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11/06/2014 07:49

O ceticismo do primeiro empresário a apoiar o PT e o quadro em nosso Estado

Mário Sérgio Lorenzetto
O ceticismo do primeiro empresário a apoiar o PT e o quadro em nosso Estado

Lawrence Pih o primeiro empresário a apoiar o PT, hoje se diz cético quanto ao futuro do Brasil. No Mato Grosso do Sul o quadro se repete

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Pih era taxado de excêntrico. Em parte por causa das sete Ferraris que tinha na garagem e, também por circular na “high society” paulistana e carioca acompanhado por atrizes como Sandra Bréa. Com seus 72 anos continua chegar na sede do Moinho Pacífico, às quatro e meia da manhã e é um estudioso de macroeconomia.

Chinês de Xangai, teve de fugir de seu país após a tomada do poder pelos comunistas comandados por Mao Tse Tung, ele foi o primeiro empresário de expressão no país a apoiar publicamente o PT ainda na segunda metade dos anos 1980. O PT carregava o estigma de defender exclusivamente as causas operárias, mas Pinh já dizia a quem quisesse ouvir que votaria em Lula.

Hoje esse empresário afirma que foi excesso de otimismo de sua parte acreditar no partido como uma alternativa de mudança, para ele não importa quem esteja no poder, negociar com o Congresso tem um custo muito alto. Pih afirma que não tinha o entendimento adequado de como funciona a política no Brasil. É um desiludido e cético, mas não é um alienado.

Como Lawrence Pih outros milhares de empresários se comportam. Só acompanham a política pela imprensa, procuram se manter distantes dos poderes. No Mato Grosso do Sul esse quadro se repete. Os dois mais conceituados líderes empresariais – Sergio Longen da Fiems e Eduardo Riedel da Famasul – não colocaram seus nomes para os embates políticos que são necessários. Tal como Pih, não são alienados, conhecem os meandros da política local, mas temem as intempéries do mundo político. Lutam cotidianamente por mudanças, mas não conseguem entender que elas só ocorrerão com líderes fortes e bem preparados como eles. Seus apoios aos candidatos só servem aos partidos e às eleições, mas tem baixo valor para o Mato Grosso do Sul. E essa inépcia política se repete com os líderes das entidades que defendem o comércio. Também com as lideranças dos profissionais liberais – médicos, engenheiros, dentistas... Talvez esperem que os céus transformem o modus operandi da política.

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A torcida argentina conseguiu driblar seus governantes

Os brasileiros sabem que os jogadores argentinos são tão bons na arte de driblar como os jogadores que vestem a nossa camisa. Também sabem que os torcedores de lá são tão aguerridos como nós. E eles mostraram do que são capazes. Estão em quarto lugar na lista da Fifa entre os países que mais compraram ingressos para a Copa, com 53 mil entradas. Como a maior parte comprou pacotes para os três jogos deles na primeira fase, calcula-se que 15 mil argentinos estarão no Brasil torcendo por sua seleção.

A imprensa argentina informa que milhares virão de carro, mesmo sem ter ingressos. Tal como os corinthianos fizeram na recente conquista da Copa Libertadores invadindo Buenos Aires mesmo sem poderem entrar no estádio.

Eles também terão de arcar com a mais elevada taxa governamental do mundo sobre gastos com cartões de crédito fora de seu país. Se nós reclamamos dos 6% que temos de pagar para gastos com cartões no exterior, os argentinos pagam 35%.

Apesar de todo o esforço dos “hermanos”, os brasileiros desejam-lhes boas vindas e que permaneçam ao final da Copa com a mesma posição que obtiveram na compra dos ingressos – o quarto lugar.

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A emissão de passaportes deve deixar de ser responsabilidade da Polícia Federal

A PF deve deixar de emitir passaportes. O Ministério da Justiça e a direção dessa corporação policial concordam com a proposta de manter a entidade como polícia judiciária e de investigação e, nessa reestruturação, atividades administrativas deverão sair de seu escopo. O mais provável, neste momento, é que o ministério das Relações Exteriores assuma a tarefa. Por enquanto, o Itamaraty ainda não participou das reuniões que tratam da mudança.

