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24/04/2014 07:53

Presidenta Dilma e o futebol - uma nova “Corrente pra Frente” nascerá?

Mário Sérgio Lorenzetto
Presidenta Dilma e o futebol - uma nova “Corrente pra Frente” nascerá?

O futuro da presidenta e o resultado da Copa do Mundo

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Com a aproximação da data de início da Copa do Mundo, um debate toma as ruas. Além da inflação e do custo dos alimentos, a pergunta que fazem é: se a seleção brasileira vencer o campeonato, a presidenta Dilma será beneficiada? A resposta é que o futebol e o poder estão entrelaçados no país há muitas décadas. E a história poder dar algumas luzes para bem entender os atuais acontecimentos.

Antes dos governos militares, o futebol não tinha a importância que lhe foi creditada. Não havia o entrelaçamento tão forte entre esse esporte e os governantes fossem eles eleitos pelo povo ou golpistas. Além de conduzir os militares ao poder, a nova ordem instituída após a queda de João Goulart, foi também decisiva para os rumos do futebol brasileiro. Uma das primeiras demonstrações para enquadrar o futebol às diretrizes militares foi o cancelamento de uma partida entre as seleções brasileira e soviética.

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Quando ainda havia Jules Rimet, um vexame total para o Brasil

Logo em seguida, foi a aproximação da Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, que passou a mobilizar o governo. Em princípio, nada havia a temer, pois o Brasil se apresentava como o grande favorito na competição. Os brasileiros falavam inclusive em confeccionar uma nova taça que se chamaria Winston Churchill – já que era dado como certo que a taça em disputa, a Jules Rimet, voltaria com a delegação brasileira. O vexame foi total. A seleção brasileira foi eliminada nas oitavas-de-final pela portuguesa.

Os novos preparativos para a Copa de 1970 não poderiam ser iguais. O técnico da seleção era um comunista – João Saldanha. Figura competente e polêmica que passou para a história por ter montado a “melhor seleção brasileira de todos os tempos” e por ter desacatado o presidente – General Médici – com a mais célebre de suas tiradas: “o presidente escala o ministério dele que eu escalo o meu time” em uma discussão para escalar o jogador Dario. Era muito para o regime militar. Saldanha foi sacado do cargo. Em seu lugar entrou Zagallo e uma comissão técnica inteira de militares. No México, o resultado foi diferente do obtido na Inglaterra – o Brasil foi Campeão.

Em 1971, como demonstração que a interação futebol-poder para a ditadura não se limitaria à Copa do Mundo, tinha início um campeonato com clubes da maioria dos estados brasileiros, substituindo a fórmula anterior que só agregava os cinco maiores estados da federação. Paralelamente, estádios eram inaugurados em todo o Brasil, geralmente com a presença de autoridades militares e em muitos casos do próprio Presidente da República – Morumbi, em São Paulo; Rei Pelé, em Maceió; Castelão, no Ceará. O Morenão, em Campo Grande, foi inaugurado no dia 7 de março de 1971 e o primeiro jogo foi um amistoso entre Corinthians e Flamengo.

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‘Onde a Arena vai mal, um time no Nacional’

No período da decadência do regime militar, a interferência do governo no esporte ganharia ainda mais relevo. Foi nessa época que surgiu a frase, atribuída ao presidente da CBD, entidade máxima do futebol, almirante Heleno Nunes: “Onde a Arena vai mal, um time no Nacional”. Arena era o partido político organizado pelos militares.

Chegamos a 2014 e as relações entre futebol e poder são as mesmas. Novos estádios, Copa do Mundo, inaugurações, mídia governamental voltada para o futebol e todo o empenho da União e dos Estados participantes na promoção desse esporte. Desta vez, o time mais popular do país, o Corinthians recebeu seu estádio, suplantando as aspirações do time da elite paulista, o São Paulo em reformar o seu. Só falta o slogan governamental ser o mesmo – “Corrente pra Frente”. Os governantes em sua ânsia de participar dos holofotes futebolísticos não devem esquecer uma famosa frase que quase sempre se transformou em realidade: “No Maracanã vaiam até minuto de silêncio”.

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O paradoxo bancário – os lucros são astronômicos, mas estão perdendo valor

Nos últimos dias, os bancos brasileiros divulgaram seus balanços. Lucros astronômicos aparecem com clareza como, aliás, ocorrem todos os anos. Em primeiro lugar, como sempre, está o Banco do Brasil – lucro de R$ 15,8 bilhões. O maior lucro da história brasileira. Quase empatado ficou o Itaú Unibanco – lucro de R$15,7 bilhões. Uma “migalha” de diferença para o Banco do Brasil. Os demais bancos acompanharam os dois maiores com lucros semelhantes. Notícias que apenas enfurecem uma parte considerável da população. Mas desta vez é diferente. Está ocorrendo um aparente paradoxo. Os bancos estão perdendo valor apesar dos lucros.

Estão, em primeiro lugar, perdendo valor na Bolsa. A condição macroeconômica brasileira gera incertezas para o investidor estrangeiro e provoca uma saída de capitais da Bolsa. Assim, as mais afetadas são as ações dos bancos, que têm maior liquidez.

