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    Emanuel Steffen - www.mayel.com.br


17/10/2014 10:04

A bolha que não é bolha!?

Por Emanuel Gutierrez Steffen (*)

A teoria explica que as bolhas econômicas se formam quando preços sobem muito mais rápido do que a média histórica, acompanhados de um intenso debate sobre as oportunidades e as perdas de quem está por fora. De repente, algum fenômeno econômico causa ruído, a bolha estoura e provoca perdas em pouco tempo.

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Nos últimos anos, tivemos no Brasil uma valorização imobiliária bem acima do crescimento do PIB, com incontáveis casos de enriquecimento rápido daqueles que aproveitaram oportunidades. Tão intenso foi o fenômeno que, para muitos, pareceu natural interpretar essa valorização como uma bolha, similar àquela que ocorreu há meia década nos Estados Unidos. Com a bolha, surge o óbvio temor do estouro e das perdas.Dados recentes mostram um evidente esfriamento dos negócios imobiliários e a queda generalizada nos preços. Será o estouro da bolha? Tenho meus próprios argumentos contra a polêmica interpretação de bolha no mercado imobiliário.Lembremos que a ideia de bolha apavora investidores, em razão dos potenciais efeitos devastadores do desmoronamento de um mercado supervalorizado. O termo bolha foi adotado para explicar a possibilidade de ruptura abrupta do fenômeno.

No Brasil, a alta de preços dos imóveis não nasceu da simples especulação em torno da valorização. Grande parte dos imóveis vendidos nos últimos anos era composta por lançamentos imobiliários, projetados para atender a uma população que passou a ganhar mais e teve acesso a crédito. Ela aproveitou a oportunidade não para investir, mas para melhorar seu padrão de moradia. As construtoras não atenderam à demanda, e os preços subiram. Esses imóveis estão ocupados. Não aguardam compradores.

Agora, o crédito se esgotou, e o número de compradores diminuiu. Construtoras que não souberam prever o fenômeno têm de liquidar suas unidades disponíveis, e investidores que não se prepararam para o longo prazo têm de baixar preços, não raro com prejuízo.Daí para o estouro da bolha, há uma grande distância. Eis o que temos: 1) um esfriamento do mercado; 2) uma redução média de preços, mais para esvaziamento lento que para estouro; e 3) dificuldade maior de encontrar as oportunidades que ainda existem.

Quem comprou seu imóvel para morar não venderá. Sem negócios, os preços ficam mais para estagnação que para queda. A inflação se encarregará de aumentar a perda real. Os mesmos brasileiros que ignoraram a inflação e os custos de cartório atrás de grandes lucros nos últimos anos também ignorarão a inflação e não perceberão a perda maior. O problema existe, mas, para a maioria, doerá menos do que se imagina.

Fonte: maisdinheiro.com.br / Gustavo Cerbasi.
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(*) Emanuel Gutierrez Steffen – Criador do portal www.mayel.com.br

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