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    Emanuel Steffen - www.mayel.com.br


10/08/2016 08:53

Não deixe a crise acabar com o seu casamento

Por Emanuel Gutierrez Steffen (*)

Com o agravamento da crise econômica, muitos casais nos procuraram em busca de apoio para ultrapassar esse momento delicado. A maioria dos relatos enviados são de pessoas que perderam o trabalho. E por conta da súbita diminuição da renda, começaram a enfrentar problemas. Os problemas encaminhados são variados e, quase sempre, acompanhados de diversos desentendimentos e falta de perspectiva em relação ao futuro familiar e profissional.

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Um detalhe importante que as mensagens apresentam é que, via de regra, as famílias buscam um culpado pelos problemas. Homens e mulheres trocam acusações e, sem perceber, caminham para a destruição do casamento.

Outro detalhe importante compartilhado pelos casais em suas mensagens é que eles gostam de fazer comparações. Isto é comparam o atual momento com o início do casamento, quando tudo era flores. Como não poderia ser diferente, o início do casamento é uma época marcada por grandes emoções e descobertas. A perspectiva de uma nova vida e a alegria que envolve a situação acabam sobressaindo e os problemas são sempre minimizados. Com o passar do tempo, muita gente acaba descobrindo que o que antes parecia certo, agora traz angústia e muita preocupação. Principalmente na esteira de uma crise e com a falta de dinheiro. Cadê o amor que estava ali?

Se existe algo que aprendi é que casamento não combina com dívidas. Justamente por isso, a grande arma para evitar o esvaziamento do potencial financeiro do casal é a conversa franca e direta sobre o dinheiro da família, respeitando o padrão de vida possível sempre. Costumo responder aos pedidos de ajuda sobre crise no casamento incentivando que alguém ceda. Ceder em um momento de crise não é fácil. Mas também é verdade que ninguém ganha com posições de intransigência. É preciso, antes de tudo, de muito amor próprio para seguir em frente. O primeiro passo é conversar, de maneira franca, e não esquecer de colocar o assunto “finanças pessoais” na mesa de uma maneira adulta, olhando para frente e de forma realista para a situação familiar. Nesse momento, é hora de resgatar o casamento, cultivar novos hábitos e fazer do planejamento financeiro um aliado de peso.

Um hábito importante para cultivar é o hábito de falar sobre o dinheiro sempre, não apenas quando ele é um problema. É fundamental para qualquer família seguir um padrão de gastos que seja compatível com a renda e, principalmente, alinhado aos objetivos e sonhos de todos. A regra básica das finanças pessoais é manjada: gastar menos do que ganha. Batida, conhecida, óbvia, mas ignorada. Mude isso!

Essa regra deve sempre ser aplicada, principalmente nos momentos de crise, quando a renda diminui. É preciso levar em conta que crises são períodos que são verdadeiros testes para os casais. Principalmente quando estes não se preparam adequadamente para atravessar as turbulências. Uma grande lição que os períodos de crise apresenta é que ninguém escapa das emergências. Na verdade, enquanto alguns sofrem suas consequências, outros que se prepararam conseguem fazer grandes negócios e criar excelentes oportunidades.

Aqui mesmo já falamos muito sobre uma questão fundamental: a necessidade de formar a chamada reserva para emergências. Infelizmente, quando tudo vai bem, dificilmente as pessoas se dão conta de como é importante estar preparado para tudo, sempre. A reserva de emergência deve garantir seu padrão de vida por pelo menos seis meses, ainda assim devemos ajustar o padrão de vida, cortar custos e evitar novos gastos. Para fazer o planejamento financeiro, o casal dever adotar alguma boa ferramenta de controle. Alguns casais mais tecnológicos e antenados podem adotar alguma ferramenta online, enquanto outros podem preferir utilizar uma boa planilha.

Alimentar seu controle financeiro precisa ser uma rotina, um hábito que represente a transformação do casamento e da própria vida; um novo estilo de vida, onde o diálogo e a educação financeira ganhem espaço no cotidiano.

Conclusão: Recuperar um casamento desgastado pelo tempo e surrado por uma ou mais crises não é fácil. A questão financeira é um problema que ataca silenciosamente e muitos não conseguem perceber que o problema não é a falta de amor, mas falta de planejamento, transparência e diálogo. Lembre-se que a hora de pensar no futuro é agora, no presente, e comece agora a mudança de hábitos neste sentido. Nem sempre a outra pessoa perceberá a importância disso tão rápido, mas não se desespere. Em alguns casos, talvez o melhor seja seguir sozinho por esse novo caminho, mas sempre depois de esgotar todas as alternativas. Boa sorte e até a próxima!

Fonte: Ricardo Pereira/Dinheirama.com
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(*) Emanuel Gutierrez Steffen é criador do portal www.mayel.com.br

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