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10/03/2016 07:33

Deus ou dor? A eutanásia deve ser legalizada?

Mário Sérgio Lorenzetto
Deus ou dor? A eutanásia deve ser legalizada?

Recentemente dois médicos de Campo Grande optaram pelo suicídio. Decidir sair da vida sempre chocou os humanos, pois a maioria resolve pelo inverso, decide lutar pela continuidade da vida custe o que custar, doa o quanto doer. No Brasil, há uma zona cinzenta sobre esse assunto. Mas há países onde sair da vida é uma decisão aceita pelos governantes e pela população. O suicídio assistido está em funcionamento na Holanda, na Bélgica e em algumas regiões dos Estados Unidos.

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Após três sessões com um psiquiatra, a pessoa é considerada apta a receber a droga que a levará à morte assistida pelo psiquiatra, por um enfermeiro e pelos familiares. Há pouco, 70% da população da Califórnia optou pela eutanásia, pelo suicídio assistido. Desse elevado percentual, a quase totalidade dos baby-bloomers (nascidos após a Segunda Guerra) estava a favor. E os mais idosos contrários a essa alternativa. Pelo menos na Califórnia, há um choque de gerações. Mas os religiosos resolveram a disputa, convenceram o parlamento californiano a não levar adiante a votação que liberaria a eutanásia. O argumento utilizado pelos religiosos é o de que não somos Deus para determinarmos o momento de nossa morte.

No Brasil, a eutanásia é crime. Todavia, diariamente, centenas e talvez milhares de famílias decidam pela não continuidade da vida de um parente com enfermidade terminal e inconsciente. Esta não é uma decisão pela morte plenamente aceita pela sociedade? Há muito convivemos com um dilema não explicitado, e nem sequer debatido: as famílias podem resolver pela morte de um de seus componentes em estado de inconsciência, mas uma pessoa em plena posse de sua consciência não pode resolver pela desistência da vida. Deus ou dor?

Mas há outro problema: será efetivamente correto que um profissional - no caso um psiquiatra - tenha condições de homologar a morte de uma pessoa? Só três sessões para resolver pela morte? Em muitos casos a complexidade emocional de uma pessoa possibilitaria a decisão? E mais, a ciência sabe que em muitos casos a tentativa de suicídio é um pedido de ajuda. A questão é bastante complexa e muito difícil. Mas os governantes deveriam debater o assunto, ao menos para retirá-lo da zona cinzenta a que estamos relegados.

Deus ou dor? A eutanásia deve ser legalizada?

Lula não é santo e nem diabo.

Não é o apocalipse, mas o lulismo e o antilulismo voltaram a esquentar o país. Aliás, a ferver. Os ânimos estão exacerbados nas redes sociais e mais grave, na pena de jornalistas profissionais. Acusam-se de fascismo e de comunismo, como se esses espectros, esses fantasmas, efetivamente estivessem pairando sobre nós. Não passa do barulho ensurdecedor - e chato - das claques, das torcidas organizadas a que nos acostumamos no futebol. E agem como se fossem iguais a elas, com estrépito e violência.

Lula não é uma figura a que podemos ficar indiferentes. Nasceu miserável, cresceu sem estudar, tornou-se líder do sindicalismo, perdeu três eleições presidenciais e persistiu. Persistiu até vencer. Em seu mandato o PIB cresceu como nunca, 50 milhões de brasileiros ascenderam ao consumo, a educação e a saúde, apesar dos imensos problemas, cresceram no atendimento...

Para tanto, Lula aparelhou o governo, usou empresas públicas para financiar campanhas eleitorais, comprar parlamentares, enriquecer empresários amigos, abraçar gente com ficha criminal internacional, paparicar e transformar em "conselheiros" os adeptos da ditadura militar e coligar-se com quem não merecia mais do que o desprezo. Lula é o filho - ilegítimo - do flagelo que atinge a imensa maioria dos titulares de cargos públicos no país desde há 500 anos. Esse mito precisa ser desconstruído com debate, sem animosidades exacerbadas e, principalmente, sem violência. O Lula é de carne e osso. Esse é o principal problema.

Deus ou dor? A eutanásia deve ser legalizada?

Qual impeachment desejam?

A maioria da população deseja retirar Dilma do poder. Todavia existem três impeachments pelo menos. Um que ocorreria em 2016, definido pelo Congresso Nacional, o segundo a ser patrocinado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda neste ano, e o terceiro, também decidido pelo Congresso, porém somente em 2017. Caso ocorra o impeachment em 2016, decidido pelo Congresso, Michel Temer assumiria o poder. Teríamos eleições livres para a escolha de uma nova chapa composta por presidente e vice na possibilidade do TSE derrubar Dilma e Temer do poder. Mas a terceira opção é a que mais agrada amplos setores oposicionistas do Congresso - a escolha indireta do novo presidente da República.

Do ponto de vista da maioria da oposição, o impeachment tem de ocorrer apenas depois de decorridos dois anos do mandato de Dilma, ou seja no início de 2017. Com isso, a escolha do presidente ocorreria apenas pelos votos dos deputados federais e senadores. Nesse momento, o parlamentarismo branco que hoje está presente, se tornaria parlamentarismo de fato, realizando a transição para um novo governo. Os obstáculos para os planos da expressiva maioria do Congresso estão nas ruas e na força-tarefa da Lava Jato. O povo nas ruas, antipetistas e petistas, pode dar um novo rumo a esse arranjo. Já a força-tarefa da Lava Jato se mostra cada vez mais disposta a manter acuado o sistema político. A cada arranjo pensado pelos políticos, a Lava Jato dispara um torpedo que o estilhaça de imediato.

Deus ou dor? A eutanásia deve ser legalizada?

Ninguém aplaude os governantes. A crise é das elites.

Há um desenvolvimento tardio da democracia brasileira. Ela não trouxe as melhorias que prometeu, e quando o fez, foi com uma lentidão inaceitável. As pessoas já não querem esperar. As elites continuarão a ser substituídas. Tanto as de esquerda como as de direita. Os governantes não querem enxergar, mas existe um padrão, existe uma demanda de mais e melhor governo... E em alta velocidade.

Isso vem ocorrendo desde 2010. Até essa época, persistia um temor do retorno da ditadura. E as pessoas acreditavam que tudo iria melhorar. Essa convicção é quebrada. Os protestos começam, acaba o medo deixado pela ditadura. Agora é tarde para o populismo, para os caudilhos, para os grandes líderes.




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