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22/05/2015 07:40

Do ponto de vista de um político, o mercado de títulos também é um James Bond

Mário Sérgio Lorennzetto
Do ponto de vista de um político, o mercado de títulos também é um James Bond

O mercado de títulos é um James Bond, tem licença para matar.

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Eu costumava achar que, se existisse a reencarnação, eu queria voltar como presidente, ou papa, ou como centro avante do Corinthians. Mas, na velhice entendi que deveria voltar como chefe de um poderoso mercado de títulos, de alguma empresa como a PIMCO (Pacific Investment Management Company), que administra o maior fundo de títulos do mundo. Os mercados de títulos têm imenso poder porque eles são a base fundamental para todos os demais mercados. O custo do crédito, a taxa de juros, em última análise determina o valor das ações, das casas, do comércio, das fazendas e das indústrias.

Do ponto de vista de um político, o mercado de títulos é também poderoso. Em parte porque ele expressa um julgamento diário sobre a credibilidade da política fiscal e monetária do governo federal e a fiscal dos governos estaduais e municipais. Mas seu poder real reside na capacidade de punir um governo. Para muitos pode parecer inacreditável, mas o mercado de títulos pune e pode "matar" um governo. Basta aumentar os custos dos empréstimos que são necessários em um governo e "adiós governantes".

Funciona assim: Em um governo que está administrando um déficit (praticamente todos no Brasil), o mercado aumenta, digamos, meio por cento. O governo acrescenta um serviço maior para a dívida - paga mais pelo mesmo montante de dinheiro. E, como em todos os relacionamentos financeiros - todos mesmo, sem exceção - existe um efeito de retroalimentação. Os pagamentos de juros mais elevados, fazem o déficit ainda maior. O mercado de títulos "levanta suas sobrancelhas" ainda mais para o alto. Os títulos são negociados novamente. As taxas de juros sobem novamente. E assim por diante. Mais cedo ou mais tarde, o governo enfrenta três duras alternativas. Será que deve não pagar uma parte de sua dívida, comprovando os piores medos do mercado de títulos? Ou, para acalmar o mercado de títulos, deverá cortar despesas em alguma outra área, aborrecendo eleitores ou empresários que investiram? Ou deve tentar reduzir o déficit elevando os impostos?
O mercado de títulos começa facilitando os empréstimos para o governo. Em uma crise, entretanto, pode acabar ditando a política do governo. Sim. O mercado de títulos é um James Bond, tem licença para "matar". Entenderam o porquê escolheram o Joaquim Levy e não o Mantega? Entenderam porque escolheram o Marcio Monteiro e não outro político tucano? E na Prefeitura da Capital, entenderam alguma coisa? Quem entendeu me explique.

Do ponto de vista de um político, o mercado de títulos também é um James Bond
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Os 3 melhores MBAs para executivos no Brasil.

Segundo o ranking anual do Financial Times, o respeitado jornal britânico, existem três cursos no Brasil que estão avaliados entre os 100 melhores do mundo. OneMBA é o mais destacado. É fruto de uma parceria entre universidades: FGV brasileira, Universidade de Xiamen (China), Egade Business School (México), Rotterdam School Management (Holanda) e pela Kenan-Flagger Business School (Estados Unidos). São apenas 25 vagas em São Paulo. O aluno passará por 4 visitas internacionais com todos seus custos.

O MBA que ocupa a segunda posição no Brasil também é global. O MBA da norte-americana Universidade de Pittsburgh oferece aulas em São Paulo, Estados Unidos e na República Tcheca. O material educativo é igual nas três sedes. O curso dura, em média, um ano e meio.

Na terceira posição, estreando no ranking do Financial Times, aparece o MBA oferecido pela Escola de Negócios da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A carga total é de 400 horas. São 8 horas semanais, ministradas aos sábados ou nas segundas-feiras.

Do ponto de vista de um político, o mercado de títulos também é um James Bond
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O eterno imediatismo dos brasileiros.

As duras ações do governo federal deram um alívio, mas o quadro geral da economia continua sombrio. O FMI (que costuma errar muito) diz que crescimento mesmo só em 2017. A inflação tende a ceder depois do "pé no acelerador" dos juros, mas pode demorar. A taxa de câmbio não deve dar refresco a médio prazo. A desvalorização do real pode ajudar nas exportações, mas isso não significa muito em um país tradicionalmente de economia fechada, onde a venda de bens para o exterior equivale apenas a módicos 11% do PIB.

Os mais endinheirados festejam. Pode-se ganhar muito dinheiro com operações financeiras nos bancos e os banqueiros estão sorrindo como se vivessem no paraíso e não no Brasil. O Brasil segue firme e fraco na tradição de funcionar no compasso do curto prazo. O imediatismo tem dado o tom, a cara e o ritmo do errático processo de desenvolvimento do país. Talvez uma grande sessão de terapia com todos os brasileiros seja a solução para a doença do imediatismo. Só as novas gerações poderão mudar o temperamento dos brasileiros.

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O mercado de carros premium vem crescendo no país.

Há grande otimismo nas marcas de automóveis premium, veículos normalmente importados com valor superior a R$ 100 mil. Muitas delas acreditam que o potencial do país ainda não foi devidamente explorado e, por isso, apostam no crescimento da participação de mercado nos próximos anos.

Esse otimismo é justificado. Além das vendas fortes na última década, as marcas identificaram que há um grande número de pessoas interessadas em veículos diferenciados, que agregam qualidade e tecnologia acima do que é produzido no país. Esse segmento triplicou sua vendagem nos últimos dez anos, saltou de 0,65% para 2,1% das vendas totais. Para os próximos anos é de mais crescimento, já que muitas marcas passarão a fabricar no Brasil. Entre 2008 e 2014, Audi, BMW, Mercedes e Land Rover registraram os maiores crescimentos em vendas, com aumentos de 775%, 412%, 219% e 116%, respectivamente.

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O preço do boi continuará nas alturas?

Os criadores do Texas, principal região pecuária dos Estados Unidos, estão ampliando seus rebanhos. Esse crescimento empurrou os preços da arroba do boi para baixo nos EUA em 9% no mercado futuro. O rebanho norte-americano diminuiu 5,5% nos últimos dez anos principalmente devido a secas prolongadas. Mas a estiagem diminuiu e beneficiou as pastagens. O novo cenário de preços passou a preocupar os produtores brasileiros.

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