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10/06/2015 08:25

O futuro será conectado em níveis tão profundos que mudará até mesmo a violência

Mário Sérgio Lorenzetto
O futuro será conectado em níveis tão profundos que mudará até mesmo a violência

O futuro do crime. A bandidagem de alta tecnologia.

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A internet das coisas, os implantes médicos inteligentes, os drones, as impressoras 3D, todas as máquinas ligadas à internet. O futuro será conectado em níveis tão profundos que mudará até mesmo a violência. As novas ameaças partem do ambiente virtual e alcançam a vida real (essas fronteiras desaparecerão). E isso tudo não é uma suposição. Está ocorrendo.
O que esperar dos próximos anos, quando todo tipo de informação estará na internet? Em que carros e marca-passos estarão conectados e poderão ser hackeados? Em que drones poderão ser usados para que criminosos se infiltrem nas conexões da internet de computadores e celulares de bairros inteiros?

O futuro da violência não está no combate de policiais com um revólver nas mãos, está ligado diretamente aos avanços da tecnologia. Há muito séculos o policial e sua pistola constituíam o aparato necessário para resolver os crimes. Ainda resolvem alguns (8% dos assassinatos). Resolverão nenhum. O policial e sua arma pertencem a um mundo prestes a desaparecer.

O cyber crime já responde pelo roubo de US$ 400 bilhões. No Brasil, eles roubaram R$ 1,4 bilhão. Mais de 800 milhões de casos de roubo de dados foram registrados em 2013. Em 2014, identificaram o primeiro ataque a eletrodomésticos inteligentes nos Estados Unidos, com 100.000 geladeiras e smartTVs atingidas. Nesse mesmo ano, a BMW anunciou que erros proporcionavam a ladrões de carro a capacidade de abrir portas e controlar o computador de bordo de 2,2 milhões de carros. Todos os carros da Toyota e da Ford podem ser controlados com o auxílio de um notebook, fato comprovado pela empresa IOActive. Os sequestros passaram a ser realizados com o auxílio do Facebook pois é possível saber a que horas a pessoa sai de casa, para onde vai e onde pretende estar. Considera-se "brincadeira de ladrão aprendiz" descobrir senhas de cartão de crédito e contas bancárias e movimentá-los fazendo compras ou desviando dinheiro. Os traficantes de drogas já começaram a usar a internet para negociá-las e os drones para fazer as entregas. E ainda discutimos a contratação de mais policiais, a aquisição de mais pistolas e carros. O Brasil parou no século XX.

O futuro será conectado em níveis tão profundos que mudará até mesmo a violência
O futuro será conectado em níveis tão profundos que mudará até mesmo a violência

As duas vacinas da dengue: testes e eficácia.

Em uma época atípica, fora do verão, o país passa por nova epidemia da dengue. Políticos e a população estão pressionando o governo federal para liberar as vacinas. Qual é a real situação da brasileira, produzida pelo Butantã, e da francesa do laboratório Sanofi?

A vacina que está sendo produzida pelo Butantã começou os testes clínicos em 2013 e atualmente se encontra na segunda fase do processo. Na primeira fase de testes, estudaram a toxicidade. Ela foi aprovada. Na segunda fase, observam os efeitos em voluntários, sem necessariamente expô-los à dengue. Essa fase está para ser concluída. Falta ainda a terceira fase. Nela, são feitos testes com milhares de pessoas - pretendem encontrar 17 mil voluntários. Só após a conclusão dessas fases é que se pode requerer o registro na Anvisa, para então ser comercializada. Já a vacina francesa está pendente de registro na Anvisa. Ela foi feita com partes do vírus da febre amarela e do vírus da dengue. Diferentemente da vacina do Butantã, ela requer três doses, e foi comprovada eficácia em apenas 60% dos casos, o que é considerado de baixa eficácia, assim como não pode ser administrada em crianças com menos de 2 anos de idade e em idosos. Em suma: não há data para termos vacina contra dengue.

