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27/05/2016 08:09

Presos no labirinto da dívida pública e na previdência

Mário Sérgio Lorenzetto
Presos no labirinto da dívida pública e na previdência

Nenhuma dívida pública jamais será paga.

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Há uma verdadeira avalanche de desinformações no ar. Contra e favor da permanência do Bolsa Família. Contra e a favor da existência de alguns ministérios. Tudo isso interessa a poucos. O que tem de ser esclarecido, jamais entra em debate.

Entre os grandes gastos do governo federal, destacam-se a seguridade social (onde está a previdência), que cuida dos pobres. Na outra ponta, está a rolagem da dívida pública, que cuida dos ricos, dos verdadeiros ricos do país, aqueles que não estão nas fazendas e nem no comércio. As duas juntas, representam nada menos de 22% de tudo que o país produz (PIB).

A dívida pública se aproxima dos 3 trilhões de reais. Diante da enormidade desse número, é fácil convencer as pessoas que o governo é irresponsável, gasta muito mais do que arrecada e por isso se endivida pesadamente junto ao setor privado, aos ricos, poucos brasileiros e muitos estrangeiros.

Dívidas públicas existem no mundo inteiro porque são um recurso legítimo dos países. Como os investimentos feitos hoje beneficiam as gerações futuras, é preciso que elas repartam os custos com as gerações atuais. A encrenca está na qualidade dos investimentos. Quando bem realizados, esses investimentos estimulam o crescimento econômico e contribuem para aumentar a capacidade de arrecadação de tributos, equilibrando as contas em um momento seguinte.

O segredo que os economistas sabem, mas precisa ser compartilhado com todos, é: nenhuma dívida pública do mundo jamais será paga. Por isso, não há um limite fixo para elas. O Japão deve 230% de seu PIB. Os Estados Unidos devem 104% de tudo que produzem. A dívida brasileira não é especialmente alta, gira abaixo de 70% do PIB. Só que a dívida do Japão e a dos Estados Unidos são baratas. A nossa não é só cara, é caríssima. A preocupação para com a dívida é que a Dilma e o ex-czar da economia, Mantega, aceleraram seu crescimento, o que de fato, inspira cuidados pelos custos crescentes que acarreta.

Os governos não pagarão as dívidas e nem os credores querem recebê-la. Ambos precisam dela. Só diz que pagará a dívida de um município, de um Estado, ou de um país, quem nada entende do assunto. Pura balela ou coisa pior. A dívida brasileira é hiperindexada e rendem como se fossem uma mina de ouro entregue aos mais ricos todos os dia. Mas é no custo dela que está um dos maiores problemas do país.

Presos no labirinto da dívida pública e na previdência

Os fatores que mandam na Previdência estão fora dela.

A Previdência brasileira tem em torno de 33 milhões de beneficiários, com rendimentos médios de R$ 1.207. É difícil prever sua evolução, pois as variáveis decisivas para seu equilíbrio financeiro de longo prazo, sua capacidade de pagamento, não estão situados dentro dela, mas na economia como um todo: a evolução do emprego formal, o patamar de salários, a produtividade dos trabalhadores ativos...o mundo do trabalho e dos rendimentos.

É justo rever abusos e privilégios, onde eles existem. E passaram a existir em muitos segmentos. Também é prudente adotar medidas para adaptar o sistema ao novo perfil demográfico brasileiro - aumentando a idade para as aposentadorias. A questão das aposentadorias é candente em uma enormidade de países. Estamos vivendo um raro momento onde os governantes não prometeram no período eleitoral que deixariam as aposentadorias como estão - um discurso que é exigido para os postulantes com condições de vencer a corrida eleitoral.

Esta coluna há quase três anos vem afirmando taxativamente que como está, a previdência se tornará inadimplente em um prazo médio de tempo. A Previdência não pode ser entendida como uma extensão do Bolsa Família, um dos maiores erros do governo do PT.

Presos no labirinto da dívida pública e na previdência

O candidato fanfarrão que derrotou seu próprio partido.

Donald Trump é o candidato do Partido Republicano nos Estados Unidos. Desde que anunciou sua candidatura em junho do ano passado, Trump se tornou alvo de campanhas contrárias tanto de seu próprio partido, quanto de seus opositores. Nada o deteve. Ele liderou as prévias de ponta a ponta. Ele negou uma máxima da política de que um candidato isolado é sempre derrotado.

Inicialmente, imaginava-se que sua fonte grandiosa de dinheiro seria sua principal arma. Todos erraram também nessa avaliação. Ele gastou menos na campanha que seus oponentes. Muito menos. Ted Cruz, o candidato preferido dos caciques do Partido Republicano, gastou US$ 70 milhões, Trump gastou "apenas" US$ 47 milhões.

Seu sucesso, em verdade, se deve a uma tática de superexposição na mídia. Vem alimentando os jornais com declarações polêmicas, algumas vezes racistas e outras como se fosse um Bolsonaro mais inteligente - mero populismo infantil. Foi assim que Trump conseguiu vencer seus próprios companheiros de partido e conquistar parte significativa do eleitorado conservador, que tal como no Brasil e em Campo Grande, se sente mal representado pelos perfis dos prováveis candidatos.




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