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06/01/2015 07:29

Olimpíadas, carnaval e o jeitinho brasileiro: 2015 ainda não começou?

Mário Sérgio Lorenzetto
Olimpíadas, carnaval e o jeitinho brasileiro: 2015 ainda não começou?

A marra carioca e o ano que não houve

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Certeza mesmo de que o ano iniciou no Brasil, só após o Carnaval. Mas, existem algumas possibilidades de que tenhamos dado a largada em mais um ano com recorde de feriados. Em 2014, contabilizamos o ano que não houve: pulamos de 2013 direto para 2015 e, quando nele chegamos, fomos descobrir que, provavelmente, teremos que aguardar até 2016. Será?

Em janeiro e fevereiro, todas as atenções estarão voltadas para as primeiras ações dos novos governantes e o Carnaval. Aliás, ontem, em terras cariocas, foi dado o início do período carnavalesco.

Em seguida, começaremos a nos preocupar com as Olimpíadas. Um evento forçado para o tamanho de nossa riqueza que, quando de sua aprovação, tinha dois pressupostos - o de que o nosso crescimento continuaria a ter um ritmo chinês e de que consolidaria o petismo definitivamente no poder. Nenhum deles foi efetivado. O ritmo econômico desceu a quase zero e o petismo continuou no poder por uma "linha", por um "átomo" de votos.

As obras na cidade do Rio de Janeiro para as Olimpíadas estão com muitos problemas. Algumas com atraso de um ano. Os responsáveis dizem que não há problema (como se comandassem os céus e as chuvas). Outras, com atrasos decorrentes de greve. E há promessas de novas investidas grevistas. E duas suscitam dúvidas até nos cariocas mais otimistas (quase todos): o campo de golfe, que está embargado pela Justiça, sob a suspeição de crime ambiental, e o complexo para uma das provas de canoagem. Esse último é o mais incrível exemplo de tentativa de resolver os problemas sem resolvê-los, o famoso e famigerado "jeitinho brasileiro": ninguém consegue pensar que esse centro olímpico para uma prova de canoagem será terminado a tempo para as competições.

Primeira solução apresentada: mudar o local da prova para a cidade de Foz do Iguaçu, no Paraná. A alternativa foi negada. Querem concentrar todos os jogos, sem nenhuma exceção, na pretensa " Cidade Maravilhosa". O argumento utilizado foi o do encarecimento das obras. Encarecimento? Como pode ser mais cara uma reforma de um

centro existente do que um centro inteiro a ser construído? Não admitem mesmo é " tirar" uma ínfima parte do Rio de Janeiro. E, a continuar agindo dessa maneira, conquistarão a medalha da antipatia.

Enfim, o futurólogo " Pai de Camapuã" garante: fortes emoções, problemas imensos e uma torrente de críticas aguardam os preparativos para os Jogos Olímpicos. Teremos povo nas ruas gritando contra os gastos que prometem ser olímpicos? O tempo responderá à indagação. Mas a previsão de que teremos outro ano econômico truncado pelo excesso de feriados é indiscutível. Ou não? Será que o parlamento brasileiro não aceita alguma mudança no calendário? Mesmo que válida apenas para 2015? Existe o perigo real de pularmos de 2014 para... 2017!

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Dilma envia raios de sua frigideira para cima do Ministro do Planejamento

Nelson Barbosa, o novo Ministro do Planejamento que acaba de tomar posse, é um professor universitário respeitável, com formação na Universidade Federal Fluminense e pós- doutorado na New School de Nova York. Também é um funcionário público experiente, com passagens pelo Banco do Brasil, pela Vale, BNDES e outros tantos postos de comando. Sua última tentativa como administrador público foi a de tentar exercer com dignidade e muito trabalho a Secretaria Executiva do Ministério da Fazenda. Nessa ocupação, os obstáculos foram tão intransponíveis que Nelson Barbosa viu-se na posição de demissionário como única alternativa. Não se deu bem com a equipe do ex- czar da economia Guido Mantega.

Na formação da nova equipe econômica, que acaba de tomar posse, Nelson Barbosa tinha reais condições de assumir a posição principal - a de Ministro da Fazenda. Sob intensa pressão empresarial, a Presidenta Dilma acabou escolhendo Joaquim "Mãos de Tesoura" Levy e, assim, Nelson Barbosa foi escalado para a posição secundária de Ministro do Planejamento.

