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26/01/2016 08:11

O novo Vaticano de Francisco

Mário Sérgio Lorenzetto
O novo Vaticano de Francisco

"Bertone e o Banco do Vaticano são a prova de que Satanás existe". Essa era a manchete de um jornal em 2012. Tudo continuou a piorar na sede da religião católica. O ano de 2010 foi considerado como "annus horribilis". Foi dominado por revelações horripilantes de falcatruas, assédios e estupros. Depois, em 2012, veio o escândalo conhecido como Vatileaks: páginas e páginas de documentos começaram a aparecer na imprensa italiana, revelando todo um mundo de corrupção financeira e de cruentas lutas internas.

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Francisco vem promovendo profundas reformas em diversos setores, como transparência financeira, intolerância no trato com abusos sexuais perpetrados por padres, abertura diplomática entre Cuba e Estados Unidos e a reforma da Cúria. Foi interrompido o padrão da transferência silenciosa de padres criminosos, o Vaticano exonerou 384 padres.

Também foi instituída uma agência reguladora das finanças, a Autoridade de Informação Financeira (AIF), que passou a controlar o Instituto para as Obras de Religião (IOR). Antes, o dinheiro do Vaticano era fonte de embaraço, figurava entre os 10 maiores paraísos fiscais offshore do mundo, abrigando evasões de impostos e lavagem de dinheiro.

Foi assinada uma lei anti-lavagem de dinheiro com o propósito de identificar transações suspeitas e trocar informações com bancos estrangeiros. Em silêncio foram fechadas 4.600 contas. Quinze pessoas passaram a integrar um comitê de supervisão econômica - composto por oito cardeais e sete leigos. Também foi nomeado um auditor-geral, que além de poder auditar qualquer entidade do Vaticano, responde diretamente ao Papa. Francisco se diz "um pouco ingênuo", mas também " um pouco furbo" (astuto, esperto, malandro).

São famosos seus gestos que denotam uma vida de humildade e caridade altruística. Mas também está se tornando famosa sua insistência em "chacoalhar as formas tradicionais de governar o Vaticano". Já no início de seu mandato identificou cerca de US$ 1,2 bilhão que nunca constaram do balanço do Vaticano. Quando começaram a trabalhar, disseram que o Vaticano compreendia por volta de 65 instituições, verificaram que são 136.

Como é que alguém descobre ser possuidor de US$ 1,2 bilhão e de 71 instituições a mais? Estima-se que o Vaticano seja o dono de 20% dos imóveis de toda a Itália e de 25% dos imóveis de Roma. Até o estilista Valentino pagava uma ninharia pelo aluguel de um imóvel de luxo pertencente ao Vaticano. Era uma bagunça generalizada. Os imóveis do Vaticano foram estimados em US$ 3 trilhões, soma comparável ao PIB da Rússia ou do Brasil. Todo esse imenso patrimônio está sendo organizado. O grupo que conta com a simpatia de Francisco deseja operar dentro do sistema capitalista para mudar um pouco o próprio sistema, investir diretamente em países pobres e mudar sua estrutura.

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O novo Vaticano de Francisco

A regulamentação do lobby no Brasil.

O noticiário é farto na utilização da palavra lobista. Alberto Youssef é o mais renomado lobista. Alexandre dos Santos e Fernando "Baiano" Soares, seguem de perto o primeiro. Mas há uma verdadeira multidão de outros sem nome - clandestinos. Quem frequenta o mundo político do Mato Grosso do Sul sempre ouve comentários das atividades do marido de uma vereadora que se comporta como se fosse vestal da honestidade. E a hipocrisia personificada, ela teria a pretensão de denunciar empreiteiras. Esse marido de vereadora agiria em vários municípios interioranos. Seria a ponta da venda de emendas e dinheiro egresso de Brasília. O esquema funcionaria assim: um parlamentar do Mato Grosso do Sul viabilizaria recursos públicos na capital federal, o lobista iria a uma prefeitura e acertaria um percentual para o parlamentar e para seu próprio bolso.

