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30/06/2014 07:38

Promessas e dívidas, distração dos políticos. O combinado não deveria ser caro

Mário Sérgio Lorenzetto
Promessas e dívidas, distração dos políticos. O combinado não deveria ser caro

Não está na hora de repensar o bom e antigo ditado: "promessa é dívida"?

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Para a maioria dos políticos não ficaria melhor se fosse "promessa e dívida"? É assim mesmo - para muitos políticos, parece que prometer alguma coisa à população é sinônimo de continuar em dívida eternamente. Em geral, não passam do palavrório, e os grandes anúncios que fazem terminam em frustração.

Foi assim no auge das manifestações do ano passado. Políticos prometeram uma série de medidas. Reuniram-se os mandatários de Brasília, governadores e prefeitos. Prometeram resultados nos denominados "cinco pactos". Temas que iam do sistema político à responsabilidade social. Saúde, educação e mobilidade ganharam audiência para os políticos e quase nada saiu do papel.

De Brasília, fora o programa Mais Médicos, que garantiu, por algum tempo, maior número de profissionais para o atendimento da população. Os outros pactos ficaram pelo caminho. A mesma coisa se viu nos casos do ex-prefeito Alcides Bernal. Nada fazia à época das manifestações e assim continuou nos meses seguintes até perder o mandato e surgir o "parlamentarismo pantaneiro", um primeiro-ministro com o título de prefeito, enfraquecido pela quase ausência do insumo principal dos mandatários - o voto. E a vida continua bela e fagueira para os políticos que muito falam e quase nada fazem. É uma pena. A cada crise a população fica menos esperançosa de que surgirão soluções. Afinal, as promessas parecem que são feitas para distrair e não para resolver.

Promessas e dívidas, distração dos políticos. O combinado não deveria ser caro

Quem tem dúvida de que o capitalismo está em crise novamente? Esta também é uma crise do petismo?

Quem tem uma noção, ainda que rudimentar, de economia sabe que as crises do modelo capitalista são inevitáveis. Elas sempre ocorreram e continuarão a ocorrer até que o gênio humano consiga engendrar uma alternativa. Em todos os séculos da existência desse modelo o único "remédio" para curar as dores das crises foi a criação da teoria de espichar as crises. Ao invés de permitir um esgarçamento do tecido social com o aprofundamento de uma rápida crise, como era frequente nos primórdios do capitalismo, a ideia foi de tornar a crise mais longa com menores impactos sociais, evitando as revoltas populares.

Com a lenta e paulatina saída de mais uma crise do modelo, muitos se voltam a discutir outra obviedade - as desigualdades. Esta, a desigualdade, tal como as crises cíclicas, é inerente ao capitalismo.

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Sem desigualdade não existe capitalismo, existe socialismo

Ainda que seja uma ideia que encante a muitos, até agora, o socialismo é uma utopia. Ninguém conseguiu concretizar esse anseio tão humano de forma que minimamente contentasse a maioria da população de algum país por um longo período. E este mérito, agradar à maioria por um longo período, o capitalismo conquistou. Não há exemplo de povo que tenha evoluído ao instituir um modelo de remuneração desligado do esforço, da ambição e do talento individual. Os países da esfera dos partidos comunistas tiveram 70 anos para provar que o socialismo poderia funcionar. E faliram.

A "grande" pergunta que agora surge é: por que o capitalismo é tão injusto? Por que perseguimos há séculos o ideal de uma sociedade menos desigual e continuamos falhando miseravelmente? Por alguns anos, o petismo soube responder, minimamente, no Brasil e para o mundo a essas questões. Agora, começa a claudicar, a mancar, a não apresentar respostas claras e contundentes. Esta é a chave das próximas eleições. O resto é purpurina.

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Cobrança extra para fazer parto é ilegal

A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) considera ilegal a chamada "taxa de disponibilidade" cobrada por médicos de convênios para garantir que eles estarão presentes na hora de o bebê nascer.

A grana extra é cobrada por muitos obstetras, tanto para os partos normais quanto para as cesáreas. Usam o argumento de que eles terão que ficar à disposição da grávida. A taxa não tem valor fixo e varia entre R$ 1 mil a R$ 10 mil, dependendo das condições da família que se exaspera com a mordida.

A paciente com plano hospitalar que contemple obstetrícia tem o direito garantido de que o parto e os gastos com o médico serão cobertos pela empresa que vende o plano de saúde. Porém, os médicos recorreram a advogados e o entendimento que está saindo é o de que a lei não diz que o médico que faz o pré-natal tem de ser o mesmo que fará o parto. Se os advogados estiverem certos a lei será muito limitada, pois a futura mãe procura médico durante o pré-natal que lhe dê confiança na hora do parto.

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As empresas de telefonia estão enrolando

O Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) realizou um teste com quatro operadoras de celular e constatou que ainda é difícil para o consumidor fazer a denominada "portabilidade", mudar de empresa e ficar com o mesmo numero de telefone.

No teste nenhuma empresa deu todas as informações corretas sobre o procedimento, dentre outras falhas. Em uma loja da Vivo, o pesquisador foi informado de que teria de fazer uma recarga mínima para transferir a linha. Na TIM, três lojas negaram a portabilidade para celulares pré-pagos. Já a Oi não cumpriu o prazo para efetivar a troca. A Claro apresentou informações diferentes ao pesquisador pelo telefone e nas lojas.

Todas responderam ao Idec. A Vivo afirmou que o pedido do vendedor foi um equívoco pontual. A TIM declarou que reforçou as orientações aos funcionários. A Oi afirmou que a norma prevê que 5% dos casos podem ultrapassar o limite de três dias úteis para a efetivação. A Claro declarou que as falhas apontadas pelo Idec são pontuais. Pelo menos respondem às acusações. Melhoraram.

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O fim dos “pele-vermelha”?

Já imaginou se um time de futebol brasileiro se chamasse “pele-vermelha”? E se resolvessem fechar o time por causa do nome politicamente incorreto? Algo parecido com isso está acontecendo com o time de futebol americano, o Washington Redskins. A controvérsia em torno do nome do time é antiga, porém, recentemente a justiça dos Estados Unidos entendeu que o nome do time é depreciativo em relação aos “nativos americanos” e cancelou a marca registrada da equipe. Algo como se qualquer um pudesse usar a marca do Corinthians, avaliada como a mais valiosa do Brasil em R$ 1,23 bilhão, seguido pelo Flamengo, R$ 1 bilhão.

Enquanto os “índios” dos Estados Unidos celebraram a decisão, por considerar o nome ofensivo, o time de Washington recorreu da decisão. Se for mantido o posicionamento, tanto a NFL como o Redskins vão ser atingidos economicamente, pois, na prática, qualquer pessoa poderá produzir artigos esportivos do time. Uma rede de igrejas evangélicas passou a pedir que seus 40 mi membros boicotem o time, metade dos senadores dos EUA pediu que o time mudasse de nome.

Enquanto alguns acreditam que o nome é ofensivo, o dirigente dos Redskins afirmou que não vai mudar de nome. A lição que fica é a de que, atualmente, uma marca vale quase mais do que qualquer outra coisa, ainda que essa marca não seja politicamente correta.

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