata maciça com cerca de dois metros de diâmetro e quase duzentos quilos. Em 1154, na superfície polida desse planisfério estavam gravados os contornos do mundo conhecido pelos europeus. O rei Roger II da Sicília havia ordenado sua criação. Naquele momento seus inimigos haviam sido derrotados e haviam se convertido em aliados. O Rei Roger II mandou chamar al-Sharif-al-Idrisi, o geógrafo mais famoso de sua época, e lhe ofereceu uma fortuna para criar o melhor estúdio cartográfico desse tempo. Durante 15 anos, al-Idrisi estudou, viajou e perguntou todo o conhecimento do mundo europeu, do Oriente Médio e das bordas do Mediterrâneo. Quando terminou seus estudos, encarregou alguns joalheiros especializados em prata a criar um disco fundido que no extremo ocidental marcava as Ilhas Afortunadas. No leste, se encontravam as regiões mais distantes da China, onde uma árvore crescia na metade de um rio. Os chineses estariam tão convencidos de que o rio fluía para o paraíso que reuniam multidões para contemplar alguns que se lançavam nesse rio rumando para o paraíso. No sul, estava o Sudão, que era constituído em boa parte por areia que o vento soprava de um lado a outro, e seus habitantes tinham a pele queimada, da cor do ébano, por causa do sol.
No escuro oceano, situado no extremo norte, se achava a ilha da Escócia. Existiriam três cidades na Escócia, todavia estavam em ruínas depois que seus habitantes enfrentaram-se uns aos outros até a extinção. Entre esses pontos periféricos estavam os sete mares com os nomes dos países, as cidades, os portos, os rios e as estradas marcados por uma formosa caligrafia arábica. Quem não se contentasse em contemplar a beleza do planisfério de prata poderia consultar o esplêndido livro de geografia de al-Idrisi que ficava junto ao planisfério: "Um divertimento para o homem que sonha viajar a lugares remotos". Suas páginas contêm informações sobre os costumes, os produtos, o comércio, a língua e o caráter de todas as localizações do planisfério.

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O espaguete descrito por al-Idrisi

Há no livro de al-Idrisi - "Um divertimento para o homem que sonha viajar a lugares remotos" - um parágrafo que nos oferece uma descrição de Trabia, uma pequena cidade siciliana que dista uns trinta quilômetros da costa italiana: " A oeste de Termini existe um maravilhoso assentamento denominado Trabia. Seus arroios sempre fluentes impulsionam vários moinhos. Aqui existem enormes edifícios no campo, onde produzem grandes quantidades de "itriyya", que se exporta a todas as partes: a Calabria e a países mulçumanos e cristãos. Enviam grandes quantidades de carregamentos por barco".

"Itriyya" é uma palavra árabe que equivale a umas tiras largas e delgadas de massa seca que é fervida. Também é certo que a "itriyya" produzida na Sicília e exportada para muito longe é o espaguete. "Trie" significa "tiras delgadas de massa". Dessa maneira, al-Idrisi nos brinda a primeira referência ao espaguete em terras italianas.

Mas, há um enigma a mais. Sem dúvida os mulçumanos levaram a "itriyya" à Sicília, mas foram eles que a inventaram? Vários livros atuais seguem oferecendo esta história. Todavia, não resta dúvida que o espaguete surgiu na China e essa ligação entre os chineses e os italianos ainda está para ser contada.

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A tartaruga de pernas para o ar e o Papa

No filme Blade Runner, de Ridley Scott, uma maneira de diferenciar os robôs dos humanos era perguntar ao suspeito o que ele faria se encontrasse uma tartaruga de pernas para o ar. O robô não sabe. O homem deveria saber. O humano tem sentimentos. Todos, inclusive o mais frio assassino.

O Papa sabe, e explicitou humanamente: "Se xingar minha mãe, espere um soco". Reagimos às agressões e ofensas. Deveríamos também reagir com fraternidade. Mas nossas cidades nos desumanizam, cada vez mais conversamos pelas buzinas ou cumprimentos maquinais. Nossos políticos, que deveriam ser exemplares, fazem dos ataques aos adversários a defesa da convicção que não resolverão os problemas mais prementes das populações; a culpa sempre é do outro. As civilizações se fracionam cada vez mais, a dor em um lado do mundo é motivo de festa no outro.

Pra semana, prometo, talvez nos vejamos...Quem sabe? E imediatamente nos esquecemos. Guardados nessa bolha de autodefesa, frases-feitas e gestos repetitivos, somos chamados, de vez em quando, a um exercício de humanidade. A ficção científica mostra, em livros e filmes, o temor de que os robôs venham a ocupar cada vez mais o nosso espaço no planeta. O perigo real e não ficcional é o inverso - perdemos a cada dia, a cada geração a condição de humanos. Nos robotizamos cada vez mais. Definitivamente acoplamos uma máquina às nossas mãos, os iPhones estão incorporados ao nosso corpo até na hora do banho. Estamos nos aproximando da pergunta: o que você faria se encontrasse uma tartaruga de pernas para o ar?

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