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17/06/2015 08:03

Um falso inferno: a "guerra" de palavras entre os Trad e o PMDB

Mário Sérgio Lorenzetto
Um falso inferno: a guerra de palavras entre os Trad e o PMDB

Um falso inferno: a "guerra" de palavras entre os Trad e o PMDB.

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É deplorável colocar confiança ilimitada em qualquer um dos meios para vencer as eleições. Todas as coisas estão sempre em movimento ao mesmo tempo. Um dos erros mais comuns em todas as análises de derrotas eleitorais, é procurar razões individuais a respeito do porquê as coisas aconteceram. Tudo é importante e deve ser levado em consideração se quisermos entender os processos eleitorais. Seja a "espionagem" dos movimentos do adversário, as ações dos cabos eleitorais devidamente motivados e não apenas bem remunerados, ou a contribuição dos vários veículos de informações. O único exagero aceitável é o de que as mídias ditas "sociais", as deflagradas como se fossem mísseis pela internet, ganharam relevo nos últimos anos. Não podemos simplificar tanto as coisas para deleite das "torcidas".

Todos gostam de soluções rápidas para tudo. Gostaríamos de acreditar que o Azambuja ou o Girotto venceu as eleições municipais, mas perderam. Assim como é fácil para os peemedebistas culparem os Trad pela derrota do Girotto; é também fácil culpar André e o PMDB pela derrota de Nelsinho. Mas, é infantil procurar causas únicas para explicar como as coisas aconteceram nas duas derrotas. Todavia, se as causas são variadas, a responsabilidade maior sempre pertence ao candidato, seja o Girotto ou o Nelsinho. Ainda que fossem candidatos palatáveis, existiram adversários em melhores condições, que "falaram à alma do campo-grandense e do sul-mato-grossense" e levaram a maioria dos votos. Para o bem ou para o mal. Mas essa é outra história que ainda está por ser escrita. Os verdadeiros dissabores entre os dois polos pouco têm a ver com os processos eleitorais. Os problemas são antigos e surgiram nos dias em que o patriarca do clã - Nelson Trad - resolveu apoiar André para prefeito. Desde então, os problemas e disputas internas aumentaram, ganharam força e agudizaram. O resto é "guerra de desgaste" mirando as eleições de 2016.

Um falso inferno: a guerra de palavras entre os Trad e o PMDB
Um falso inferno: a guerra de palavras entre os Trad e o PMDB

Os políticos criaram mitos e não história.

"Nenhum homem nesta terra é republico, nem zela ou trata do bem comum, senão cada um do bem particular". Quem proferiu estas palavras? Terá sido o FHC acusando o PT de corrupção? Ou será o Suplicy acusando FHC de comprar o segundo mandato? Erraram em ambas alternativas. Frei Vicente Salvador, escreveu no seu livro "História do Brazil" no longínquo ano de 1630. A história da corrupção brasileira é apenas um mito contado por adversários. Em verdade é praticada por todos os partidos ao longo dos nossos mais de 500 anos.

Outro mito criado pelos políticos é o que trata da escravidão mais amigável praticada pelo português-brasileiro. O Brasil recebeu aproximadamente 5 milhões dos 8 milhões de africanos que foram arrancados de suas terras. E se converteu no segundo país africano mais populoso do mundo, atrás apenas da Nigéria. Esse é o preâmbulo de uma história que não contam. O Brasil tem um imenso país africano em suas terras. Se a quantidade é o preâmbulo, a história de nossa escravidão está marcada nos castigos, nas punições e nas rebeliões dos açoitados. Como também pode ser contada nos "elevadores de serviço" que não são apenas para levar cargas, mas sobretudo os funcionários que guardam a marca do passado africano na cor.

Um dos mitos mais audaciosos é o contado sobre a Inconfidência Mineira. Tirandentes, seu "líder", é apresentado com uma face religiosa, cabelos à Chanel, um olhar profético e usando uma túnica branca igual a de Jesus Cristo. A mentira é tão grande que deveria revoltar os cristãos de todos os credos. Ninguém sabe como era o rosto de Tiradentes. Esse é apenas um mito criado pelos políticos republicanos.

E o D.Pedro I pintado por Pedro Américo na tela "Independência ou Morte"? Um homem elegante, garboso, majestoso e corajoso em cima de um belo cavalo branco, gritando "Independência ou Morte"! Reles mentira. A verdade é que ele teve uma disfunção gástrica. Cavalo? Ele estava montado em uma mula.

