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22/01/2016 07:45

E surge a pizza, a comida mais consumida no planeta

Mário Sérgio Lorenzetto
E surge a pizza, a comida mais consumida no planeta

Existem poucos dados na história da pizza. A palavra compartilha sua origem com a "pitta" grega e a "pide" turca. Isso nos indica que a palavra "pizza" pertence a uma numerosa e ancestral família mediterrânea de pães planos. A palavra pizza era genérica para todo tipo de pastéis e para o que se conheceria posteriormente por "foccacia", isto significa uma peça plana de massa salpicada com azeite e cozida rapidamente em um forno quente.
Mas a genealogia da pizza se complica, todavia, pelo dado de que, durante muito tempo, a "pizza napolitana" (provavelmente a pizza original) era uma torta doce de amêndoas. Essa pizza doce existiu desde o século XVI até o XIX. Mas não existe dúvida de que em princípios do século XIX, "pizza" também fazia referência a algo semelhante à sua versão atual. Uma das primeiras referências da pizza atual foi feita por Alexandre Dumas (pai), autor dos "Três Mosqueteiros". Esse autor francês visitou Nápoles na década de 1830 quando observou os pobres comendo pizza, fundamentalmente porque era muito mais barata que os "maccheroni" (macarrões): "Existem pizzas com azeite, pizzas com diferentes tipos de manteiga, pizza com queijo, pizza com tomate e pizzas com peixes pequenos".
Devido à incompleta história da pizza, não é de estranhar que os napolitanos que buscam certidões sobre sua famosa invenção para a comida mundial se aferrem com tanta sofreguidão a um episódio ocorrido em junho de 1889. Naquele momento, Margarita de Saboya, a rainha da Itália, visitava Nápoles durante um mês. A rainha mandou chamar o renomado pizzaiolo local Raffaele Espósito. Ele preparou três pizzas: uma com azeite, uma com anchovas e uma com tomate, mussarela e um par de folhas de manjericão. A rainha preferiu a última. E foi batizada como "pizza Margherita" em sua honra. A pizzaria de Espósito existe até os nossos dias com o nome de "Pizzeria Brandi" e mantem a exposição da carta de reconhecimento que recebeu da rainha.

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A megalomania colocou o Rio Olímpico em coma.

Foi mais um susto. O Rio de Janeiro foi escolhido para sediar os Jogos Olímpicos 2016. Naqueles dias, para além do ufanismo governamental, a única pergunta que nos fazíamos era: de onde tiraremos tanto dinheiro para custear as bilionárias contas de uma edição dos Jogos Olímpicos. Moscou faliu. Atenas está falida. Barcelona levou décadas para se recuperar. Montreal teve gastos duplos, o primeiro para sediar os jogos e o segundo para reformular as arenas construídas. As organizações sociais choram até hoje os cortes que sofreram em Londres, o dinheiro fora canalizado para os jogos. Os Jogos Olímpicos são caríssimos e só podem ser realizados em países ricos, muito ricos.

No Rio de Janeiro a conta negativa já começou a ocorrer. Já batemos um recorde olímpico, antes mesmo de ele iniciar já estamos devendo. A crise nas finanças daquele estado está vinculada à queda dos preços do petróleo que reduziram os royaltes que migravam com facilidade para os cofres cariocas. Mas essa é uma parte da conta. As outras duas, responsáveis pela situação falimentar do Rio de Janeiro, são a crise político-econômica nacional e as despesas com as olimpíadas. Mais de 500.000 funcionários públicos estão com os salários atrasados. Policiais, bombeiros e professores não receberam o décimo-terceiro salário. Médicos não recebem seus salários desde novembro. O governador dividiu esse direito funcional em cinco etapas. Dezessete das vinte e nove unidades de emergência de saúde pararam de atender. Doze hospitais bloquearam as portas com tapumes, para impedir a entrada de novos pacientes. O Rio Olímpico está na UTI. Mas a megalomania e o ufanismo não morrem. Em poucos meses veremos as "autoridades" saltitantes, felizes com o "sucesso" dos Jogos Olímpicos, e todos deletarão as memórias do tempo do coma.

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O brasileiro cordial existe?

