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28/12/2014 09:06

Esperança para oprimidos e exemplos para poderosos que vêm do Cone Sul

Mário Sérgio Lorenzetto
Esperança para oprimidos e exemplos para poderosos que vêm do Cone Sul

Saudades de 500 anos atrás

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Karl Marx, que hoje todo mundo espinafra, foi quem enfiou no mundo essa mística de desenvolvimento organizado. Mas se você ler com atenção qualquer autor dos Annales de France, atualmente muito mais famosos e conceituados que o judeu alemão, vai encontrar milhões de passagens nos documentos históricos que mostram, com toda clareza, que o trabalhador de 500 anos atrás, em muitos sentidos, vivia muito melhor que o trabalhador mais qualificado de hoje, porque era membro de uma comunidade com valores humanos muito mais fraternais, ainda que oprimida. E sejam quais forem as mudanças no sistema de produção, os poderosos sempre arranjam um meio de nos ferrar. Agora, a maioria das pessoas não usa o que é bom nas grandes sociedades urbanas. Fica de olho pregado nas insanidades da TV, comprando mil cacarecos de que não precisa. A vida como um consumo só. Hoje é só o delírio da exploração e do consumo. Nós já dispomos dos recursos técnicos e tecnológicos que acabariam com a fome, a miséria, a doença, a infelicidade material na Terra.

Mas há esperança. E ela vêm da América do Sul. Ou melhor, do Cone Sul da América do Sul: do Uruguai e da Argentina. No Uruguai, está saindo o melhor governante de um país, em muitas dezenas de anos. Mujica passou a representar o exemplo acabado das ideias contemporâneas e do comportamento que se deve exigir de um governante (e não o difamem com a simplificação grosseira do Presidente que liberou a maconha). Da Argentina saiu para o menor país do mundo, que é o Vaticano, um Papa que inicia seu mandato se portando como o irmão de todos e mantêm um padrão de vida que Papa algum ousou ter. Ainda há esperança. Um mundo mais fraterno ainda pode ser almejado.

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A propriedade privada é libertária ou tirânica?

Para muitos, especialmente para os comunistas, a propriedade privada é a "mãe de todos os nossos problemas". Não deveriam existir fazendeiros, industriais ou comerciantes. Todos esses senhores (e algumas poucas senhoras) são tirânicos. Existiria mesmo uma tirania da propriedade privada.

Mas vamos lá. Thomas Jefferson, um dos maiores revolucionários no panteão dos rebeldes, dizia que deveria existir uma revolução a cada geração. Todos sabem que uma revolução exige uma carga de irracionalidade. Afinal, ela destrói coisas pra cacete, e quem pode pretender racionalizar e controlar a destruição, depois de deslanchada?

Mas, a questão primordial é a propriedade privada e não a revolução. O que significava propriedade no século XVIII, e o que significa, hoje? Nos Estados Unidos, em 1776, a propriedade era uma defesa da liberdade e integridade do indivíduo contra monarquias e quejandos, porque podia bastar-se a si própria, dentro do primitivismo capitalista vigente. Em 2014, a propriedade é completamente inextricável do todo social, político e econômico. Vejam bem, a propriedade privada já foi um "talismã libertário" (dá até para construir um lema, algo como: "Revolucionários do mundo, lutem pela propriedade"). Foi.

Também observem uma parte aquosa de nosso Estado. Difere dos Estados Unidos de 1776? Fazendeiros e indígenas são a base dos conflitos pela propriedade privada. Mas não são contrários à existência da dita cuja. Cada um quer um pedaço para si. Nada mais contemporâneo ou antigo? Nada mais tirânico ou libertário?

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Fazendeiros e indígenas, uma breve história de nossos conflitos

Os portugueses e seus descendentes estavam vivendo nos arredores de Cuiabá. Ouviram de um velho bêbado que existiria ouro com os indígenas do Mato Grosso do Sul. Os "selvagens" da região teriam tanto ouro, tanto, que nem sabiam o que valia. Imediatamente, um brilho de cobiça surgiu nos olhos do portuga. Três meses depois desembarcava na nossa região com um barco cheio de tamancos. Os "selvagens", que não conheciam aquilo, ficaram loucos de contentes. E em troca lhe deram, em ouro, o mesmo volume que ele tinha trazido em tamancos.

Quando o portuga retornou à região de Cuiabá, contou logo para os amigos como tinha conseguido tanto ouro. Um brilho de cobiça se acendeu nos olhos de um deles. Passados alguns meses, o segundo português desembarcou no Mato Grosso do Sul com um barco cheio de colares. Os índios ficaram maravilhados. E para mostrar que estavam mesmo satisfeitíssimos deram a ele a coisa mais formidável que tinham: um barco cheio de pares de tamancos. Tinham inventado o comércio globalizado em nossas terras. (O problema é a cobiça e não o ouro, o tamanco ou o colar).

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O método de Cooper e seus sucessores

Inicialmente era apenas um teste e servia para avaliar a capacidade física dos astronautas da NASA. Os astronautas chegaram à Lua e voltaram à Terra bem mais magros. A coisa funcionava. Passou então a ser método. De Cooper. Foi criado pelo norte americano Kenneth Cooper. Mas, o método chegou ao Brasil e virou moda - direitinho feito bambolê, cabelos afro e a gorjeta para os garçons.

O tal Kenneth Cooper havia observado que o ladrão de galinha e o policial que o perseguia viviam mais e melhor que o dono da galinha que se limitava a gritar "Polícia!!!" E depois ficava comentando o caso com os vizinhos. Concluiu que se tratava de um problema de oxigenação, ou seja, o corpo humano precisa de oxigênio, ou ainda, os pulmões precisam respirar, ou finalmente, para se sentir bem o ser humano deve estar vivo e deve correr porque senão o bicho vem e leva a gente.

Mas, no fundo, no fundo, o negócio é fazer com que o cidadão se sinta bem. Mas, aí, é que surgem alguns problemas. Cada um tem seu jeito de se sentir bem. Se o cara quer correr, problema dele. Se o outro quer ver o outro correr - é só chamar o guarda. A base é esta mesma: que cada um fique dentro de suas melhores condições, anseios e possibilidades.

A moda agora é correr com alguma meta comestível ou de beber. Nada da chatice de troféus e medalhas (não servem para coisa alguma). Quem correr mais ganhará 100 garrafas de Skol. O segundo lugar levará 12 quilos de picanha e o terceiro, cinco caixas de bombons da Kopenhagen. Isto sim, é correr e se sentir bem.

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