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04/05/2016 08:13

Shakespeare, rico maconheiro; Cervantes, pobre e feliz

Mário Sérgio Lorenzetto
Shakespeare, rico maconheiro; Cervantes, pobre e feliz

Em 1616, faleceram quase ao mesmo tempo Miguel de Cervantes e William Shakespeare. Os britânicos estão comemorando com imensas festividades a existência de Shakespeare. Os espanhóis estão há anos se desentendendo, e as festas para Cervantes serão pobres. Essa diferença de capacidade de organização e respeito não surpreenderia os dois homenageados. A riqueza acompanhou Shakespeare. A pobreza esteve presente em todos os momentos da vida de Cervantes.

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Shakespeare faleceu em sua mansão de Stratford-upon-Avon. Era uma imensa casa de alvenaria e madeira com dez chaminés. William a comprou quando tinha apenas 33 anos com o dinheiro de seus primeiros triunfos no teatro londrinense. Ele foi um próspero empresário teatral. Junto com sete sócios se fez popular entre a plebe e a nobreza. Ele também sabia investir seu dinheiro.

Com apenas 46 anos, William já passava a maior parte de seu tempo na mansão rural, desfrutando do convívio com suas filhas e a neta. Foi nela que morreu após um "alegre" encontro. Ele e seus amigos comeram muito, embebedaram-se com vinho e saíram no frio da noite. O fato é que, após essa noitada, Shakespeare adoeceu e, rapidamente, faleceu. Tinha 52 anos.

A morte e a vida de Cervantes foram muito diferentes. Miguel morreu velho em Madri, em uma casa alugada. Esse quarto alugado foi uma melhoria em seu padrão de vida, porque até um ano antes de sua morte vivia em uma casa descrita como "lóbrega" (sombria). Miguel fracassou no teatro. Ganhou pouco dinheiro com sua pena. Cervantes empregou parte de sua vida como funcionário. Primeiro foi soldado - ferido e aprisionado - e, logo depois, arrecadador de impostos. Mas não fez fortuna. Em sua velhice dependia das dádivas de um conde e de um arcebispo que precisavam ser paparicados pelo escritor. Era tão pobre que não tinha dinheiro para comprar um bom par de óculos.

Apesar de tudo, os dois morreram de bom humor. Miguel porque faleceu com a pena nas mãos, escrevendo até o último dia. William morreu contente, recebia seus amigos com ricos jantares e é bem provável que com algo mais...Recentes escavações no lugar onde existia sua casa, desenterraram cachimbos com restos de maconha. Não é difícil imaginar William compartilhando maconha com seus amigos e rindo muito. Em Madri, as escavações mais recentes, na cripta onde deve estar os restos de Cervantes, só encontraram uma caixinha cheia de ossos misturados. Pode-se ler "MC" na pobre caixa.

Shakespeare, rico maconheiro; Cervantes, pobre e feliz

O volume de vendas de armas é o maior desde a Guerra Fria.

No início dos anos 1990, o fim da Guerra Fria deveria ter esvaziado os arsenais e colocado fim à maioria dos conflitos. Enganaram-se todos. A "Guerra ao Terror Islâmico" , com suas ações no Afeganistão, Iraque e Síria voltou a alimentar a indústria da guerra. Em 2014 houve mais guerras no mundo todo que em qualquer outro ano pós-Guerra Fria. Longe de diminuírem, os gasto militares no mundo aumentaram um terço em dez anos, atingindo, em 2014, US$ 1,7 trilhão.

Eles mais que dobraram na África e na Europa Oriental. Aumentaram dois terços no Oriente Médio e no Leste Asiático. Só os Estados Unidos gastaram US$ 610 bilhões, 33% das despesas mundiais com armas. Na outra ponta da economia das armas, o volume de vendas é o maior desde a Guerra Fria. Os EUA seguem ocupando o primeiro lugar com 32,8% do mercado. Em segundo lugar vem a Rússia, que detêm 25,3% desse mercado, seguidos, bem atrás, pela China (5,9%), França (5,6%) e Alemanha (4,7%). Quanto aos compradores, além dos EUA, a Índia tem ocupado lugar de destaque, vem a seguir, a Arábia Saudita, China, Emirados Árabes e Coréia do Sul.

Shakespeare, rico maconheiro; Cervantes, pobre e feliz

O Brasil já foi muito mais pobre e menos violento. A falência da segurança.

Para muitos, a violência é vista como subproduto da pobreza, ainda que esse argumento venha sendo refutado pelos estudos especializados. Ao contrário do que se poderia intuir, sabemos que as taxas de criminalidade violenta têm acompanhado, no Brasil, o crescimento da economia e dos mercados de consumo: a maior capacidade de consumir bens e serviços estimula tanto atividades legais quanto ilegais da economia. Ambas já estão bastante consolidadas no país.

Com mais dinheiro no bolso, as pessoas, há pouco tempo, compraram mais casas, carros e celulares, mas também muito mais drogas e armas para defender as atividades criminosas. Os números e os estudos também mostram que, onde há mais dinheiro - como nas grandes cidades e nas fronteiras com outros países, bem como nas de expansão do agronegócio - há mais criminalidade violenta.

Mas como melhorar o problema? As respostas são múltiplas, mas seguramente elas não estão nos caminhos trilhados nas ultimas décadas. As politicas traçadas pelos políticos e pelos comandantes da segurança pública no país tem, na verdade, produzido mais criminalidade violenta.

O Brasil apresentou, nas últimas duas décadas, dois modelos de enfrentamento da violência urbana que tiveram a pretensão de servir de modelo para todos os Estados. Desde meado do longínquo 1990, São Paulo apostou no modelo de encarceramento e ampliação do quadro funcional das polícias. O Rio de Janeiro apostou na ocupação da polícia militar de territórios dos mais pobres por Unidades de Polícia Pacificadora, as UPPs. Ambos modelos gozaram de muita publicidade e sensação de sucesso nos primeiros anos, mas em pouco tempo demonstraram-se ineficazes para minimizar a criminalidade violenta.

O problema central é o mesmo: considera-se que a origem do crime é o comportamento dos pequenos criminosos na pirâmide de poder e de comando montada por eles. Atacam os "trabalhadores braçais" do imenso negócio que é o crime e não procuram o "patrão" desse negócio. Quando se encarcera o operador de baixo sem mexer nas economias ilegais que o empregam, ele apenas cede seu "posto de trabalho" para outros. Um traficante preso implica um novo traficante na esquina em seu lugar. A segurança faliu e esqueceram de noticiar. Daí a inflação do número de presidiários. Até quando?

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O grande paradoxo da Europa.

A população está cansada da União Europeia, integraram, por razões políticas, muito rapidamente os países do leste europeu e isso custa caro, muito caro. Metade dos europeus não comparece às urnas para votar para a escolha de seus representantes no parlamento europeu, instituição que cimenta a união da Europa. A metade daqueles que vão às urnas escolhe partidos hostis à continuidade da União Europeia.

Ao mesmo tempo, uma estatística revelada pela chanceler alemã Angela Merkel, expõe o grande paradoxo. A União Europeia representa tão somente 5% da população mundial, tem 22% de todas as riquezas do mundo (PIB) e gasta em proteção social 50% das despesas do mundo. É claro, que com esse quadro de prosperidade e riqueza, ainda que com os problemas de uma recessão que se eterniza em alguns países, fora de suas fronteiras, a Europa é muito atraente, seja porque alguns países querem aderir à União Europeia, seja para os indivíduos que correm risco na tentativa de chegar ao que consideram um Eldorado, criando apreensão de redução da riqueza e prosperidade instalada na Europa.




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