É verdade que nos tornamos mais tolerantes. A nossa tolerância foi canalizada para aceitarmos a violência. É preciso tirar as máscaras dos olhos e enxergar as coisas como elas são. O brasileiro é profundamente violento. Sempre foi. O conceito que nos congratulamos do brasileiro cordial foi criado por dois importantes intelectuais, Sérgio Buarque de Holanda e Gilberto Freire foram determinantes no surgimento de um brasileiro tolerante, pacífico e miscigenado. Holanda afirmava que o brasileiro é sanguíneo, age mais guiado pela emoção, pelo coração, do que pela razão. O homem cordial de Holanda passou a ser sinônimo de pessoa afetuosa, cordata e feliz. Passados poucos anos, da apresentação dessas ideias pelos intelectuais, brasileiro cordial virou sinônimo de bonzinho. Essa é a noção que fazemos de nós mesmos. Nada mais falso. Dividimos o mundo entre amigos e inimigos, entre os que merecem nosso favor e os que não merecem, seja na vida social, religiosa ou política. Na maior parte do tempo somos uma confraria de amigos ocasionais. A intolerância foi uma das maiores marcas de 2015 e nada indica que ela deixará de asfixiar nossos cérebros em 2016. Quanto tempo levaremos para nos livrarmos da tolerância com a violência contra as mulheres e negros? Algum dia deixaremos a tolerância com os casos de linchamento, de pequenos ladrões amarrados em postes?

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O mago da soja: sem terras, sem dinheiro e sem trabalho.

Ele é um dos homens mais ricos da América do Sul. Para seus detratores é uma versão crioula do Satanás. Pertence a uma família judia de russos. O engenheiro agrônomo Gustavo Grobocopatel é o presidente do grupo Los Grobo, uma empresa argentina de agronegócios que fatura US$ 800 milhões por ano. Já chegou a administrar mais de 250.000 hectares de soja na Argentina, Uruguai, Paraguai e no Brasil. Desfez-se dos negócios paraguaios e brasileiros e, hoje, administra 150.000 hectares plantados com soja. Ele é a cara mais visível de um modelo de agronegócios que derrubou o modelo tradicional, e que poderia ser resumido como uma agricultura sem terras, sem dinheiro e sem trabalho: 90% dos hectares que cultiva não são seus. E como fundador desse modelo na América do Sul, lhe deu um título que detesta: o Rei da Soja. Ele diz que não vive como um rei, não se comporta como um rei e não é um rei.

A grande virada na vida dessa família, que era proprietária de 3.500 hectares de soja, se deu após uma enchente, em 1985, em uma pequena cidade, próxima a Buenos Aires, chamada Carlos Casares. Gustavo Grobopatel, homem estudioso, professor de manejo e conservação de solos, apostou todas as fichas em uma boa colheita pós enchente. Ofereceu uma proposta, aceita por quase todos os fazendeiros da região, de plantar soja em todas as fazendas (que ficariam abandonadas por algum tempo), ficar com o produto da colheita e entregar aos proprietários, suas terras recuperadas com pastagem ou soja.

Seu ritmo se mantem inalterado, apesar da riqueza, vive em um mediano apartamento de seu pai no belíssimo bairro de Puerto Madero. Dorme às dez horas, acorda às seis e está com todos os negócios encerrados às doze horas. O resto do tempo é dedicado à música e reuniões com políticos (é amigo de todas as correntes partidárias, inclusive dos comunistas), artistas e com o povo comum que encontra nas ruas. Ele diz que não faz sentido ser proprietário de terras. Que podia crescer enormemente e com extrema velocidade com muito pouco dinheiro. O conceito de seus negócios é definido como: sem terras, porque pode alugá-las; sem trabalho, porque o terceiriza e sem capital, porque bancos e multinacionais o emprestam.

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Cai a renda média dos brasileiros e aumenta o número de milionários.

Em 2013, a renda média do brasileiro era de US$23 mil por ano. Caiu para US$ 17 mil em 2015. É a primeira curva descendente desde o ano 2.000. Entre 2.000 e 2014, a renda média havia triplicado. Na outra ponta, segundo estudo do Credit Suisse, o Brasil alcançou a sétima posição no ranking global de milionários, com 168 mil pessoas.

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