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23/12/2011 07:15

A quebra das fronteiras e o mestre Paulo Nolasco

Grandezas da Literatura

A primeira ocupação nossa diante da arte, se estamos no estado de atenção, é gerar expectativa de compreensão, pois compreender é a glória do existir. Ao ler o título de Paulo Nolasco: “O outdoor invisível – Crítica reunida” — somos instigados, só por isso, a descobrir seus objetivos, pois a palavra “invisível” declara uma presença forte da interioridade humana posto que crítica.

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Só uma arte invisível pode socorrer a arte latente, que ao se tornar visível o faz barrada pelas limitações da materialidade. Autores atentos muitas vezes padecem ao perceber a imperfeição das coisas que, convertidas por eles à realidade palpável, antes, na sua atenção psíquica, configuravam-se perfeitas.

O livro “O outdoor invisível — Crítica reunida” é um vértice da abstração e da metáfora, da transfiguração e da resignificação. Tem o cunho, o valor universitário. Não temos a pretensão de interpretá-lo, mas, sim, de nos enriquecer na fonte indicando-a aos demais estudiosos.

Claro, buscamos febrilmente saber no íntimo sobre a necessidade e consequência final dessa obra, e nos contentamos com um dos seus possíveis efeitos: a dissipação de barreiras para humanidades, aceleração do desfazimento de fronteiras — todas transitórias, provisórias no celeiro humano.

Paulo Sérgio Nolasco dos Santos nasceu em Dourados, onde reside.

Professor e diretor da Faculdade de Comunicação, Artes e Letras na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Professor Associado de Teoria da Literatura e Literatura Comparada – e de Literatura e Crítica Literária no Programa de Pós-Graduação em Letras, nível Mestrado na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

Mestre em Teoria da Literatura pela Universidade de Brasília (UnB), doutor em Literatura Comparada pela Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ocupa a cadeira nº 20 da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras – patrono Visconde de Taunay, anteriormente ocupada por Otávio Gonçalves Gomes (em memória).

Outras obras publicadas: Nas malhas da rede (uma leitura crítico comparativa de Julio Cortázar e Virginia Woolf); Ciclos de literatura comparada; Literatura Com- parada (interfaces e transições); Ensaios farpados (arte e cultura no pantanal e no cerrado); e Divergências e convergências em literatura comparada, além de artigos em revistas e periódicos especializados.

O outdoor invisível (outdoor: “do lado de fora da porta”, “grande painel ou cartaz em tamanho gigante para publicidade ao ar livre”) de Paulo Nolasco põe na cena, de forma inapreensível ao olhar fixo, as artes e a naturalidade, em cultura, da intertextualidade, interdisciplinaridade, transição, migração, amalgamação, contaminação, transformação, galvanização, enxertadura, osmose, relativa- mente às laborações humanas.

Expõe crítica mediante visões sócio/ sociológico-político-cultural, de história-evolução, sondando formas e fórmulas constitutivas da experiência. Seu texto é de literatura comparada, ou seja, tem técnica e método de verificação de influências e inter-relações das literaturas, estudando amplamente os fenômenos no extremo oeste do Brasil com enfoques especiais para Mato Grosso do Sul (e os seus problemas de identidade – mais dolorosos para a gente política) e fronteiras.

Claro, os estudos têm quantificação para as formas de expressão, sejam poesia, música, teatro, cinema, artes plásticas-escultura, folclore, culinária, usos e costumes associados às localizações e condições geográficas, migrações, imigrações. Os perfumes negros e brancos, indígenas e mestiços permanecem.

O autor reconhece os valores e personalidades regionais, estudando sua projeção, em realidade e ou por hipótese factível, para as macroestruturas. Do livro, no item Literatura e Cultura: Inter-relações identitárias na região sul-mato-grossense: “(...) a literatura regional quando produzida e adotada no local em que se reúnem o poder e as instituições legitimadoras, passa a obter essência nacional. (...)”.

Quando relata cosmopolitismo, cita que “qualquer perspectiva sobre a questão do nacional hoje está marcada profundamente pela questão do inter- nacional” e lembra que “o conhecimento de uma literatura nacional somente se completará à luz da sua correspondência com as demais literaturas”.

A diversidade é um desafio. Um desafio necessário que atrai Paulo Nolasco para as arenas da significação onde enxameiam as individualidades na busca multidimensional de razões para a existência. Ele adverte: “Numa época marcada pelo recorte das ‘semelhanças’, acabamos por tanto ver ‘semelhanças’ e muito pouco as ‘diferenças’ (...)”.

As fronteiras materiais, necessárias à organização humana objetiva no estágio evolutivo em que se encontra, aos poucos deixam de encontrar réplica no passo da abertura do sentimento elevado. Que- remos entender que ao final da etapa dessa reflexão em “outdoor”, resta a descaracterização do separatismo entre os povos, no rumo – não da desindividualização – mas da celebração da vida única e multifacetária.

A diferença é necessária, mas não tem a finalidade de resistir indefinidamente ao poder que rompe os isolamentos por toda parte. Todo indivíduo é único, mas composto com a contribuição dos seus diferentes. A buscada caracterização de Mato Grosso do Sul é sabiamente criticada pelo escritor.

Gostamos de somar dizendo que a nossa identidade simplesmente é. É a experiência neste chão. Não é necessário estereotipar, nem tomar cultura emprestada para fazer artifício de identidade. Basta abandonar o sentimento de inferioridade.

Quanto à crítica, não deve se tornar brasas sobre as nossas cabeças. A ciência crítica não pode ser extra-humana e a função do explicar tem preferência para o crescimento e não para o limitado rótulo. A crítica está também sujeita a corrupção, se colocada por vantagens pessoais; e a causar prejuízos temporariamente irreversíveis, se cristalizada em preconceito.

Efetivamente, apoios institucionais a arte cultura surgem privilegiando produtores (privilégio no sentido de desconsideração aos demais, contra o direito comum), e a crítica sem a sã comparação, não raro, por melhor montada em aparências tem como amparo apenas gravetos do subjetivismo.

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Aí filha matéria do seu interesse intelectual. Bjos da mamis.
 
joanna durand em 23/12/2011 12:21:16
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