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21/05/2015 07:42

O trem chinês. Um momento em que se faz a história ou cai no ostracismo

Mário Sérgio Lorenzetto
O trem chinês. Um momento em que se faz a história ou cai no ostracismo

O trem chinês. Um momento em que se faz a história ou cai no ostracismo.

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Uma parcela determinante do sucesso, da riqueza e do desenvolvimento do Mato Grosso do Sul é devido a uma única conquista: a estrada de ferro que liga Corumbá a Bauru (SP). A história dessa vitória é longa e tortuosa. Desde a guerra contra o Paraguai já se discutia a construção de uma estrada que unisse o Rio de Janeiro (sede do Império) ao antigo Mato Grosso. O primeiro batalhão de soldados enviado de Uberaba para defender o Mato Grosso levou 8 meses para chegar à Vila de Coxim. Ela já estava queimada e abandonada. Essa derrota foi um dos marcos para a construção de uma via férrea.

O primeiro traçado cogitado saía de Curitiba (PR) e chegaria a Miranda. Uma estrada imaginada pelo Barão de Mauá, tido como o mais importante empresário da história nacional. O segundo plano ligaria Uberaba (MG) a Coxim. Em 1904 foi criada a Companhia Estrada de Ferro Noroeste do Brasil que criaria a estrada entre Agudos(SP) e Cuiabá. Em 1905 esse trajeto começou a ser construído e rapidamente foi mudado para uma nova ideia - ligar Bauru a Cuiabá.

Em 1907 se dá a mudança para outro trajeto - a estrada ligaria Bauru ao Rio Paraguai (sem chegar a Corumbá). E em 1908 vem a versão final - Bauru a Corumbá. Um longo caminho espinhoso fora coberto. Uma grande disputa política fora travada. O Mato Grosso do Sul teve uma estrada férrea cujo apogeu se deu nos anos 1950, 1960 e 1970. A estrada só chegou em Corumbá em 1952. A história não é feita em linha reta. Ela é como uma estrada férrea, muitas curvas são feitas. Estamos, neste momento, na encruzilhada da história. Há como subir no trem chinês? Ficar fora desse trajeto poderá significar 100 anos de ostracismo. É possível aplacar os ódios e jogadas políticas entre partidos e nos unirmos para lutar pela inclusão de nosso estado no trem chinês? Se o trem chinês não passar pelo Mato Grosso do Sul, o trem da história poderá nos atropelar.

O trem chinês. Um momento em que se faz a história ou cai no ostracismo
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O frisson do Prefeito e a má imagem do Mato Grosso do Sul.

Foi um frisson. Poucas vezes se viu tantos esperando o que já sabiam que iria acontecer. A notícia já havia saído, à exaustão, nos meios de comunicação de Campo Grande. Olarte, o prefeito, estaria envolvido em um golpe com cheques em branco? Para além da alegria de muitos que se esbaldaram com o prefeito de triste figura, algumas preocupações podem ser pertinentes. Quem emitiu e assinou os cheques são anjos de candura? Será que não estavam almejando um golpe nos cofres da Prefeitura da Capital em conluio com o "amigo" do Olarte? Essa é uma preocupação emanada tão somente da necessária postura democrática. Na democracia a justiça tem de ser feita.

Mas, a maior preocupação é com a imagem do Mato Grosso do Sul nos últimos meses. Tornamo-nos a terra dos tarados, patetas da tempestade e golpistas do cheque em branco. Sofremos, desde a criação do Estado, de um problema crônico. Os demais brasileiros trocam o nome de nosso Estado e de Campo Grande com o do vizinho Mato Grosso e Cuiabá. Talvez o futuro resolva essa questão. Só gritar o nome do nosso Estado, corrigindo os erros de tantas personalidades e autoridades, é de uma insignificância inacreditável.
Também sofremos com os milhares de apreensões de drogas e armas feitas em nosso território, saídas do Paraguai e Bolívia. A impressão é de que somos desleixados, senão cúmplices de um crime cometido pela desfaçatez dos governantes de Brasília que, historicamente, não apetrecham a Polícia Federal minimamente.

E agora surgem os três casos quase concomitantemente: os políticos que abusavam das meninas, os governantes de Camapuã com sua tempestade inexistente e o Prefeito de Campo Grande com os cheques em branco. Péssima imagem vendemos de nosso Estado. Sem direito a diferenciar nosso nome, sem direito a mostrar nossa riqueza, sem direito a defender nossa capacidade de organizar a segurança pública e sem direito a mostrar uma terra erguida por homens e mulheres trabalhadores.

