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19/10/2014 06:00

Quando o capitalismo falecerá e como os homens viverão em sociedade?

Mário Sérgio Lorenzetto
Quando o capitalismo falecerá e como os homens viverão em sociedade?

Capitalismo em crise: e agora?

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Pensar no fim do capitalismo é matéria de envergadura. Não admite simplismos. As sociedades, inclusive a capitalista, são entidades complexas que não falecem como os organismos dos seres vivos, uma parte dela continua a conviver com a nova parte. O mundo medieval continuou a conviver com o moderno por muitos séculos. Algumas características desaparecem de sua organização que julgamos essenciais, mas outras permanecem. É assim que muitos pensadores conceituam o desaparecimento de uma sociedade.

O capitalismo está vivo, moribundo ou morto? A única resposta é: está em crise. Mas porque o capitalismo, sejam quais forem suas deficiências, haveria de estar em crise se a ele não existe nenhuma oposição digna desse nome? A velha esquerda continua à beira da extinção em todos os lugares, enquanto uma nova esquerda ainda não apareceu. As massas, os pobres e os despossuídos, assim como os que estão relativamente bem, parecem firmemente presos nas garras do consumismo, com posses, ação e organização coletivas completamente fora de moda. Sendo a única opção disponível, porque o capitalismo não haveria de continuar? Por mera falta de alternativa?

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Falta de oposição é ruim para o sistema

Talvez não enfrentar oposição alguma ou muito frágil, mais que uma vantagem pode ser uma desvantagem para o capitalismo. O socialismo e o sindicalismo impuseram um freio na transformação de tudo em mercadoria. Foram eles que impediram o capitalismo de destruir alicerces fundamentais para qualquer sociedade - o altruísmo e a solidariedade no seio das famílias e das comunidades (esta é a maior crise da sociedade brasileira). Mas o socialismo e o sindicalismo estão em crise ainda mais profunda que o capitalismo. Crise que antecede a do capitalismo. Ainda não encontraram as respostas.

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Lynch é o nome da crueldade

Para os estudiosos não paira dúvida, a ideia de linchamento é originária do nome Lynch. Mas qual Lynch deu origem a essa palavra maldita? Um deles, o coronel Charles Lynch, praticava o ato por volta de 1782, durante a guerra de independência dos Estados Unidos. Se alguém era a favor dos ingleses, Charles Lynch e seus homens o matavam imediatamente. No entanto, a maioria dos que estudam a questão, acredita que a palavra é decorrente dos atos praticados por Willian Lynch, que, em 1837, comandava um "comitê de vigilância" para matar especialmente negros e indígenas. São esses comitês os embriões do desenvolvimento do ódio racial proposto e praticado pela Ku Klux Klan.

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Linchamentos caem no Brasil

Mas essa prática é bem mais antiga. Era praticada pelos gregos, romanos e judeus. Entre os judeus a lapidação - o apedrejamento realizado por uma multidão - era praticado contra o adultério feminino e a homossexualidade masculina. Não é raro, no Brasil, onde recentemente um grupo de cariocas tentou linchar um ladrão. Todavia, segundo os estudos do Núcleo de Estudos da Violência, da USP, o número de casos de linchamento tem caído no país pelo menos desde 1980. Em 1991, foram registrados 148 linchamentos no país, enquanto em 2006, foram registrados nove casos.

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Tudo é de todos na Casa Foda-se

Na cozinha, 10 pessoas se espremiam, atentas a uma aula de como preparar drinques de cachaça com gengibre e café. Outro grupo na sala batia os pés no chão e agitava os braços para baixo, em meio aos gritos de "Rá". No andar de cima, uma sala com sofás é a área para relaxamento, servindo ainda para oficina de desenho, sala de massagem e exposições de arte. Na varanda comprida, um grupo cultiva vasinhos com boldo, pimenta, cebolinha e manjericão. Há também uma sala de reunião apertada e um estúdio de design cheio de computadores. Embaixo, encontra-se um ateliê multiuso, a cozinha, o pátio e uma sala. A casa, que fica no bairro do Catete, no Rio de Janeiro, é antiga, porém, reformada.

Nenhum cômodo é só uma coisa e nenhum é gerenciado por alguém. Novos membros são aceitos, basta colocar seus recursos - dinheiro, computador, criatividade,

influência, contatos. Eles querem demonstrar que escassez é um mito. A ideia é que um tem R$10 mil e outro tem R$20, então a Casa Foda-se tem R$30 mil. Um tem uma bicicleta, uma câmera e outro um laptop. Tudo pode ser usado na Casa. Eles acreditam no potencial de multiplicação de recursos e bens em comunidades colaborativas.

Economia muito moderninha

Cada um paga quanto pode pelas atividades ali realizadas, a Casa Foda-se não almeja acumular dinheiro. Nos últimos três meses foi palco de aulas de culinária, oficina de educação alternativa, curso de corte de cabelo, taxidermia de papelão, leitura de aura, pintura corporal, performances, orientação personalizada para a escolha dos melhores eventos de Facebook e apareceu até uma moça oferecendo ser namorada por um dia.

A Casa Foda-se convida para uma visita sem convite, os espíritos livres que sintam o "chamado da autonomia". Eles acreditam que a Casa é o escritório mais bonito do mundo. A ideia é: ninguém nunca deu ordem para ninguém, nada existe, tudo é tudo e na verdade nem sabem o que está acontecendo. Uma economia muito moderninha.

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