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20/08/2014 07:45

Dilma: excesso de coragem e gerenciamento, distanciamento da política

Mário Sérgio Lorenzetto
Dilma: excesso de coragem e gerenciamento, distanciamento da política

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Dilma: excesso de coragem e gerenciamento, distanciamento da política

Com um ano de governo havia mais brasileiros satisfeitos com Dilma do que aqueles que haviam votado nela. Alcançava o mais alto grau de aprovação de um presidente ao fim do primeiro ano de mandato.

Dilma já havia cativado a classe média com a faxina nos ministérios, discursos em defesa da meritocracia e desoneração do IPI (Imposto sobre Propriedade Industrial) de automóveis. Mas só as mudanças na política econômica mostrariam que a candidata-poste de Lula queria ter luz própria.

Sem temer a reação popular, foi em frente com a mudança na remuneração da poupança pensada pelo seu Ministro da Fazenda, medida que até o encantador de multidões, Lula, havia evitado. A presidenta via na elevação da taxa de juros, na crise de 2008, um dos maiores erros do segundo mandato de Lula. Pela maneira como a inflação voltaria na segunda metade do mandato de Dilma, a política monetária se candidataria ao panteão dos principais erros de seu governo. Em 2014, Dilma disputa a reeleição com uma taxa de juros nominal superior àquela que vigorava em sua posse. A redução de juros não lhe traria ganhos de popularidade, mas a volta da inflação lhe cobraria um preço alto.

As manifestações de junho de 2013 foram seu momento mais difícil no governo. Em 20 dias, perdeu metade da aprovação popular. A crise, provocada pelas manifestações, exigia mais do que coragem. Dilma acatou panaceias como a convocação de uma nova constituinte. Fez andar o “Mais Médicos”, recebido sob protestos e, depois, abraçado por parcela significativa da oposição. Arrancou mais dinheiro para a educação, mas, ouvindo o Ministério da Fazenda, abortou a principal proposta surgida para a mobilidade, a desoneração de impostos sobre o transporte coletivo.

Era de guerra aquele cabo que se esticava entre empresários que só criticavam os excessos de despesas governamentais e as ruas que pediam tudo, pediam muito mais despesas. Só a política podia evitar que arrebentasse. E pouca política foi feita. Se existisse uma biografia de Dilma a política só ocuparia um pequeno parágrafo que iniciaria com: “Tenho muitas dificuldades em lidar com os políticos..."

Sobram prognósticos e faltam pistas sobre o que efetivamente faria em um segundo mandato. A ausência de reeleição em 2018 a liberta da cartilha e a reaproxima de suas convicções. Ao tentar romper o pacto de mudança conservadora estabelecido pelo antecessor, Dilma pecou pelo excesso de coragem, mas também pelo medo de enfrentar o mundo da política, entrou e se rendeu a ele tardiamente.

Dilma: excesso de coragem e gerenciamento, distanciamento da política
Dilma: excesso de coragem e gerenciamento, distanciamento da política

O arrendamento rural pode propiciar enormes avanços na produção agrícola

Alugar uma terra já foi "negócio de viúva" ou de doente. É uma antiga parceria que se estabelece entre um proprietário de terras e uma pessoa que se propõe a trabalhar nela. Somente há pouco tempo, com a cana, esses contratos estão crescendo no Mato Grosso do Sul. Apenas 3% das terras brasileiras são utilizadas no arrendamento rural, índice que sobe para 38% na Europa e 66% nos Estados Unidos. Segundo o Censo Agropecuário do IBGE, existem no Brasil 160 milhões de hectares destinados à criação de bovinos e 60 milhões de hectares com lavouras. Todavia, 25% das pastagens brasileiras estão degradadas e a agricultura poderia ser a saída para a recuperação dessas terras. Hoje, a cana é a cultura que mais arrenda terras. Os benefícios têm sido tão grandes que os interessados, de ambos os lados, estão contornando "na marra" as dificuldades impostas pelas leis. O arrendamento já está em 20% da área total cultivada com a cana. O número é bem mais baixo quando se trata da soja, mas ainda assim chega a 12%, junto com o milho que arrenda 11%.

O mercado de aluguel, não opera bem no campo, nem se aproxima do mercado congênere na cidade, devido à insegurança no direito de propriedade, fenômeno que ainda não ocorre na cidade. Os mecanismos de solução de problemas no campo para as disputas jurídicas são uma parte do problema. Outra explicação relevante é relacionada à imperfeição do sistema legal. As restrições aos contratos de arrendamento e parceria, impostas por legislações fundiárias e trabalhistas, as garantias excessivas concedidas aos arrendatários e parceiros e a insegurança gerada pela reforma agrária e disputas com indígenas, desestimulam o crescimento dos mercados de aluguel de terras. As soluções estão no Congresso Nacional e não têm sido encampadas pelo movimento ruralista como um tema forte, apenas um ou outro parlamentar cuida do problema. É uma pena.