O trem chinês. Um momento em que se faz a história ou cai no ostracismo
O trem chinês. Um momento em que se faz a história ou cai no ostracismo

São Luís, protegei o prefeito.

São Luís não foi apenas mais um santo no enorme panteão da igreja católica. Ele foi o monarca que governou a França, a partir de 1218, quando tinha apenas 4 anos. Foi como soberano "cristianíssimo" que Luís se esforçou para dirigir o reino e assegurar seu próprio bem e o de seus súditos. É ele quem torna obrigatória uma medida que já havia sido usada anteriormente, mas sem o caráter da obrigatoriedade: a "quarentena do rei". Em caso de conflitos que se transformariam em guerra, um intervalo de 40 dias deveria ser observado entre a ofensa feita e a abertura das hostilidades, a fim de buscar, nesse lapso de tempo, o apaziguamento entre os beligerantes. Essa medida varou os séculos e é a "trégua" usada nas guerras de nosso século e dos anteriores.
Mas ele inovou em outras áreas. Em 1247, abriu os famosos "inquéritos de reparação". Em muitos casos, bens tomados arbitrariamente pelos reis, nobres, juízes e bispos que os antecederam foram devolvidos a seus proprietários, nobres ou plebeus. A população ficou espantada, habituada que estava aos exageros e desmandos dos poderosos. É claro que essa atitude exemplar não encontrou eco nos poderosos, nos séculos que se passaram após sua morte.

Luís também promoveu as "amplas ordenanças". Uma reforma completa do reino francês. Os membros da magistratura e da arrecadação de impostos - prebostes, bailios e senescais - se viram na obrigação de impor regras de conduta muito estritas na administração da justiça e no recolhimento de impostos. Luís dizia, e exigia, que essas pessoas são responsáveis pelos bens do Estado e deveriam cuidar de não misturá-los como os seus próprios, como era costumeiro. Mas a "ampla ordenança" não cobrou resultados apenas de juízes e fiscais de impostos. Todos os funcionários do reino ficaram proibidos de frequentar tavernas e "fornicar" prostitutas, algo que era ainda mais comum naquele reino. Além disso, toda injúria, toda blasfêmia passou a ser severamente condenada. Eram graves problemas da época que encontram em nossos dias, outros de maior envergadura.

Luís ainda tornou-se um árbitro de conflitos. Convocavam-no para dirimir disputas entre nobres, entre reis e até de papas com alguns reis. A reputação dele atingiu níveis jamais alcançados. Foi um mediador incomparável, um "promotor da paz" como era chamado. Já considerado santo, mesmo em vida, ele teve essa condição reconhecida pela igreja muito rapidamente. São Luís, protegei o prefeito, ainda que ele não acredite em um só de seus atos ou de suas palavras.

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O levante nacional dos professores.

Professores municipais à beira da greve, lutando por aumentos salariais. Professores da rede estadual discutem o mesmo tema, e a greve é iminente. Se não bastasse, os professores universitários da rede federal, decidiram entrar em greve nacional no dia 28 de maio. Só está restando os professores da rede particular...por enquanto. Deve ser o efeito da tal "Pátria Educadora", os governantes criaram uma expectativa impossível de ser concretizada na "Pátria do Pessimismo".

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O Financial Times e a descrença no Brasil.

Quando se trata de Brasil o Financial Times sempre é grandiloquente. Esse que é um dos maiores jornais do mundo da economia acostumou-se a pintar o Brasil com cores grandiosas. Nos últimos anos com cores catastróficas. Suas últimas manchetes mostram um país em bancarrota, totalmente bagunçado. Começou titubeante com: "Brasil ora vem, ora vai". E continuou com "Brasil e México, um conto de dois escândalos", "Os bancos do Brasil sentem saudade" e sobre a Petrobras: "Asfaltada por corrupção".

A mais recente matéria desse jornal londrino trata novamente da Petrobras. Uma extensa matéria em que descreve um cenário de calamidade no Brasil. O título: "Brazil oily mess" (algo como "Brasil bagunça oleosa”) trata o nosso país com ironia e desdém: "Na sociedade hiperconsumista brasileira, as pessoas estão acostumadas a pagar por tudo em prestações, desde geladeiras e televisores a implantes de silicone nos seios. Mas o que menos se sabe é que até mesmo propinas a partidos políticos podem supostamente ser pagas em parcelas".

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