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22/11/2016 07:08

Os milionários "não políticos"

Mário Sérgio Lorenzetto
Os milionários não políticos

A reação dos brasileiros, indignados com a gente que vem elegendo, foi absterem-se como nunca (apesar do voto ser obrigatório e ter de pagar multa) nas últimas eleições. Ou votarem em candidatos fora do sistema. Como as doações das empresas foram proibidas, os concorrentes tiveram de recorrer, em muitos casos, ao próprio patrimônio. Dos cerca de 5.500 prefeitos eleitos, algo com 1.100 tem recursos próprios superiores a R$1 milhão. E mais: das 26 capitais, 11 serão governadas por milionários.

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O Brasil acaba de construir um novo "modelo" de político. Ele é um político "não político", para escapar do estigma que foi criado. É como no passado, que dizia que "comunista come criancinha no almoço". O antigo político do século XXI no Brasil "come criancinha e velhinho". Um ser hediondo. O novo político (aquele que vende a imagem de "não político"), também é, quase obrigatoriamente, milionário.

Em São Paulo, por exemplo, ganhou o milionário João Doria, cujo slogan de campanha era "não sou político, sou empresário". No Rio de Janeiro, venceu um bispo da igreja milionária IURD. E em Belo Horizonte, um ex-cartola de futebol, também milionário. Empresário, bispo e cartola. Todos milionários ou ligados a fortunas.

E entre as medidas mais comuns dos novos autarcas brasileiros é abdicar de seus salários. Com pompa e circunstância mediática. Pensando bem, Donald Trump, no fundo, é só uma versão, à escala planetária, do novo autarca brasileiro.

Os milionários não políticos

Insurreição contra políticos chega à Itália. O "não" à reforma do governo deve vencer

A "Mani Puliti" levou à prisão ou ao ostracismo uma parcela significativa dos políticos italianos. Sobrou Berlusconi. Mas o país tentou se reorganizar e escolheu Renzi para sua administração. Um perfil mais técnico. A proposta de uma reforma da Constituição da Itália é considerada como fundamental para que, após quase 15 anos de “marasmo", retome o crescimento de sua economia e saia da interminável crise política em que se meteu.

Dentre as principais medidas propostas pelo governo Renzi estão a diminuição dos poderes do Senado e a extinção de províncias (semelhantes a nossos Estados). Todavia, as quatro últimas pesquisas de opinião pública divulgadas, garantem que o plebiscito proposto por Renzi o derrotará. O principal jornal italiano "Corriere della Sera" deu uma margem de vantagem ao "não" de 10%. Renzi diz que caso o plebiscito derrote suas propostas pedirá demissão: " não vou ficar a pairar", em caso de derrota.

Depois do Brexit, das eleições municipais brasileiras e da vitória de Trump, chegou a vez da Itália. Só que por lá, essa já é a quarta vez que a população se indigna com seus políticos. Com os velhos e com os novos.

Os milionários não políticos

Os milionários agentes de jogadores de futebol

Se alguns craques de futebol são milionários, seus agentes são ainda mais ricos que os boleiros. A Forbes publicou a lista dos agentes de esportistas em geral. Despontam os agentes de jogadores de basquete da NBA com 13 representantes. Ocupando a segunda posição no quadro dos 50 agentes de esportistas em geral, vem os do beisebol, com 10 representantes. O futebol apascentou 10 agentes de jogadores.

Jorge Mendes é o agente de futebol mais poderoso. O representante de Cristiano Ronaldo ganhou comissões de 72 milhões de euros. Jorge Mendes controla as negociações de mais de 90 jogadores. Sua empresa, denominada Gestifute, inclui, além de CR7, o colombiano do Real Madrid, James Rodrigues e o atacante do Chelsea, Diego Costa.

O segundo agente de futebol mais poderoso é o de Gareth Bale, do Real Madrid. Jonathan Barnett embolsou no ano passado comissões de 37 milhões de euros. Barnett controla os negócios de mais de 100 jogadores com sua empresa Stellar Group.

Já Mino Raiola surge na lista dos mais bem pagos, após ganhar 35 milhões de euros em comissões no ano passado. O representante italiano foi o rei dos negócios no mercado que se encerrou no meio deste - mercado de verão, o que elevou ainda mais seus ganhos. Raiola negociou em 2016 a venda de Pogba para o Manchester United, a maior transferência da história do futebol. Todavia, as renegociações de contratos de Bale e de Cristiano Ronaldo tendem a deixar seus agentes nas mesmas posições de ponta.

O futebol alemão coloca dois de seus agentes entre os mais ricos. Volker Struth, responsável pela carreira de muitos alemães importantes, como Toni Kroos, do Real Madrid, faturou 28 milhões de euros. Enquanto isso, Thomas Kroth, agente de Manuel Neuer, do Bayern de Munique, ganhou 24 milhões de euros.

O "ultimo" colocado nessa lista da Forbes é o chileno Fernando Felicevich que recolheu quase 20 milhões de euros. O futebol é o esporte que oferece taxas mais elevadas para seus representantes. De acordo com os dados recolhidos pela revista norte americana, os agentes FIFA embolsam 10% em comissões, em comparação com 5% dos agentes de beisebol, 4% dos agentes do basquete da NBA e 3% para os agentes dos jogadores do futebol norte americano.

Os milionários não políticos

Na era da internet, a mentira virou um negócio rentável

A publicação de conteúdo deliberadamente falso não é nada novo. Mas o advento das mídias sociais fez com que histórias reais e fictícias agora sejam apresentadas de forma tão similar que às vezes pode ser difícil diferenciá-las.

Ao mesmo tempo em que possibilita o compartilhamento de conhecimento inimagináveis há pouco anos, a internet prova a famosa frase de Churchill: "uma mentira dá meia-volta no mundo antes mesmo de a verdade vestir as calças". Em período eleitoral é ainda pior.

Equipes são formadas pelos comitês para disseminar notícias falsas de seus imponentes. Rapidamente elas se tornam verdadeiras ou passíveis de constituir dúvida. Há centenas de websites com notícias falsas. São pesquisas falsificadas, notícias familiares dignas de total descrédito, escândalos envolvendo dinheiro, até mesmo um chip a ser implantado no corpo humano para nós controlar surgiu. São risíveis, mas, tornam-se armas de combate importante.

As equipes de fakes ganham muito dinheiro. Estão entre as principais despesas de comitês eleitorais. Falam em milhares de reais destinados aos membros das equipes construtoras das mentiras. Tornou-se uma organização ilegal e vital para os políticos. Mas também para empresários concorrentes.

A manchete, obviamente, é crucial. Elas, via de regra, exploram preconceitos, ideias preconcebidas e reforçam crenças arraigadas.

Um recente estudo de TVs nos Estados Unido produziu uma informação assustadora. Revelou que em 40% das emissoras, não são verificadas e checadas a veracidade das notícias que publicam.

As notícias falsas parece que chegaram para ficar. Rendem muito dinheiro. Há mudanças, não iniciadas, que precisam acontecer. Uma delas é a necessidade dos jornalista identificarem os fakes rapidamente. Outra mudança, é a necessidade dos estudantes aprenderem a ler notícias on-line de maneira crítica. Não se preocupem, vai piorar. E muito.




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