Há lobistas para todos os gostos e todos os partidos. Alguns recolhem assinaturas em projetos, outros recolhem dinheiro público para os bolsos. Mas há, ainda, aqueles que defendem ideias e projetos, visam construir leis de interesse para organizações empresariais, movimentos classistas, religiosos e de vários segmentos organizados da sociedade. As atividades dos últimos são tão ilegais quanto a dos que funcionam como pontes de propina. Essa atividade de buscar pelo convencimento de parlamentares e governantes deveria ser legalizada. Cada lobista precisaria registrar seu nome, entradas e saídas de prédios públicos, com quem conversa e o que é pedido, e quanto gasta. Tal como é feito nos Estados Unidos.

A regulamentação do lobby do convencimento (jamais o da propina), cujo objetivo primordial é dar transparência a essa atividade inevitável em uma democracia, parece ser algo que não interessa aos parlamentares. Mas seria um passo importante para acreditarmos no funcionamento do Congresso (e das Assembleias Legislativas). Emenda parlamentar não pode ser sinônimo de propina parlamentar.

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A legalização do jogo no Brasil.

Só não enxerga quem é cego por opção. O Brasil é o país do jogo. Quase toda semana a jogatina toma conta do noticiário devido aos valores acumulados na Mega Sena. Quem anda por São Paulo e Rio de Janeiro passa pelas imensas construções dos Jockeys Clubs. Eles nada mais são que templos da jogatina. Neles, aposta-se em cavalos com o intuito de ganhar dinheiro. A banca, como em todo jogo, vence na maioria das vezes.

Joga-se semanalmente em várias loterias governamentais. É mais um imposto disfarçado de jogo pela sua imensa dificuldade de sagrar um vencedor. Um banco estatal, a Caixa Econômica Federal, é responsável pelo jogo. Joga-se no bicho. Aposta-se em jogos também pela internet.

Qualquer adolescente aficionado por futebol pode entrar em páginas de apostas de diversos campeonatos de futebol. O jogo está disponível para qualquer brasileiro, em qualquer lugar, a qualquer hora. Ainda assim, é preciso legalizá-lo. Risível. Estima-se que a legalização do jogo, com o estabelecimento de cassinos, levaria a um aumento de arrecadação governamental de pelo menos R$20 bilhões. Talvez nos veríamos livres da famigerada CPMF, seria uma troca tentadora. Se o debate for de ordem moral bastaria indagar: o dinheiro retirado do Brasil, clandestinamente, pelos milionários, que acabam de legalizar, tem alguma face de moralidade? É um debate ácido, devido a um possível aumento da atividade ilegal, mas necessário.

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Tailândia: do ópio ao chá.

Durante quase um século, o norte da Tailândia fazia parte do apelidado "Triângulo do Ouro" - extensas plantações de papoula, que nas mãos de alguns barões, originavam o ópio. Em 1969, o rei Bhumibol consegue financiamento norte-americano e lança o programa Royal Projects. Subsidia milhares de famílias da região a trocarem as plantações de papoula por chá, café e flores. Neblina e frio fazem parte dos terraços nas montanhas tailandesas. Clima favorável para o surgimento de um dos melhores chás do mundo. O Oolong, chá dessa região, adquire fama mundial. Inúmeros benefícios à saúde lhe são imputados. Rico em antioxidantes, vitaminas e cálcio. Também auxiliaria na prevenção ao câncer e evitaria problemas cardiovasculares. Saíram das plantações que originavam droga, para uma que lhes rende a subsistência, com fama de auxiliar da saúde. Um câmbio espetacular. O exemplo a ser seguido, com auxílio brasileiro, na fronteira Brasil- Paraguai da maconha, e na Bolívia da coca.

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O fim da hierarquia e dos chefes.

O novo século criou um novo tipo de organização empresarial. Elas têm poucos níveis hierárquicos, trabalham em times e os escritórios são divertidos, um clima de alegria típico da faculdade. O Google funciona assim. Facebook também.

Agora, uma nova leva de organizações, a maior parte da área tecnológica, vem testando os limites do conceito de gestão horizontal. Ninguém tem chefe, nem cargo e, o mais incrível, não tem metas. Cada um vai atrás do trabalho que quer fazer e negocia suas responsabilidades com os colegas. Esse é o caso do site norte-americano Zappos, seus 1.500 funcionários vendem roupas e calçados. Também funciona com esse modelo a Valve, outra norte-americana que conta com 100 funcionários produzindo games. Mas a novidade chegou ao Brasil. A Vagas.com tem 160 funcionários que trabalham com recrutamento online. Será apenas uma tendência passageira? Veio para ficar?

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