Talvez a ilusão mais recorrente seja a índole pacífica do brasileiro. Pacífico? Esqueceram da Cabanagem que matou 30% da população do Pará? E a Revolução Federalista do Rio Grande do Sul que matou 10 mil pessoas? E ainda criou um novo "produto" - degolar os inimigos - que virou "moda" e foi levada à Chacina de Canudos. E ainda existem muitos que lamentam a "falta de violência" do brasileiro.

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O governo federal sai da defesa e começa a recuperar a iniciativa.

1, 2, 3, 4, 5, 6...a contagem para o nocaute avançava. O governo federal estava preso nas cordas do ringue. Saiu. Estava aparentemente perdido, concentrado apenas no ajuste fiscal, agora tenta recuperar a iniciativa preparando bons projetos de concessões e estimulando as exportações. O fato mais interessante é que o governo do PT não contou com o apoio do PT. É isso mesmo, o partido virou as costas ao governo e somente o criticava. A memória não pode ser deletada - o partido foi o principal beneficiado da época do "desajuste fiscal".

A primeira iniciativa foi tomada com o Plano Safra. A ministra Katia Abreu mostrou força e competência (para raiva e desconsolo de seus opositores conservadores e ultra-esquerdistas). Os agricultores revelaram seu apoio através de suas lideranças mais representativas. Afinal, são quase R$ 190 bilhões para eles. Em seguida, veio o plano de concessões. Em sua apresentação é um plano bem articulado. A impressão do meio do ano é a de que o governo parece deixar de ser refém do "parlamentarismo de coalizão", que nem governava e nem "coalizava". Muito pelo contrário, só queria "predar" o governo federal.

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Para que fazer revolução? Faça um acordo.

Quem quer mudar o mundo precisa primeiro mudar a si mesmo. Essa ideia pertence à Antiguidade, a frase foi proferida por Sócrates. Por mais difícil que o oponente possa ser, o principal entrave, geralmente, somos nós mesmos, ao reagirmos de uma maneira que não atenderá aos nossos interesses. É comum as pessoas se sabotarem nas discussões, reagindo de maneira incompatível com os próprios objetivos. Em uma disputa de negócios ou na política, um parceiro chama o outro de mentiroso na imprensa e o ex-parceiro, por sua vez, entra com uma ação por difamação. Atrás de reações tempestuosas está a vontade de que só uma das partes sairá vencedor. Há necessidade de se controlar antes de procurar influenciar o lado oponente.

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Maioridade penal: quais são os números verdadeiros? A verdade é a vingança.

Toda discussão em torno da maioridade penal é carente de dados confiáveis, tanto contra como a favor. Um levantamento realizado pela Folha de São Paulo questiona dados já divulgados sobre a participação de menores em crimes hediondos. Um deles é o 0,5% que informa a Presidência da República com base em números do Ministério da Justiça. Outro é o 1% que se atribui ao Unicef. Em sete dos nove Estados que contribuíram com informações para a Folha de São Paulo, esse "índice é igual ou superior a 10%".

Mas há um dado que ninguém contestou - os superlotados presídios nacionais estão povoados, em sua maioria, por jovens. Nada menos que 54,8% dos presidiários brasileiros tem entre 18 e 24 anos de acordo com o InfoPen - Sistema Integrado de Informação Penitenciária. E tem mais, de acordo com esse banco de dados eles são do sexo masculino, negros, semianalfabetos e com poucas condições de reabilitação. Estão também dominados por facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital, em São Paulo e Mato Grosso do Sul, e o Comando Vermelho, no Rio de Janeiro.
Como é de conhecimento de todos, o sistema prisional brasileiro é de uma inutilidade gritante pois não há possibilidade de recuperação. Resta o desejo de vingança. É ele que alimenta os elevados índices populares que pleiteiam por mais gente nas cadeias. Seja jovem, idoso ou de qualquer idade. O que importa é a vingança pelos crimes cometidos. Colocar na cadeia foi a saída encontrada pela civilização para que deixassem de fazer justiça com as próprias mãos. Essa ladainha de que cadeia brasileira recupera criminosos pertence ao imaginário e interesses de uns poucos. O resto é discurso de políticos.

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