O futuro será conectado em níveis tão profundos que mudará até mesmo a violência
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A Apple é dos Beatles e não de Jobs.

Paul, John, George e Ringo converteram em ouro tudo que tocavam, mas seu êxito como homens de negócios não esteve à altura de sua fama musical. Em 1968 fundaram a companhia Apple Corps Ltda., com divisões dedicadas à eletrônica, ao cinema, à moda e à música. Na prática, a seção discográfica, Apple Records, foi a única que obteve sucesso ao converter-se em selo dos próprios Beatles e de artistas como Billy Preston, Mary Hopkin e Badfinger. Em 1978, os Beatles iniciaram uma batalha na justiça contra a recém nascida Apple Inc., a empresa de informática de Steve Jobs, acusada de utilizar a mesma marca. O litígio foi resolvido três anos depois: Steve Jobs pagou uma indenização aos Beatles e se comprometeu a não entrar no mercado musical.

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Os "youtubers" já disputam com a TV a audiência do público jovem.

Dá para acreditar que uma parcela ponderável dos jovens não sabe o que é novela das oito, Jornal Nacional ou horário nobre? Eles existem e estão em crescimento exponencial, são os denominados "youtubers". Uma geração que gosta de se comunicar através de vídeos, sem muita edição, na internet. Falam sobre música, discutem os novos games, ensinam novas receitas culinárias, fazem um tutorial de maquiagem e para horror de muitos, ensinam a enrolar um cigarro de maconha. O espaço é ilimitado e livre. Alguns acreditam que é uma moda passageira, mas na opinião dos especialistas em comunicação é uma tendência irreversível. É um novo (nem tão novo) meio de comunicação que se instalou entre os mais jovens mas que vem conquistando gerações mais velhas.

Os canais do YouTube estão para a TV, como os shoppings estão para o comércio de rua. Há um grande público que já se deslocou e outro que está com as "malas prontas" para a mudança. Hoje, já há centenas de canais no YouTube, mas os mais populares do Brasil são: Porta dos Fundos, com 10 milhões de inscritos. Na sequência vem Parafernalha, Programa Galo Frito, 5incoMinutos, Venon Extreme, Não Faz Sentido, Cauê Moura, Manual do Mundo, Canal Nostalgia e Galinha Pintadinha.

É um negócio que pode ser rentável. Uma pesquisa encomendada pelo Google, no segundo semestre de 2014, revelou que já existem 70 milhões de espectadores de vídeos online no Brasil, consumindo, em média, oito horas semanais de vídeos na internet, o que pode representar um negócio razoável para os mais vistos. Eles recebem de acordo com as visualizações das publicidades que aparecem. Quem conseguir entre 500.000 e um milhão de inscritos em seus vídeos, pode chegar a ganhar R$ 6.000 por mês.

O futuro será conectado em níveis tão profundos que mudará até mesmo a violência
O futuro será conectado em níveis tão profundos que mudará até mesmo a violência

A época em que as ciências auxiliavam o apartheid.

A segregação racial na África do Sul, institucionalizada legalmente em 1948, se apoiou em médicos, biólogos, antropólogos, pedagogos e historiadores que justificaram a privação de direitos e liberdades. As mesmas ideias eram adotadas pelos cientistas no sul dos Estados Unidos e nas zonas aborígenes da Austrália. Os negros foram divididos em uma dezena de grupos étnicos, mas os brancos não se dividiram, apesar de existirem holandeses, ingleses, portugueses.

A antropologia jogou um papel crucial. Era uma disciplina com grande tradição na África do Sul. A maioria dos cientistas propugnavam a existência de raças puras. Além do mais, sustentavam que essas raças estavam hierarquizadas, com os brancos no ápice da pirâmide e, na base, os hotentotes (grupo negro local), que seriam próximos do homem do Paleolítico. Biólogos e médicos receberam grande influência do movimento "eugenésico", muito potente no Ocidente nessa época. Em diversos países europeus ocorreram esterilizações massivas de enfermos mentais e de indigentes. Os eugenistas propunham o controle do fator genético. Diziam que havia a necessidade de lutar contra a "degeneração racial". Nos formulários do departamento de assuntos nativos consideravam que o futebol era um esporte de negros e o rugby, de brancos. Gosta de futebol? Então, é negro.

