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08/05/2015 09:19

Embate preocupante. Sistema de saúde da capital que era ruim tornou-se terrível

Mário Sérgio Lorenzetto
Embate preocupante. Sistema de saúde da capital que era ruim tornou-se terrível

Sofrimento e dor. O embate entre médicos e burocratas da Prefeitura da Capital.

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Há um lugar onde todos têm razão e nada é resolvido. Uma grande parcela dos médicos está com toda a razão de reivindicar melhoria salarial. É inaceitável ver um profissional dessa categoria receber algo como R$5.000 mensais. Por outro lado, também é inacreditável que um médico receba mais de R$ 40.000 mensais. Mas há um número que não aparece nas contas dos contendores: qual é o salário-médio dos médicos? Os extremos - R$5.000 e R$40.000 - foram usados como se fossem floretes em uma luta de esgrima. Em suma, a legislação brasileira é tão burra e perversa que permite esses extremos, e ninguém promove mudanças.

Outro viés que não é discutido é a aplicação da famosa (e desconhecida) Lei de Responsabilidade Fiscal - LRF. O limite máximo de gastos com pessoal de uma Prefeitura não pode ultrapassar 60% de uma conta denominada "Receita Corrente Líquida". O Prefeito e seus assessores estão eivados pela mais completa falta de credibilidade. Seria interessante contratar Diógenes com sua lâmpada para encontrar uma pessoa que acredite no que os atuais administradores dizem. Eles dizem que ultrapassaram o limite dos 60%. Ninguém acredita. Caso fosse verdade é interessante saber que a LRF determina a nulidade de qualquer ato que aumente as despesas com pessoal. Bem claro, o Prefeito pode determinar o aumento desejado pela categoria mas ele não terá valor legal. Também é importante saber que as despesas com pessoal serão julgadas pelo Tribunal de Contas do Estado e que poderão resultar em multas para os administradores (é claro que essa possibilidade é tão distante quanto o homem está de Marte).

Há outra discussão que surge no momento da crise. O Prefeito e seus assessores dizem que não obtiveram o índice de ICMS a que Campo Grande faz jus e por esse motivo não teria dinheiro para reajustar salários. Só esqueceram de dizer que existem quatro meses de prazo para recorrer e discutir à exaustão, inclusive na imprensa, do índice que receberam. Mera incompetência ou discurso político fácil para enganar grevistas?

Mas o resultado desse embate é preocupante. O sistema de saúde da capital que era péssimo tornou-se terrível. O sindicato dos médicos anuncia que 100% deles estão em greve. A Prefeitura os encurrala na imprensa, como se fossem uma manada de trogloditas. E para a população resta o sofrimento e a dor.
Só há uma saída para a crise: demitir centenas de cargos comissionados que estão incrustados na Prefeitura como moluscos nos navios que estão afundando.

Embate preocupante. Sistema de saúde da capital que era ruim tornou-se terrível
Embate preocupante. Sistema de saúde da capital que era ruim tornou-se terrível

Novo líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral diz que não será um carimbador maluco.

"Não vou ser um carimbador maluco. Vou colocar [para a presidente] as posições do Parlamento, para que a gente busque conjuntamente soluções que atendam ao governo e ao Brasil. Não vou defender uma coisa contra a qual está todo o plenário, criando constrangimento para a base. É daqui [do Senado] para lá [Palácio do Planalto]. Mudou. Não é mais aquilo que ocorreu nesses doze anos. Aqui é, como diz o velho Simonal: "prá ter fon fon, trabalhei trabalhei". Tem que trabalhar muito aqui para passar as coisas".

Delcídio também afirma que "o governo precisa ter um projeto político consistente para unir os partidos da base. Estabelecer uma pauta mínima de temas para discussão, como reforma política, reforma do ICMS (nesse ponto, ele praticamente abdica de uma futura candidatura ao governo do Mato Grosso do Sul) e programa de manutenção de emprego. Ele continua não reconhecendo os graves erros cometidos nas eleições passadas: "Eu tinha uma eleição ganha, fruto de um trabalho que fiz durante doze anos andando no Estado. Fui o cara que mais viabilizou recursos para o Estado. Andei município a município. Mas veio uma onda anti-PT fortíssima e ao mesmo tempo a oposição tentando me associar com as denúncias contra a Petrobras. Isso me desgastou fortemente. E foi uma campanha muito sórdida, covarde, onde atacaram minha família. Sou um sul-mato-grossense que viveu fora do Estado. Trabalhei em multinacionais, conheci o mundo inteiro, tive experiências as mais diferenciadas. A velha elite bovina tentou se preservar mais uma vez. O conservadorismo se juntou contra mim".

