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23/06/2014 11:00

O difícil caminho das esquerdas no Brasil, a posição do povo e dos políticos

Mário Sérgio Lorenzetto
O difícil caminho das esquerdas no Brasil, a posição do povo e dos políticos

A divisão política entre direita e esquerda soa hoje como um anacronismo

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É assim para muitos. Essa divisão não é uma coisa do passado que está superada? Falar de direita e esquerda no século XXI, com a revolução nas tecnologias, as profundas transformações nas classes trabalhadoras e nas relações de poder, com a internet virando plataforma para convocação de manifestações, não é saudosismo ou falta de argumento?

Segundo a pesquisa DataFolha de dezembro de 2013, sobre o perfil ideológico dos brasileiros, 41% se identificam como sendo de esquerda ou centro-esquerda e 39% se identificam no lado oposto, direita ou centro-direita.

Mas os políticos continuam a se posicionar como se fossem de esquerda. Mesmo depois do junho de um ano atrás quando nos gabinetes, o sorriso largo e o bom humor deram lugar ao medo. Os governantes e os oposicionistas, em conjunto, tiveram medo de seus governados. E isso foi bom. Thomas Jefferson, que não era nenhum “black-bost”, já dizia que toda democracia precisa de uma rebeliãozinha de vez em quando, para regenerar as instituições.

Por outro lado, os autodenominados de esquerda se chocaram com um continente desconhecido - uma "nova classe média". A turma de "esquerda" encarou mal a descoberta do novo continente de classe média. Ora reagiu chamando de inaptos de pensamento, ideologicamente vazios, desorganizados e facilmente manipuláveis pela direita. Ora lhes deu as costas, decepcionando-se por não encontrar as "Índias" como previsto nos seus mapas e Bíblias de esquerda.

Contudo, o fato é que esse "continente" já está povoado de uma rede de multiplicidades em franca produção de pensamento, política e estratégia, de uma "classe selvagem sem nome". E a esquerda, independente de seus percentuais em pesquisa de opinião eleitoral, continua perdida, batendo a cabeça, procurando o rumo dentro do novo continente de classe média. Não sabem entender e muito menos responder a seus anseios.

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As transnacionais estão processando países e ganhando fortunas. Os perigos da Reforma do ICMS

Bastaram poucos menos de R$ 100 gastos em um processo judicial para que o grupo francês Veolia declarasse guerra a uma das únicas vitórias da "primavera árabe" dos trabalhadores egípcios: o aumento do salário mínimo de R$ 125 para R$ 227. Esse aumento salarial foi considerado inaceitável pela transnacional, que processou o Egito perante o Cirdi (Centro Internacional para a Regulamentação das Disputas Relativas aos Investimentos) – um braço do Banco Mundial pouco conhecido no Brasil. O motivo alegado pela multinacional Veolia - a nova lei trabalhista egípcia violava os compromissos assumidos com a cidade de Alexandria para o tratamento de resíduos.

Esses processos judiciais estão aumentando as fortunas das empresas. O grupo norte americano Cargill, instalado no Mato Grosso do Sul e em outros estados brasileiros, exigiu US$ 90 milhões do México pela criação de um novo imposto sobre refrigerantes. A Tampa Electric Company arrancou US$25 milhões da Guatemala por causa de um imposto sobre a eletricidade. O Sri Lanka teve de pagar US$ 60 milhões ao Deutsche Bank pelas alterações em um contrato de petróleo.

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Se houver mudança, haverá processo e dívida será impagável

Se por um lado os ganhos apresentados pelas transnacionais são preocupantes, os governos precisam garantir a seriedade do que escrevem e assinam. Não é minimamente aceitável a Cargill arrancar US$ 90 milhões do México como também os governos precisam garantir pelo menos três princípios: a igualdade de tratamento para empresas estrangeiras e nacionais, a segurança do investimento impedindo os poderes públicos de modificar as condições de exploração e a liberdade da empresa de transferir seu capital.

Há muitas décadas o governo paulista promove imensas campanhas publicitárias e políticas pela reforma do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Caso aprovada, será uma imensa quebra de contratos entre governantes de todos os estados e as empresas. Elas terão de pagar todo o imposto que deixaram de pagar aos cofres estaduais durante dezenas de anos. A tese comum é a de que elas "quebrarão". Ingenuidade. Elas processarão o Brasil e passaremos a ter uma dívida impagável.

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O Brasil está mais rico, mais culto e mais violento

Os índices de violência mostram que não basta melhorar a economia e a educação para fazer do país um local seguro e tranquilo. Nunca fomos tão ricos quanto somos hoje. A renda per capita, superior a US$ 12 mil atingiu um patamar inédito. O Brasil é também um país muito mais educado do que jamais foi. O analfabetismo considerado nas estatísticas nunca foi tão baixo. Pessoas que não sabem ler nem escrever coisa alguma já são menos de 9% da população com mais de 15 anos de idade. E para completar, a população universitária dobrou na última década e chegou aos atuais 7 milhões de pessoas.

Somos mais ricos e cultos hoje do que em qualquer outro momento da história, mas nos tornamos também mais violentos. Um em cada dez homicídios cometidos no mundo é registrado no Brasil. Só em 2012, mais de 50 mil pessoas foram assassinadas no país. São 25 homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes. Se temos uma população mais educada e com melhor condição econômica do que tínhamos no passado, a violência não deveria ter também caído?

É muito comum ouvir a palavra “investimento” quando se fala de segurança pública, como se o problema fosse o dinheiro. O Brasil investe cerca de R$60 bilhões por ano em segurança, que equivalem a 1,4% do PIB (Produto Interno Bruto). Proporcionalmente, é o mesmo valor investido pela França. A diferença dos resultados é abissal – lá, a taxa de homicídios é de 1,8 para cada 100 mil habitantes; aqui, de 25 para cada 100 mil habitantes.

Este é o principal problema sentido pelos brasileiros. Em dezembro, o Ibope fez uma pesquisa para saber o que as pessoas gostariam de ganhar no Natal. A resposta mais frequente, dada por um terço dos entrevistados, foi: o fim da violência.

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A ressaca dos shoppings – faltarão lojas

O mercado brasileiro de shoppings vive uma espécie de ressaca. Está prevista para os próximos quatro anos a inauguração de nada menos que 122 shoppings, um recorde. O problema é que está difícil encontrar lojistas para ocupar os novos empreendimentos.

Muitos shoppings têm sido abertos com menos da metade das lojas ocupadas. Um estudo da consultoria BG&H estima que a vacância média nessa nova onda de inaugurações será de 30%. Ou seja, faltarão 5 mil lojas.

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Alunos de baixa renda já podem pedir isenção da taxa de inscrição da Fuvest

Estudantes de baixa renda já podem solicitar a isenção da taxa de inscrição do vestibular Fuvest 2015. O valor da taxa é de R$ 145, e o prazo para pedir isenção termina no dia 11 de agosto. Para ter isenção total, a renda familiar não pode ultrapassar R$ 1.086 por pessoa. A primeira fase do vestibular será no dia 30 de novembro. Talvez essa nova geração acabe com o costume brasileiro de deixar tudo para ultima hora. Até entrar em estádio durante a Copa do Mundo estão formando longas filas com brasileiros que tentam entrar nos últimos minutos que antecedem as partidas.

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