Os pedagogos partiam da ideia de que os negros tinham menor capacidade intelectual e que se devia prepará-los só para os "trabalhos que poderiam chegar a desempenhar", para que não "criassem expectativas errôneas". A África do Sul, assim, criou a denominada "Educação Bantú". Os negros rechaçaram essa educação e as escolas foram, durante muitos anos, um autêntico campo de batalha. Todavia, existia um grande problema - desvincular as ideias do apartheid do racismo nazista alemão. Jamais conseguiram. O apartheid encerrava os negros em diminutas e empobrecidas reservas "tribais" (os denominados "homeland") e os considerava estrangeiros nas ricas e extensas zonas brancas. Desta forma os negros não só dispunham de menores extensões de terra e de serviços de pior qualidade, como também viam negada sua liberdade de movimentos: deviam levar um "passe" para circular nas zonas brancas. Muitos geógrafos foram chamados para colaborar na confecção da complexa cartografia do apartheid. E os urbanistas foram encarregados de reestruturar os espaços públicos urbanos - planejaram os "townships" onde viviam os negros, criando zonas residenciais para as dezenas de "tribos" negras e fortificando as zonas brancas. Em toda essa trama racista, os historiadores também tinham um papel reservado: foram eles que criaram uma mitologia (apelidada de história) que situava os brancos à frente dos negros.

O futuro será conectado em níveis tão profundos que mudará até mesmo a violência
O futuro será conectado em níveis tão profundos que mudará até mesmo a violência

A pobreza cubana e a "atualização" do sistema socialista.

Cuba funciona com duas economias paralelas: a do peso e a do peso cubano conversível - a nova moeda dos turistas e dos cubanos que trabalham nesse setor. Um peso conversível equivale a 24 pesos tradicionais e visa a substituir o dólar. O crescimento da economia não existe. Talvez chegue a 1% em 2015. A pobreza atinge 20% da população. Em 1986, essa camada da população equivalia a 6,6%. A supressão do carnê de racionamento, a "libreta", foi anunciada e logo depois voltaram atrás, pois teria pesado sobretudo sobre os mais pobres. Em uma sociedade que se pretende igualitária, as vítimas da pobreza do país aparecem mais claramente.

Os assalariados do governo cubano, remunerados em pesos tradicionais, recebem salários que não são suficientes para a sobrevivência. Os idosos - 1,7 milhão de cidadãos - percebem pensão insuficiente em relação ao custo de vida. Outro contingente volumoso de pessoas que não conseguem sobreviver com o que recebem do governo é o das mães solteiras, bem como os habitantes dos "estados orientais". Em outro patamar, que permite um padrão de renda razoável, estão os funcionários de empresas mistas, assalariados do setor de turismo, os trabalhadores rurais do setor agrícola privado e uma parte dos pequenos empresários, denominados "cuenta propistas".

Em março de 2014, o governo cubano adotou uma nova lei sobre os investimentos estrangeiros, apresentada por Raúl Castro, o irmão-presidente de Fidel Castro, como "crucial". À exceção da saúde, da educação e da defesa militar, todos os setores estão abertos ao capital estrangeiro, com isenção de impostos durante oito anos, ou ainda mais em alguns casos, notadamente nas "zonas especiais de desenvolvimento econômico", como o porto de Mariel, construído com o auxílio do governo do Brasil. É o que eles denominam de "atualização" do socialismo cubano - eufemismo para designar a liberalização econômica em marcha. Dentro de 3 anos, Raúl Castro deixará o poder; a geração de Sierra Maestra irá para a aposentadoria. Tudo indica que o regime socialista cubano seguirá o mesmo caminho.

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