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11/01/2015 08:29

Em que momento a terra da liberdade virou as costas para o povo árabe?

Mário Sérgio Lorenzetto
Em que momento a terra da liberdade virou as costas para o povo árabe?

Por aqui, tolerância vence preconceito com povos árabes

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No Mato Grosso do Sul, praticamente não existe a islamofobia - a aversão aos seguidores do profeta Maomé. Desde a crise do Império Otomano, no início do século passado, quando começaram a aparecer em nossa região, os "turcos" ou "patrícios" (como erroneamente sempre foram cognominados, devido a suas carteiras de identidade terem como origem única a Turquia mesmo que fossem libaneses, sírios ou armênios) sempre foram bem recebidos pelos povos que aqui estavam vivendo. Muitos professavam algum ramo da religião cristã e facilmente se tornaram adeptos do catolicismo com sede no Vaticano. Alguns, poucos é bem verdade, eram mulçumanos; outros adeptos de outras religiões, praticamente inexistentes em nossa região, como o zoroastrismo. Somente dois elos os mantinham razoavelmente unidos: a maioria falava a língua árabe e a vontade de vencer neste mundo tão diferente de suas origens. Desde a vinda dos povos do Oriente Médio para cá, até hoje, não há um só grupo de sul-mato-grossenses que se importe com a religião que eles seguem. Nunca houve um só conflito, nem mesmo uma querela entre vizinhos brasileiros e "turcos" que tivesse a religião como pano de fundo.

Nessa mesma época, muitos deles foram parar nos Estados Unidos. Aliás, muitos "turcos", quando saíram de suas terras, desejavam vir para a "Mérica" (como denominavam a América). Tomavam um navio que tinha esse destino, sem saber que na "Mérica" existia o Brasil, a Argentina e tantos outros países. Em verdade, queriam ir ao já famoso Estados Unidos. Erraram o porto de destino. Mas porque a "terra da liberdade e da oportunidade" (como os Estados Unidos se auto propagandeava) não foi um destino tão bom como foi o Brasil para esses povos? Em que momento os Estados Unidos se tornaram a "terra da islamofobia" e o Brasil, o destino errado, virou a terra "da liberdade e da oportunidade"?

Em que momento a terra da liberdade virou as costas para o povo árabe?
Em que momento a terra da liberdade virou as costas para o povo árabe?

Cor da pele explicaria diferença de tratamento

O primeiro ensaio para explicar esse fenômeno desta idiotice criada pelos humanos de se diferenciarem pela cor da pele: nos Estados Unidos, um pouquinho de melanina na pele transforma qualquer pessoa em negro, "crioulo" (ou afro descendente, a palavra da moda). Para eles, só são brancos os que não têm uma gotinha de melanina na pele, os iguais ao sabão em pó - "branco total". Portanto, os povos do Oriente Médio jamais foram aceitos como brancos nos Estados Unidos.

No Brasil, a classificação das pessoas e povos pela cor da pele permitiu e ainda permite um leque maior de tons - brancos, morenos, mulatos, negros e todas as demais maluquices que inventarem para se diferenciarem. Em suma, os povos do Oriente Médio, mesmo não sendo "brancos totais", no Brasil, são entendidos como tal. Não carregaram em seus ombros qualquer preconceito decorrente da cor da pele.

Em que momento a terra da liberdade virou as costas para o povo árabe?
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Consciência de grupo teria ajudado povos árabes no Brasil

Outra tentativa de explicação das diferenças de comportamento entre norte-americanos e brasileiros para com os "turcos" reside no fato de que, em nossas terras, eles constituíram grupos de auto defesa e ajuda mútua que denominaram de "colônia". Rapidamente constituíram uma imensa colônia libanesa, uma menor de sírios, outra bem pequena de armênios e de palestinos. Contando com uma cultura europeizada (muitos falavam francês como primeira língua), que os colocavam à frente dos que aqui viviam durante as manobras comerciais (e também como herança dos fenícios que são tidos como os primeiros grandes comerciantes da história), eles rapidamente adquiriram algum tamanho de riqueza.

Vendo a história de Nova York como se fosse a dos Estados Unidos, é perceptível a ausência de um bairro de povos do Oriente Médio. Por lá, se constituíram bairros de porto-riquenhos, judeus, negros, poloneses, italianos, russos, ucranianos, chineses...uma plêiade de povos do mundo todo. Os nossos "turcos" não se organizaram em comunidades de defesa e auto ajuda e com o passar do tempo foram se aproximando dos negros. E a negritude tomou conta. Muitos dos tais "afrodescendentes" dos Estados Unidos são originários do Oriente Médio e não da África.

A força e a velocidade com que o islamismo conquistou o mundo, saindo das areias do deserto da Arábia Saudita, conquistando os países africanos que são banhados pelo Mediterrâneo, dominando a quase totalidade da Espanha e metade da França, foi a

mesma que, séculos depois, conquistou negros e povos do Oriente Médio nos Estados Unidos. E, recentemente, começam a conquistar os "brancos totais".

Esse é, e continuará a ser, o choque das civilizações do século XXI. Todas as diferenças se concentram nesse embate: culturais, raciais, patrimoniais, dominadoras, artísticas e até mesmo religiosas. Os norte-americanos têm muito a aprender com os sul-mato-grossenses nesse quesito. Sempre fomos mais tolerantes, somos mais cordiais e aceitamos mais as diferenças. Pelo menos com os povos do Oriente Médio.

Em que momento a terra da liberdade virou as costas para o povo árabe?



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