Além do pessimismo, a incerteza em relação ao julgamento do STF sobre o índice de correção das cadernetas de poupança atingidas pelos planos econômicos das décadas de 80 e 90. Se o STF decidir em favor dos poupadores, os bancos terão de pagar a diferença de correção, mas ninguém parece ter a menor ideia do valor a ser desembolsado. Existem cálculos de R$8 bilhões de pagamentos a serem realizados e outro de R$ 340 bilhões. As dúvidas deixam os investidores cautelosos.

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Qual o custo médio da merenda escolar?

O custo médio da merenda escolar no Brasil é de R$ 5,50 por aluno ao dia. Repasses: R$ 0,30 do governo federal e R$0,50 dos estaduais. A diferença de R$ 4,70 é bancada pelos municípios. E em Campo Grande, qual o custo da merenda? Ninguém sabe. E é compreensível. Após um anos e dois meses de governantes desgovernados, os novos administradores ainda não tiveram tempo de colocar a administração minimamente "em pé". O que é incompreensível é a inexistência de luzes acessas nos principais prédios da prefeitura após as 18 horas. Não há sinal de mandatários trabalhando. Será que acreditam que recuperarão o tempo perdido com uma carga de trabalho típica de funcionários públicos? Já houve tempo que os mandatários da prefeitura trabalhavam até as 23 horas.

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Empresária da capital que vende de porta em porta ensina como fidelizar clientes

Cleide Rebouças tem 52 anos e é mãe de três filhos. O mais velho está casado aos 25 anos e ela mora com um de 22 e o caçula, um temporão de 12, e o marido. É uma mulher diferenciada e lança mão de todos os pontos que considera positivos em seu perfil empreendedor. Formada em Ciências Sociais, não conseguiu ficar desempregada quando notou haver pouco espaço no mercado de trabalho e decidiu pintar panos de prato quando morava em Dourados. Isso foi há dez anos. Nesta década, saiu das tintas para um rendimento mensal acima da média no bairro Flamboyant, em Campo Grande.

Confessa que começou de maneira despretensiosa para auxiliar a irmã e, hoje, está entre as mais prestigiadas vendedoras da empresa de cosméticos Natura, na Capital. Só que ela também vende Avon, diz que encontrou-se nas vendas direta. Como ela, outras 1,5 milhão pessoas em todo o país estão no mesmo ramo, segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas. Juntas, movimentaram R$ 18,4 bilhões no ano passado.

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Atendimento personalizado para homens de baixa renda

Os rendimentos tendem a continuar crescendo. Hoje, o Brasil é o terceiro maior país consumidor de produtos de beleza, tendo Estados Unidos e Japão na primeira posição. Espaço para expandir não falta, garante a própria Cleide que precisou adaptar a própria casa para receber um perfil diferenciado de consumidores, os homens de baixa renda. Eles ficavam constrangidos com o atendimento misto, ela notou e a mudança trouxe atraiu consumidores como pedreiros, carpinteiros e, até, catadores de materiais recicláveis. O lucro ascendente a ensinou a não subestimar clientes. “Não tenho preconceito. Falo dos meus produtos onde eu passo. É preciso dedicação. Atendo homens e também as mulheres, donas de casa ou não. São aquelas pessoas lutadoras e comuns e que consomem beleza”, ressaltou.

Se fosse ensinar algo, Cleide diz que a receita do sucesso está na persistência, falta de vergonha e feeling para enxergar oportunidades. Tenta vender para todos, absolutamente todos, com quem conversa. “Qualquer um pode comprar. Todos têm vaidade e isso é meu sustento, meu ganha-pão. Se é assim, eu vendo”.

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Há de tudo em venda direta, mas início foi no setor de cosméticos

A persistência de pessoas como ela é lucro para as grandes empresas. Hoje, há venda direta até de produtos para automóveis, mas foi o mercado da beleza que deu o ponta pé inicial. No Brasil, a primeira empresa a operar foi a Avon, chegando em 1959. Natura e Stanley Home chegaram em 1969 e, no ano seguinte, desembarcaram a Chystian Gray, Jafra, Rodhia e a Tupperware. Uma década depois, o crescimento do setor era de 20% ao ano.

Entre as justificativas para as vendas elevadas estão praticidade de comodidade. Clientes como os pedreiros, carpinteiros e catadores de materiais recicláveis da Cleide podem até ter receio em entrar em uma loja física qualquer, mas são fieis a ela pela personificação do atendimento. “Eu os atendo de igual para igual. Não adianta ter opções se não for assim. E atendo da mesma maneira que faço com os de classe média e superior”, garante.

É por esse conceito que o faturamento de 2013 foi 5,9% maior que o ano anterior no período compreendido entre janeiro e junho. Somente a Natura, que é considerada líder no setor de vendas diretas no país, faturou R$ 7,01% no decorrer do ano passado. O Ebtida da empresa chegou a R$ 1,61 bilhão e o lucro líquido a R$ 842,6 milhões.

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