Em maio de 2014, Barbosa apresentou um estudo à FGV, onde estava lecionando, sobre uma proposta de cálculo da correção do Imposto de Renda. Nessa ideia, a variável mais importante passaria a ser o aumento do PIB por pessoa ou por trabalhador. Já exercendo a função de Ministro do Planejamento, Nelson Barbosa deu uma declaração à imprensa, no dia 2 de janeiro, que iria propor mudanças na fórmula de reajuste do salário mínimo. Os cálculos iniciais seriam desfavoráveis aos trabalhadores, mas bem mais próximos ao atual momento da economia nacional, um reajuste mais sustentável e com

possibilidades de ser mais duradouro. Os resultados finais desses cálculos levariam às seguintes possibilidades: ao invés do aumento de 8,84% que teve o salário mínimo, teria 7,6%, se usasse o PIB por pessoa, ou 7%, caso usasse o PIB por trabalhador.

Com receio de pressões excessivas por parte dos sindicalistas, a Presidenta Dilma resolveu desdizer seu novo Ministro do Planejamento, ao garantir que o cálculo do reajuste do salário mínimo continuará como está. Um mau começo. A frigideira de Dilma já começou a emitir seus raios.

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Alckmin, picolé de chuchu cuja vitória beneficia o MS

Em 2006, o desconhecido anestesista de Pindamonhangaba e vice governador de Mario Covas lançou-se candidato a Presidente da República, chocando-se com as pretensões de José Serra, então o aclamado prefeito paulistano. Ficou célebre a foto no restaurante Massimo - conhecido pela excelência da cozinha e pelo preço extorsivo - onde Fernando Henrique Cardoso, Aécio Neves e José Serra se reuniram durante um jantar e beberam duas garrafas de vinho no valor de R$ 600, enquanto discutiam a candidatura tucana. Nesse mesmo momento, Alckmin estava em um rodízio de carnes a R$ 15,90, conversando com o baixo clero do partido. Serra depois sairia candidato ao governo de São Paulo e Alckmin à Presidência da República, sem o apoio de FHC e de Aécio.

Em Minas, Aécio tentava a reeleição e divulgava a chapa "Lulécio", fazendo de tudo para descolar sua imagem de Alckmin. Sobrou o Serra para apoiá-lo. Conseguiu uma façanha: terminou a campanha com 2,4 milhões de votos a menos do que teve no primeiro turno. Só e abandonado por quase todos os tucanos.

Em 8 de março de 2013, o recorde de Ademar de Barros de permanência no cargo de Governador do Estado de São Paulo, a capital econômica da América Latina, foi quebrado por Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho. O anestesista de 62 anos já passou 3.300 dias no comando de São Paulo.

Um de seus marqueteiros deu a pista para tamanha longevidade: "A sua eleição ocorreu mais pela aprovação à sua imagem do que pela sua gestão". Até o mais próximo tucano de Alckmin sabe: sua gestão é considerada medíocre. Em nada se sobressai. Em contrapartida, ele é um "cara conservador, extremamente católico, com atitude republicana e uma visão cristã das coisas. Entende que o Estado tem de ajudar os mais pobres, mas não é nem de longe um revolucionário. Ele não é elitista, parece uma pessoa comum da classe média". Quando algum "caboclo meio chique" aparece no Palácio

Bandeirantes, sede do governo, Alckmin o leva para passear na favela ao lado - Paraisópolis - "Nego toma um susto. Essa é uma das imagens do picolé de chuchu que governará São Paulo novamente. Um teflon: pode bater que nada gruda nele. Nem mesmo o escândalo do metrô, martírio dos tucanos, o atingiu. A sobriedade e o governo voltado para os mais humildes seguram qualquer tentativa de destruição de sua imagem.

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O perigo mora em São Paulo e não em Brasília

Nas últimas eleições, três candidatos prometiam uma disputa acirrada pelo "trono" da capital econômica latino-americana: pelo PT, Alexandre Padilha, uma candidatura tão incompetente que não recebe nem mesmo as condolências das críticas; pelo PMDB, o candidato mais perigoso para o Mato Grosso do Sul, Paulo Skaf.

Em alguns momentos da campanha montada a partir da ultra poderosa Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Skaf ofereceu perigo à campanha do tucano Alckmin. Mas o perigo foi passageiro e se desvaneceu no ar das elites pensantes e econômicas paulistas.

Skaf sem dúvida, se vencesse, colocaria o governo paulista em pé de guerra com os demais Estados periféricos brasileiros, em especial os que lhes fazem fronteira, caso do Mato Grosso do Sul. Alckmin continuará a lutar em prol dos interesses industriais paulistas, mas sem transformar a causa em primeira e mais importante missão a ser cumprida por seu governo. Os nossos novos governantes devem continuar a manter a preocupação com o futuro de nossa economia, que sempre estará em litígio com os interesses paulistas. Mas é possível conduzir esse debate sem maiores dramas, desde que o Estado de São Paulo honre sua dívida, que ultrapassa a casa dos R$ 700 milhões para com o nosso Estado.

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