Dilma: excesso de coragem e gerenciamento, distanciamento da política
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Datafolha aponta insatisfação com a saúde pública e privada para 93% da população

Em plena corrida eleitoral, o CFM (Conselho Federal de Medicina) lança um dos mais estratégicos estudos sobre a saúde do país. Apresentado ontem, em Brasília (DF), o estudo ficou a cargo da Datafolha, que ouviu 2.418 pessoas no período de 3 a 10 de julho. Todos têm mais de 16 anos e 60% moram no interior. Para a maioria, 87%, a saúde está no topo das prioridades e 57% acreditam que deveria ser a área prioritária do governo federal.

O SUS (Sistema Único de Saúde) é motivo de insatisfação para 87% dos ouvidos. Na coletiva de apresentação da pesquisa, o presidente do CFM, Roberto Luiz d’Ávila afirmou que a pesquisa “confirma o que os médicos já veem denunciando há muito tempo: a saúde não é uma prioridade de governo. O grau de insatisfação é emblemático e aponta o desejo da população por mudanças profundas na condução dos rumos do país. Essa pesquisa deve gerar a reflexão na sociedade sobre os caminhos a se tomar”.

Os pontos que mais despertam reclamações para o brasileiro que necessita do SUS são acesso e tempo de espera o atendimento, principalmente para cirurgias, hemodiálise e quimioterapia. Dos entrevistados, 30% declararam estar aguardando ou ter alguém na família aguardando a marcação ou realização de algum procedimento pelo SUS. Até mesmo pessoas que possuem planos de saúde, 22% deles, disseram aguardam algum tipo de atendimento pela rede pública. Somente dois entre cada dez entrevistados conseguiram ser atendidos em até um mês no seu pedido de consulta, exame, internação, cirurgia ou procedimento específico (quimioterapia ou hemodiálise). Para quase metade da população esse tempo é ainda maior, podendo chegar a seis meses. O tempo de espera chega a seis meses para 29% e há casos em supera 12 meses.

Na avaliação do presidente do CFM, a demora ocorre pela desativação contínua de leitos e gestão deficitária. De acordo com CFM, considerando dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos em Saúde e do Ministério da Saúde, quase 13 mil leitos foram desativados na rede pública de saúde entre janeiro de 2010 e julho de 2013. O número passou de 361 mil para 348 mil leitos. As especialidades mais atingidas com o corte foram a psiquiatria (-7.499 leitos), pediatria (-5.992), a obstetrícia (-3.431) e cirurgia geral (-340).

Dilma: excesso de coragem e gerenciamento, distanciamento da política

Em Portugal, espera por consulta prioritária com cardiologista só termina em 2016

E não é um caso qualquer, mas de um paciente que por duas vezes teve o coração operado. O problema é destaque na mídia portuguesa, que tem feito duras críticas ao sistema público de saúde local. O caso escandaliza a população, que fala em desativação do serviço e cobra explicações ao ministro da Saúde, Paulo Macedo. A equipe do ministério, em resposta às cobranças, aponta que as consultas têm sido agendadas com prazos muito longos devido à falta de pessoal para atender a população. Além da falta de médicos especialistas, também estão escassos clínicos gerais para atender nas zonas de residências. É a prova de que não faltam somente médicos no Brasil, por sua extensão e tão discutidas dificuldades.

E por aqui, mais uma vez o Mais Médicos será avaliado, desta vez pelo Senado, como anunciou a criação, após as eleições, de um grupo de trabalho para elaborar um diagnóstico do programa e sugerir medidas que solucionem de uma vez por todas a falta de médicos no Brasil. Quem anunciou foi o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR). Talvez resultem soluções, talvez os portugueses possam copiar o modelo e solucionem também seus problemas de falta de pessoal após as sugestões do Senado.

Dilma: excesso de coragem e gerenciamento, distanciamento da política
Dilma: excesso de coragem e gerenciamento, distanciamento da política

Os benefícios da idade

Pessoas mais velhas são muito lentas, esquecidas e inflexíveis. Quando submetidos à pressão, cometem mais erros que os jovens e ignoram as novas tecnologias. Verdade? Não necessariamente. Mas essa costuma ser a opinião de muita gente sobre os profissionais mais idosos e, na prática, com frequência, os superiores hierárquicos decidem em favor de candidatos mais jovens.

Pesquisas recentes, entretanto, mostram que, com o avanço da idade, algumas características de aquisição do conhecimento são fortalecidas. Muitas vezes, isso ocorre como resultado de um mecanismo que procura compensar a menor velocidade de trabalho de outras funções.

Nos últimos anos, estudos realizados com técnicas de imagens revelaram que, com o transcorrer do tempo, as redes de neurônios são reestruturadas e o sistema nervoso central simplesmente passa a ativar diferentes áreas cerebrais.

Como a expectativa de vida aumentou, a idade de ingresso na aposentadoria é cada vez maior e muitas pessoas retornam ao mercado de trabalho, cresceu também o contingente de homens e mulheres que permanecem profissionalmente ativos por mais tempo. Algumas áreas já apresentam um quadro paradoxal: enquanto os mais maduros têm dificuldade para se empregar, as empresas reclamam da falta de candidatos qualificados. Ao mesmo tempo, a experiência faz falta: são raros os trabalhadores mais jovens e bem formados. Ou seja: parece que se faz necessária uma mudança de modelos, pois considerar um candidato com 50 anos como obsoleto corresponde a desqualificar tudo o que aprendeu - e ainda pode aprender - o que representa recursos valiosos.

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