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13/01/2015 09:15

Os terroristas são de classe média e cultos

Mário Sérgio Lorenzetto
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Entender o que levou três covardes a executar inocentes desarmados pertence ao domínio da psicologia. Mas para entender porque esses ataques acontecem com mais ou menos frequência, e mais em algumas regiões do que em outras nos leva a tentar entender para além da loucura individual ou de pequenos grupos.


Uma abordagem muito comum nos últimos tempos sugere que a atração pelo terrorismo aumenta quando as pessoas são mais pobres e o desemprego é maior. Quanto pior a vida, maiores as possibilidades de alguém se dispor ao assassinato que o levaria, quase com certeza, à sua morte ou à prisão perpétua. Ninguém comete um ato como esse pensando em passar o resto de seus dias vivendo em uma ilha paradisíaca. Mas, quando olhamos os dados no tempo, não constatamos a relação de crimes com crises econômicas. Os crimes não são mais frequentes em períodos de depressão econômica. Por outro lado, é verdade que os atos terroristas são mais frequentes nas regiões mais pobres do planeta. Mas essas regiões também têm mais crimes comuns, instabilidade política e menos democracia. E todos estes fatores também colaboram com o terrorismo.


Olhando para dados individuais, vários economistas têm estudado os ataques terroristas que acontecem no Oriente Médio. Por que estes ataques são tão frequentes? Existem dados suficientes para descobrir algumas relações importantes. Um dos achados mais robustos é o de que os terroristas não são as pessoas mais pobres. Os jovens que ingressam no terrorismo são recrutados nos grupos mais educados e menos pobres dentre os povos árabes.

Igualmente, os ataques terroristas perpetrados por judeus contra palestinos são cometidos por jovens empregados com remuneração acima da média. Não existe verdade alguma em afirmar que menos riqueza é igual a mais ataques terroristas. Bem claro, o terror não é filho da pobreza. O que os dados mostram é que o terrorismo atrai os jovens mais educados e das classes média e alta. Esses estudos mostraram também que os atentados suicidas têm sido bem sucedidos exatamente por serem praticados por jovens bem preparados e cultos. O problema é bem mais complexo do que o senso comum indica e não será solucionado com bravatas e gritaria.

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Dilma governará à direita mas deve sua vitória à esquerda

É fato. Nem os tucanos queriam acabar com os programas sociais, nem os petistas queriam destruir a economia. Mas cada lado tem uma prioridade. Do lado tucano, a ênfase na racionalidade da economia para promover o desenvolvimento, mas construída pela famosa franqueza destrutiva de Armínio Fraga, ao dizer que seria difícil manter os aumentos reais do salário mínimo. Deve ter custado uma montanha de votos para os tucanos.


Dilma e seu governo não foram e nem são de esquerda. Porém, no final da campanha, o que levou à vitória foi uma sensibilidade quase perdida desse lado político. Então o poder está com a esquerda? Não, nem no sonho. Em verdade, a esquerda decidiu apoiar uma presidenta que valoriza os programas sociais.


Como Dilma vai conciliar uma certa austeridade na economia com investimentos sociais? Não será uma equação fácil de ser resolvida. Dilma e o PT sabem muito bem que, se for para agirem aplicando todos os sonhos da direita, esse será o melhor meio de perder as eleições seguintes e talvez as subsequentes. Dilma e o PT têm de agir de outro modo. Isso vai requerer muita habilidade política, que não é o seu lado forte. Toda a que conseguirem mobilizar.


Para Dilma não existe a arte de lidar com a quadratura do círculo. FHC e Lula foram mestres nessa prática. Mas há um fato: não se pode ignorar o limite realista que é haver dinheiro, mesmo para promover medidas sociais. E sem um governo à direita não haverá dinheiro. Estamos diante da quadratura do círculo com alguém que não suporta pensar dessa forma.

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Treino é treino e jogo é jogo

Os jornalistas sempre estão errados. Em pleno século XXI cobrarão a Presidenta Dilma pelo que disse a candidata na campanha. É claro que tem que aumentar a gasolina, a luz, a água, o pãozinho e a Sky. Não importa se a candidata criticou o Aécio com suas promessas impopulares, a Marina com a independência do Banco Central, os cachos sem graça da gaúcha que todos esqueceram o nome e o bigodão do século passado do Fidelix.


Treino é treino e jogo é jogo. Daqui a pouco os jornalistas vão querer que a Presidenta Dilma esteja aberta para o diálogo só porque falou essa besteira no discurso da vitória. Não sabem diferenciar um momento de forte emoção, quando tudo pode ser dito sem ser cumprido? Jornalistas tem de voltar aos bancos escolares, pois não sabem diferenciar candidata de Presidenta. Um estorvo.

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Mude a mudança

Segundo uma pesquisa realizada periodicamente pela escola de negócios da Universidade de Harvard, 70% dos planos de mudança implantados nas empresas e governos não atingem seus objetivos. De acordo com o artigo publicado na revista da McKinsey, o problema não está no teor das mudanças, mas quem as decide e como as põe em prática.


São mudanças de cima para baixo, vistas como interrupções ocasionais do status quo. São colocadas em estruturas administrativas tradicionais. Mantém as ideias vigentes de disciplina e déficit de eficiência. Quem está no topo em geral se encontra tão blindado que, quando percebe a necessidade de transformação, toma decisões atrasadas e compulsivas. Enxergaram algum empresário ou governante na foto?

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Um empresário de sucesso tem de ser um observador atento

A curiosidade é essencial na hora de farejar boas oportunidades e, principalmente, para nadar contra a corrente. Um dos predicados do empresário de sucesso é investir em negócios desprezados pela sua concorrência e em pular fora na hora certa. Esta é a hora certa de investir no Brasil. E alguns empresários estão percebendo a importância desse momento.
O Brasil está passando por um período difícil. A administração comandada por Lula pode contar, além das gigantescas compras de commodities chinesas, com uma bem sucedida política econômica que combinou ações sociais com prudência econômica. A administração comandada por Dilma esqueceu a prudência. Com a escolha da nova equipe econômica, há chance de uma volta à racionalidade.


A Colômbia e o Peru são as estrelas do continente neste momento. O elefante na sala é a Argentina que está totalmente bagunçada. Os argentinos poderão sair da confusão somente em 2016 com as eleições que por lá ocorrerão. Todavia eles têm uma longa história de irresponsabilidade fiscal. O Brasil terá de atravessar, dentre muitos problemas, a desvalorização excessiva do real que foi de 1,75 para 2,60. É uma desvalorização muito grande. E obviamente trará novas dificuldades para o país, aumentando a inflação. Mas, deu um passo acertado: readquiriu a confiança do empresariado e esse fator - a confiança - é determinante.

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