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25/10/2016 07:05

Eleições: além do infantilismo e esterilidade do debate atual

Mário Sérgio Lorenzetto
Eleições: além do infantilismo e esterilidade do debate atual

Liberdades políticas nos ajudam a prosperar. Mas elas têm de ser bem utilizadas. Vemos uma onda de acusações infantis e estéreis que atrapalham o debate necessário para a melhoria do nosso bem estar. É preciso enfrentar a dura realidade que estamos expostos. E só podemos enfrentá- la com novas ideias. Queiram os candidatos ou não, teremos mudanças. A mudança enfrenta resistência, especialmente dos mais poderosos e organizados. Acordos políticos, no entanto, podem modificar essa resistência.

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A grande questão atual é se o crescimento que ocorreu por quase 20 anos em Campo Grande poderá se manter indefinidamente ou se as nuvens escuras acima de nós são um sinal de que estamos esgotados, de que o poço secou. Não podemos supor só porque a história desses 20 anos benfazejos foi de progresso, que esse progresso deve necessariamente continuar. Episódios de progresso já surgiram e desapareceram antes.

O crescimento do PIB municipal, ainda que seja uma equação muito imperfeita, continua sendo nosso principal indicador de avanço na prosperidade. E ele vem caindo. Se estivesse em 3% ao ano, a renda das pessoas dobraria em 25 anos (uma única geração). Em 2%, leva 35 anos para dobrar a renda das pessoas. E em 1%, leva 70 anos.

A política torna-se mais difícil com o crescimento menor. A metáfora já foi usada, mas tem uma faceta de verdade. Quando a torta cresce, todos,podem ter um pedaço maior, mas se o tamanho da torta é fixo, alguém só pode se beneficiar à custa de outro. O mesmo vale para bens públicos como saúde, educação, previdência e infraestrutura. Com crescimento esses bens podem ser restaurados sem reduzir o que cada um recebe. Sem crescimento, alguém precisa ceder algo do que já tem.

O crescimento lento, ou zerado, ou negativo, recompensa a formação de grupos que enriquecem seus membros em detrimento da população maior. Pressionando por leis ou regulações que aumentam suas rendas ou os protegem. São castas de bem afortunados. São o que economistas chamam de "caça a renda". Mas terão de se precaver com as necessidades da imensa maioria da população, desorganizada e sem voz. Se os principais partidos não oferecerem nada a eles, podem se voltar a remédios políticos amargos.

Entender as causas da desaceleração do crescimento é crucial para pensar o futuro próximo.

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Greve geral dia 11 de novembro?

Alguma centrais sindicais estão convocando greve geral. O comando é da CUT, braço sindical petista. O protesto será a primeira etapa do que eles estão denominando de " jornada de lutas contra abreviada de direitos". Protestam contra PEC 241, contra a reforma da previdência e, também, contra qualquer mudança na CLT. A verdade é que são contra qualquer pensamento ou ação do governo Temer.

Preveem que poucos sindicatos paralisarão os trabalhadores o dia inteiro, mas creem que uma ampla gama conseguirá pelo menos uma hora de paralisação. Também decidiram que uma segunda rodada de paralisações ocorrerá no dia 25 de novembro. Após o fracasso retumbante do PT nas eleições municipais, seu grupamento sindical terá forças para paralisar o país? Está claro para todos que a população não engoliu a pílula do "golpe". Há garganta (e estômago) para que eles nos guiem novamente? A sociedade está cansada das ações dos petistas?

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Temos de perguntar a eles. O direito de indígenas e fazendeiros a ser consultados sobre o que afete suas terras

Imagine que um dia um perfeito desconhecido, talvez um milionário ou um funcionário público de qualquer poder, apareça em tua casa e te diga que irão pintar de outra cor as paredes. Ou que irão mudar as cortinas. Pode ser que o façam de boa fé. Porque creem que será melhor para você ou que tua casa ficará muito mais bonita. Ou talvez não tenham tão boas intenções. Cheguem e te digam que ficarão com a sala, a cozinha e um banheiro para montar um negócio, e que talvez seja melhor que saia de tua casa para sempre. E se protestar, passa a ser um reacionário inimigo do progresso econômico. Também você poderá virar, do dia para a noite, um inimigo de povos que cresceram em quantidade e passaram a desejar tua casa para nela viver. Talvez acabem por persegui-lo. Ou, inclusive, levá-lo para o cemitério.

Assim se sentem centenas de milhares de povos indígenas no mundo. Assim se sentem milhares de fazendeiros. Quando governos ou empresas tratam de tomar-lhes suas terras. Ou quando agencias de "cooperação" ou ONGs chegam para "ajudá-los", dizendo o que fazer. Sem pedir-lhes sua opinião. Sem perguntar-lhe. Sem informá-lo. Nem muito menos obter sua aprovação. O primeiro passo para uma troca de donos de terras tem de, obrigatoriamente, passar pela consulta a seu dono, seja indígena ou fazendeiro. A eterna falta de respeito aos proprietários de terras tem de cessar. Há de ser estabelecido um consentimento livre, prévio e informado. Para fazer qualquer coisa na casa alheia, há de se obter o consentimento do dono. A alternativa é extinguir a propriedade privada, seja pessoal ou coletiva. Uma opção que só leva à guerra e às mortes.

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Previdência Rural terá novas regras

O governo proporá uma contribuição previdenciária mínima individual, algo semelhante ao MEI (MIcro Empreendedor Individual), para o setor rural. Uma das hipóteses seria uma contribuição de 5% do salário mínimo, mas cobrada em base trimestral ou semestral. Hoje, o trabalhador rural contribui sobre o valor que declara.

A reforma da Previdência dará prioridade ao tempo de contribuição para definir o valor do benefício, como um bônus para quem começa a trabalhar cedo.




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