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23/01/2015 08:00

Os primeiros movimentos no tabuleiro de xadrez da política

Mário Sérgio Lorenzetto
Os primeiros movimentos no tabuleiro de xadrez da política

André Puccinelli x Reinaldo Azambuja: quando a cópia tenta desligar a xerocopiadora

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Só não enxerga quem tem vontade de ser cego. Reinaldo Azambuja seguiu, até o momento, toda a cartilha criada por André Puccinelli. Saiu de um pequeno município do interior para conquistar a Capital. O único erro dos eleitores de Campo Grande em dezenas de anos na escolha de seu Prefeito lhe tirou a merecida cadeira de Prefeito. Era, disparado, a melhor alternativa apresentada pelos partidos. Perdeu a cadeira, levou a fama. Um movimento semelhante ao preconizado por André.
André e Reinaldo em tudo se assemelham. Mesma disposição, capacidade de organização, pertencem ao mesmo espectro político e adoram uma confusão, quando elas não aparecem, criam algum embate.
No início da campanha eleitoral passou muito perto de entrar em "parafuso". Não encontrava o caminho do poder até lançar sua candidatura a governador. Nessa dúvida, se distanciou da cartilha "andrezista". Com uma imagem sem rejeição e contando com os erros imensos e inimagináveis, dos adversários, conduziu uma tranquila vitória. Apenas atacava, só teve de recuar para a defesa com o caso do dinheiro de São Gabriel. Um minuto na defesa e 89 outros no ataque. Copiava novamente a organização de André.
Assumiu o governo e se esqueceu de seus aliados. Mas também colocou no armário do esquecimento os adversários. Um erro que, no futuro, lhe custará muito caro. Foi centrar fogo em seu antecessor como se existisse alguma comparação na "terra arrasada" deixada por Zeca do PT para André e a máquina administrativa em bom funcionamento deixada por André.
Adotou a mesma máquina, não há uma diferença sequer, todavia dirige os discursos como se a organização anterior estivesse corroída. Está lendo a cartilha e não está entendendo a diferença de realidades. A administração de André deixou elevados índices de aprovação, os maiores do país. Sua rejeição está embasada exclusivamente em seu comportamento pessoal e não em sua administração. E o pior, está chamando um aposentado convicto (até quando não se sabe) para o campo de batalha. Um aposentado que lhe foi útil ao longo de toda sua carreira política. Um movimento inesperado de uma cópia tentando desligar a máquina xerocopiadora.

 

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O PMDB e o clã Trad começam a preparar o cachimbo da paz

O furo preconizado pelo Campo Grande News da aprovação de André Puccinelli ao nome de Marcos Trad é correto. André não esconde de ninguém que liberou seus companheiros para possivelmente ungirem Marcos Trad como o candidato do partido. O clã Trad terá pela frente um longo caminho a percorrer para sacramentar a candidatura. Terão de convencer Carlos Marun, Antonieta Amorim e os vereadores da Capital. Não será fácil. Marcos Trad criou inúmeras arestas e indisposições ao longo de sua história no PMDB. Sempre se considerou um opositor a tudo e a todos, sem exceção. Um cavaleiro quase solitário. Terá de reunir as forças. Mais difícil: terá de liderar. Mas encontra uma facilidade inesperada, a liberação de André Puccinelli. É óbvio que André não quer cometer o mesmo erro da eleição municipal passada quando lançou um candidato desprovido de votação pessoal, dependente exclusivamente da máquina administrativa.

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O PT depende de Ayache

O Partido dos Trabalhadores sempre foi o partido dos derrotados em Campo Grande. Desde o imenso alvoroço criado pelos adeptos do petismo no histórico embate entre André e Zeca, o partido da estrela vermelha nunca mais encontrou uma candidatura consistente. Continuará no eterno movimento autofágico, destrutivo. Um choque de duas grandes potências, Zeca e Delcidio desmontam qualquer vislumbre de vitória. Tudo indica que finalmente encontraram um bom nome, uma boa imagem, totalmente desprovida de qualquer ranço e sem rejeição - Ricardo Ayache. Um candidato para se admirar e respeitar. Para botar medo nos adversários.
O primeiro movimento interno é de rejeição a Ayache. O deputado Pedro Kemp diz que é sua vez. Deve ser mesmo, sua vez de sair derrotado.

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Como explicar um erro crasso? A opção de Rose no governo poderá atrapalhar sua candidatura

Rose e Rinaldo são irmãos. Ela vereadora de baixa densidade eleitoral e ele suplente de deputado estadual. Reinaldo Azambuja despreza os votos, está em busca de uma boa imagem feminina. A única opção é a da vereadora de Campo Grande. Está montada a dupla vencedora.

Rose sai da campanha eleitoral muito maior do que quando entrou. É a vice governadora. Basta saber articular e tomar as decisões corretas para chegar à cadeira maior da Prefeitura da Capital.

Azambuja lhe entrega a escolha de um dentre dois cargos: a maior máquina do governo estadual ou uma diminuta máquina administrativa. A Secretaria de Educação ou a de Assistência Social? Rose opta pela Assistência Social e apresenta um nome para a Educação. Reinaldo rejeita a opção apresentada por Rose. Ela estremece. "Será que errei?" Volta atrás, pede a Secretaria de Educação. Não há mais nada a fazer, a Educação foi parar nas mãos da eficiência técnica e saiu da égide da política partidária.

Todos os professores conhecem essa história. Está sendo contada nas escolas. Rose está voltando a ter o mesmo tamanho da época em que foi ungida candidata a vice governadora. Um erro difícil de ser revertido.

 

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A união indústria- agricultura pode ser a solução para os novos governantes

Se a candidatura de Rose desceu um degrau no primeiro mês de governo, quem subiu alguns degraus foi a candidatura de Teresa Cristina. Com cuidado, ela está tecendo a mais importante teia no momento: o jogo nos bastidores. As conversas com os principais assessores e companheiros de Azambuja, sem tocar na existência da cadeira de prefeito, vem sendo costurada com eficiência e calma.

As principais articulações de Azambuja se aproximam cada vez mais de Teresa e se afastam de Rose. Entendem que se Teresa não tem uma grande densidade eleitoral em Campo Grande, Rose também não é líder de um grande manancial de votos. Todavia, Teresa é do mesmo grupo dos principais governantes e vai além, lidera uma parcela expressiva de industriais e agricultores. A análise dos articuladores de Azambuja lhe garante as melhores considerações, mas entendem que Teresa ainda não tem o "espírito animal" dos candidatos.

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