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No início era a pirataria

Na criação do mundo, o início é marcado pelo Verbo. Na criação de impérios modernos, o princípio foi marcado pela pirataria tecnológica. Talvez um dos maiores sinais de que a China será o próximo império (alguns acreditam que, atualmente, ela já seja) está nas acusações dos Estados Unidos feitas aos chineses de espionagem econômica. As acusações são graves, o roubo de segredos teria possibilitado à China sabotar competidores internacionais e promover suas próprias empresas. A grande questão é que o passado não só da Inglaterra, mas, também o dos Estados Unidos foi marcado por diferentes formas de “pirataria”.

Os Estados Unidos emergiram como líder industrial mundial por meio da apropriação ilícita de inovações mecânicas e científicas produzidas na Europa. Ao longo dos séculos XVIII e XIX os espiões industriais dos Estados Unidos peregrinaram pelas ilhas britânicas procurando não apenas novos maquinários, mas, também, trabalhadores habilidosos que pudessem operar tais máquinas. Samuel Slater, conhecido como o “pai” da revolução industrial americana, emigrou para os Estados Unidos com o conhecimento do funcionamento das máquinas de tear do inglês Arkwright que transformaram a produção têxtil inglesa.

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Prêmios e outros incentivos aos piratas modernos

Francis Lowell foi outro empresário que, após memorizar a estrutura dos teares mecânicos de Cartwright na Inglaterra, levou as “inspirações” para os Estados Unidos onde fez fortuna. O governo dos Estados Unidos encorajava a pirataria. Alexander Hamilton (um dos “pais fundadores” dos Estados Unidos) incentivava aqueles que trouxessem “melhorias e segredos de grande valor”. Os governos dos Estados financiavam a importação das máquinas contrabandeadas. Embora as patentes deviam ser atribuídas para “novas” tecnologias, elas passaram a ser concedidas para tecnologias pirateadas de outros países.

Como os ingleses já estavam estabelecidos como “império”, por meio da pirataria, eles passaram a estabelecer leis rígidas contra a exportação de máquinas e proibiram que trabalhadores com grande conhecimento emigrassem. Aqueles que saíssem do país poderiam ser condenados por traição e perder suas propriedades. Thomas Digges, um dos mais importantes espiões industriais dos Estados Unidos, foi preso diversas vezes pelos ingleses e celebrado por Washington. O medo dos ingleses estava pautado pelo seu próprio passado. Aquela que foi considerada a primeira “fábrica”, criada por Thomas Lombe, foi “inspirada” em diagramas feitos por seu irmão de um tear de seda italiano. Lombe foi declarado cavaleiro real pelos ingleses. No século XIX, a Inglaterra mandou um botânico para a China, ele não apenas roubou a complicada técnica de processar as folhas do chá, mas, também, uma vasta coleção de plantas. A pirataria do chá permitiu que os ingleses produzissem chá na Índia e quebrassem o monopólio chinês.

Quem conseguiu juntar as peças entende os motivos que levam os Estados Unidos, hoje, a defender regras duras sobre propriedade intelectual. Um exemplo está na briga judicial entre Samsung e Apple. A Samsung estava apenas seguindo a “tradição” e fazendo algo “parecido” com a Apple. A síntese é simples, qualquer país em desenvolvimento se envolve em espionagem econômica. Quando o país não está produzindo inovações tecnológicas ele está imitando a de outros. Talvez a ideia que a China esteja a copiar do “Ocidente” é a de usar a pirataria para ultrapassar seus adversários econômicos. Ao criticar a propriedade privada Proudhon bateu na trave, a origem da propriedade não é exatamente um “roubo”, mas, a pirataria.

