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02/04/2016 07:50

Este é Mustafá, uma criança refugiada da Síria

Mário Sérgio Lorenzetto
Este é Mustafá, uma criança refugiada da Síria

A animação patrocinada pela Unicef dá vida às histórias pessoais, narradas pelas três crianças apresentadas nesta coluna. Ivine, Malak e Mustafá narraram seus terrores em três desenhos animados. São comoventes. São horríveis, mas reais.

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Em defesa do nadismo.

Eu confesso. Tenho inveja de quem pratica o nadismo. Tanto dos apóstolos do nadismo como dos beatos do "Slow Life". Aqueles que transformaram suas vidas em um doce fazer nada. Durante a vida toda acreditei que a preguiça era um defeito, agora percebo que o defeituoso sou eu. Não consigo, mas essa é uma atitude de vida respeitável.
Ora, pensem comigo, como é que acham que o Newton observou a famosa maçã? Porque trabalhava, feito escravo, em algum mercado de frutas? Não! Ele estava tirando um cochilo em baixo de uma macieira. E o Buda? Onde atingiu a iluminação? Lavando o ashram com uma escova de dentes? Não! Foi embaixo de uma figueira. Mas não pensem que ele estava colhendo figos para seu sustento. Não. Estava sentadinho no chão, apenas meditando. Nem preciso falar do banho do Arquimedes.
Apesar de ninguém mencionar árvore alguma, estou convencido que foi em baixo de uma oliveira que a Eureka aconteceu. Nem vou perguntar quando foi a última vez que tomaram um banho de imersão, sem ser na sedução, só mesmo por diversão. A história está cheia de casos de genialidade de gente sem horário. Na verdade, se a vida fosse feita para trabalhar porque é que o planeta é um gigantesco parque de diversões? Para que servem as belíssimas montanhas, exuberantes cascatas, o céu e as praias e infinitas espécies magnificas de plantas e animais, se não fosse para correr, brincar, nadar e contemplar? Para que 30 dias de férias estressantes? Aristóteles diria que Non.
O truque para viajar bem e para viver melhor por muitos anos, não é andar, é parar. Façam-se um favor. Ponham de lado a produtividade e os mil projetos. Insistam nos nadas, façam tudo por coisa nenhuma a não ser pelo prazer de ser. E quando te perguntarem o que tem feito, respondam, orgulhosamente, com um bocejo.

Este é Mustafá, uma criança refugiada da Síria

Quem inventou o trabalho não tinha o que fazer.

Ultrapassei a barreira dos 60 anos. O meu primeiro emprego formal foi aos 15 anos. Aos 17 anos já era um assessor. O pensamento mediano diz que há três possibilidades de sucesso: pela genialidade, pela sorte e com muito esforço e suor. Como, infelizmente, enquadro-me apenas na terceira opção, costumo decepcionar a muitos jovens que me conhecem. Eles não querem ter como exemplo alguém que desperta mais cedo do que eles, que sempre estudou mais que todos, que abre o escritório e agarra o trabalho como se fosse o primeiro, além de priorizar a satisfação com o trabalho e os estudos muito acima das demais.
Até onde posso, vou tentando ensinar pelo exemplo. Mas a sociedade do século XXI, não ajuda. Vivemos tempos hedonistas, onde fica mal ser ou dizer-se trabalhador. O Facebook é um retrato disso. Uma eterna farra, o elogio do tempo livre. O Facebook ajuda a construir a infantilização da sociedade e a má fama do trabalho. Temo que daqui a 20 anos teremos uma geração que foi muito longe nas férias, mas que marcou passo em suas realizações profissionais. Ou será o contrário, caso se concretize o domínio das máquinas, só restará a essa geração o eterno divertimento em sistemas computacionais como o Facebook e aqueles que o sucederão. Não sei se isso será mau, bom ou indiferente. Há quem diga que quem inventou o trabalho não tinha o que fazer. Mas tenho convicção que a motivação para o trabalho não dura para sempre. O efeito do banho também não. Por enquanto, continuo recomendando as duas coisas, trabalho e banho, diariamente.




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