Embate preocupante. Sistema de saúde da capital que era ruim tornou-se terrível
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O Brasil é a pátria dos implantes dentários.

Pode parecer um exagero. Mas os brasileiros passaram nos últimos anos de um povo de desdentados ao povo dos implantes dentários. Segundo a associação da indústria dos equipamentos médicos, cerca de 2,5 milhões de implantes são usados por ano no Brasil, o que coloca o país na posição de segundo maior mercado do mundo, atrás dos Estados Unidos. Mas o Brasil tem maiores taxas de crescimento - cerca de 15% ante 10% dos norte-americanos. A empresa líder nesse ramo é a Neodent, que "abocanha" 37% do mercado e fatura nada menos que 258 milhões por ano. Um número para deixar os industriais da medicina de "boca aberta".

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Desastres plásticos.

A cirurgia plástica, ao contrário do que muitos pensam, não é tão moderna. Ainda hoje executam-se técnicas que já eram realizadas para a reconstrução do nariz muito tempo antes de Cristo, na Índia. Entretanto, como especialidade médica é muito mais recente, porque, como todas as demais cirurgias, só após o advento da anestesia e dos antibióticos passou a ser possível a realização de cirurgias mais longas e sem risco de infecções. O grande avanço se dá durante a Primeira Guerra Mundial. Os soldados combatiam, preferencialmente, em trincheiras e só assomavam o rosto para ver onde estava o inimigo. Os ferimentos, na maioria, eram o dilaceramento dos rostos dos combatentes. Para recuperar milhares de rostos baleados a cirurgia plástica tomou vulto e ganhou espaço.

Muito se vê e se ouve a respeito de cirurgias plásticas no Brasil. Nosso país é campeão nessa especialidade; há números incríveis que mostram que, apenas no ano passado, ocorreram mais de 2 milhões desse tipo de cirurgia no país. "Tudo pela beleza", é o que aparece em todos os estamentos sociais. Até há pouco tempo os médicos eram cautelosos com esse tipo de cirurgia; deixaram de ser e passaram a incentivá-la. Os sites dos cirurgiões mais renomados são verdadeiras propagandas disfarçadas, ou melhor, não assumidas. Prometem beleza. Apresentam fotos de pessoas que passaram pela mesa de cirurgia e até depoimentos de "pacientes felizes". Existe, inclusive, um programa de televisão que aborda exclusivamente o tema, onde um dos apresentadores é um médico estrangeiro cheio de estilo e trejeitos. Um site de um cirurgião plástico famoso, que operou várias celebridades, dá a entender, sem qualquer cerimônia, que foi-se o tempo de ir à academia, já que as próteses de silicone apresentam músculos perfeitos. É impressionante os rumos que a desvairada busca por um padrão de beleza pode tomar. Esses procedimentos, porém, não garantem a perfeição ou a eterna juventude. Muitos casos têm resultados bastante perturbadores e assustadores. Há uma imensa quantidade de corpos, especialmente femininos, deformados.

A responsabilização jurídica de um médico que comete erros é difícil, morosa e rara. Todavia, para os casos de cirurgia plástica essa regra não se aplica. Os Tribunais, em sua maioria, têm entendido que nos casos das cirurgias plásticas estéticas as obrigações são de resultado. Toda a questão está vinculada à subjetividade ou objetividade para os erros médicos. Uma cirurgia do abdômen com erro médico raramente dará ganho de causa ao paciente por ocorrer um elevado grau de subjetividade inerente a essas cirurgias. Mas, pelo lado das cirurgias plásticas ocorre o contrário; os juízes e desembargadores estão atentos ao grau de objetividade nelas existentes. O cirurgião plástico tem de entregar o resultado proposto e os demais médicos não são obrigados a entregar os resultados esperados pelos pacientes. Quando você opera teus seios para embelezá-los, há elevadas chances de ganhar uma causa jurídica no caso de erro médico. Em dez anos esses erros médicos cresceram 1.600% no Brasil de acordo com o STJ. Um estrondo.

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O Brasil será mais barato para os estrangeiros.

Nos beneficiamos do boom dos preços das matérias-primas para crescermos na última década. Os bons tempos das compras chinesas ficaram para trás. E, de acordo com o Banco Itaú, os preços das commodities devem continuar retrocedendo. O estudo do Itaú é importante para o país e para o Mato Grosso do Sul. Nos últimos cem anos os preços das matérias-primas só deixaram de cair em outros três momentos: nas duas grandes guerras mundiais e na crise do petróleo dos anos 70. Uma consequência é que o preço das empresas e da moeda deverá cair, tornando o Brasil, do Mato Grosso do Sul, mais barato para os investidores estrangeiros.

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