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As ilegalidades cariocas no faturamento com a Copa

Independente de todo tipo de manifestação contrária, a Copa está trazendo ganhos significativos para o turismo e na véspera do mundial, as cidades-sede são, óbvio, as que mais ganham. No Rio de Janeiro, o movimento de turistas é tão intenso, que fica quase impossível ouvir o português entre os clientes dos restaurantes e casas noturnas. Hotéis, pousadas e albergues estão lotados, mas os aluguéis de temporada vivem um momento quase inédito na cidade, acostumada ao elevado fluxo de turistas. Quem decidiu pôr a residência nos inúmeros sites de oferta para a passagem de turistas no torneio não tem o que reclamar.

Quase toda a cidade oferece vista privilegiada. A topografia permite e, assim, há todo tipo de preço. Segundo uma estudante de Arte, a Copa virou meio para faturamento fácil e o melhor: garantido. Colocou um apartamento de dois quartos nas Larajeiras, tradicional bairro carioca e vai receber por dez dias exatos R$ 10 mil, pagos por um grupo de europeus de nacionalidades variadas. O dinheiro, que levaria ao menos três meses em situação normal para embolsar é considerado mínimo, mas foi o que conseguiu por estar em relativamente distante do Maracanã.

Outro problema para faturar é a ilegalidade da negociação. A maioria dos imóveis alugados por temporada no Rio de Janeiro é sublocada, uma operação que fere os contratos de locação. No caso da estudante, que ficará na casa de parentes, o risco de ser denunciada é elevado, e foi necessário uma prévia conversa com os turistas para que evitem algazarras e festas extravagantes. No geral, o lucro compensa o risco. O mesmo apartamento foi alugado na última passagem de ano e Carnaval pelo mesmo período, mas com faturamento de R$ 2,5 mil. As negociações podem ser diretas, porém, há sites especializados em locação e sublocação atuando na intermediação com os turistas. Para incentivar a prática, os depósitos são divididos, sendo a primeira parte do pagamento feita ao fim da negociação e restante na entrega da chave. Eventuais prejuízos são avaliados depois, mas de acordo com a estudante, quase não acontecem.

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A gentrificação do Vidigal e a colonização da comunidade

Quando a mocinha Helena invade o horário nobre sob as feições de Bruna Marquezine, mas uma forma de colonização é imposta ao restante do país. Tendo um dos núcleos da novela Em Família ambientado do Vidigal, o pai de todas as Helenas, Manoel Carlos, também coloniza a própria comunidade, cada vez mais invadida por estrangeiros. Não começou neste ano, mas a venda do estilo carioca foi transportada para o Vidigal. Com uma das vistas mais espetaculares do Rio, a comunidade foi pacificada em 2012, e barracos dividem espaço com mansões e hotéis de luxo na mais absoluta tradução da gentrificação da cidade. O termo aponta o aburguesamento e enobrecimento das regiões com ênfase na transformação do estoque imobiliário.

Ao que veio com a pacificação não tem, contudo, agradado os moradores antigos do Vidigal. Ninguém quer o retorno das balas cruzadas entre traficantes e policiais a qualquer hora do dia, mas a melhoria social também tem custos e nem todos estavam preparados para reorganizar as finanças e bancar o novo estilo. Houve melhoramentos e mais custos. O Vidigal está caro, mas é barato para os estrangeiros vindos de dentro do Brasil e, principalmente, fora deles. Comerciantes que atuam no ramo de entretenimento afirmam que as licenças para eventos saem com agilidade maior aos “gringos” e a vigilância sobre o barulho que eles produzem é menor.

Não só de reclamações e análises macroeconômicas vive a comunidade. Os ganhos sociais também são evidentes no processo de troca de informações proporcionado por tantos “gringos”. O ensino de idiomas, que fervilha nas sedes de escolas e ONGs nunca foi tão abundante e a convivência com o medo das imposições do tráfico e das milícias está quase todo no passado. Quase todo porque a milícia ainda age e sobre o cidadão. Entre os exemplos está o dos mototaxistas que precisam pagar R$ 50 ao dia aos milicianos para trabalhar sob “proteção”.

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