A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016



29/11/2011 08:15

Agonia de amor na exaltação poética

Grandezas da Literatura

Um pássaro que canta livremente mesmo mantendo a correção das formas, esse é o talentoso poeta Altevir Alencar. O seu Livro de Sonetos em 2006 alcançou a quinta edição, conseguindo um feito digno de quem se torna único - uma escola da humanidade, abrigando escolas literárias que se contrapõem, e, ao mesmo tempo, alçando voo além dessas convenções.

Veja Mais
Currículo - Guimarães Rocha
Fausto Furlan

Adota estilo parnasiano de escrever (objetividade, pureza formal), mantendo romantismo (sensibilidade e subjetivismo acima da razão), na essência e vai além, destruindo prisões do habitualismo, permitindo até mesmo a extravagância e um mar de simbolismos (próprios de uma escola reagente ao parnasianismo), num modo elegante de ser.

A obra reúne 103 sonetos, todos ao modo italiano – cada composição com 14 versos, dois quartetos e dois tercetos. Não é só porque Austregésilo de Athayde, Elpídio Reis, A. Tito Filho, Tomaz Gomes Campelo e o Desembargador Brandão de Carvalho, homenageiam Altevir Alencar no posfácio deste livro, que nos motivaremos a louvar o insigne poeta piauiense que foi adotado por Mato Grosso do Sul e honrou a adoção trabalhando pelo bem público, tendo sido prefeito de Nioaque, e após o mandato, Secretário de Estado da Cultura.

A leitura acurada nos atira a uma compreensão que fecha as portas a inúteis louvaminhas e nos entrega, emocionados, a importantes reflexões. O autor é Advogado Penalista, membro da Academia Piauiense de Letras e da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (cadeira 34, patrono Tertuliano Meireles), sendo, na atualidade, o único intelectual brasileiro a integrar simultaneamente duas academias estaduais.

Altevir é uma vítima bem-sucedida da necessidade de se expressar. Ele tem que gritar o amor e a dor, e o faz de modo original e estonteante. Nas letras vivas, narra tristeza e morte, enumera alegrias fugidias e todos os níveis mais profundos dos sentimentos humanos.

Veja como ele diz em NO NORDESTE (soneto), sobre a “Tarde longa e cansada de verão”, quando “O peito imenso do sertão soluça” (...) ou ainda em SOLITUDE, lembrando o despedaçador Augusto dos Anjos: “Vejo alçar voo num tumultuar medonho/ Um bando de ilusões fugindo a esmo/ Sentindo, por incrível que pareça, / Na própria luz dos versos que componho/ A ausência inexplicável de mim mesmo”. E mais; “Meu Coração: é um cárcere sem portas/ Onde se agrupam todos os fantasmas/ Das esperanças que nasceram mortas”.

O poeta não foge do contraditório. Associa as agonias do universo com o amor sonhado, vivido com felicidade, depois perdido, mas escravizado na memória. No soneto VELHO PORTÃO, sente que “Sou a porta da vida escancarada, /Que a rajada da angústia escancarou”.

Insatisfeito, chora em NUNCA, sobre os amores impossíveis, mas despertos: “Tu não aplacarás as minhas ânsias/ - Mulher feita de fogo e de distancias, / Que eu sempre quis... e nunca pude ter”. E na construção DENTRO DE NÓS, reclama: “Tudo nos diz que o pranto mais ardente/ É justamente o que a alma desconhece”.

A mulher está presente em sua verídica aspiração de pureza, encontros com o amor, devaneios e decepções. VEM é o soneto assim finalizado: “Que este amor que me queima é uma loucura/ É minha glória e minha própria ruína”, um dos muitos choques em que identifica fatalidade nas coisas. Talvez por isso, no NIRVANA, desabafa: “Sou cálice de flor que se adelgaça, / Recebendo a neblina da desgraça, / Dentro da noite horrível do viver”.

Por vezes é iconoclasta, ousa, poeticamente, falar como no incluso TALISMÃ: “Movam-se a ondas de cristal do oceano, /Ruja, feroz, o temporal do inverno, /Tornem-se fogo s lágrimas de Deus/ Nas infi nitas amplidões dos céus!”.

Altevir Alencar! Todo poeta sabe que um bom intercessor assume funções de um Anjo-da-guarda. Prossiga defendendo o coração da poesia, semeando beleza, mesmo quando dolorida, nesses misteriosos caminhos da nossa vida!

Currículo - Guimarães Rocha
Guimarães Rocha (Antonio Alves Guimarães) é poeta escritor, membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras. Nasceu em Quixeramobim, Ceará. Viveu em ...
Fausto Furlan
Nosso agradecimento ao artista Fausto Furlan, pintor, ilustrador das imagens dos poetas e escritores homenageados.(Pintor e cenógrafo, Fausto Furlan,...
Reconhecimento
A ABOIMS se orgulha de possuir em seu quadro de associados figura tão eloqüente quanto você. Guerreiro tenaz, ingressou na nossa gloriosa Policia Mil...
Uma construção que nos faz tocar estrelas
Esta obra de Guimarães Rocha é uma sondagem reveladora.Um arranha-céu ornamentado por uma constelação de ilimitados valores. A literatura, um choque ...



imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions