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22/11/2011 07:15

Flor dos Aguaçais na poesia de Rubens de Castro

Grandezas da Literatura

Aguaçal é pântano. Águas aparentemente estagnadas. Pantanal. Uma abundância que guarda em seus recônditos o movimento das fl ores selvagens, puras, livres, belas, misteriosamente apontando em sua finitude a eternidade.

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Flor dos aguaçais é uma dessas fl ores grandiosamente humildes, da criatividade divina, baloiçando corações ao vento e se recolhendo depois no mistério do chão e do céu.

Rubens Mendes de Castro — fi lho de Faustino Gomes de Castro e de Guiomar Mendes de Castro —, autor do livro Flor dos Aguaçais lançado em 1986, prefaciado pelo poeta ladarense J. L. Macêdo. Antes, em 1984, publicara “Alma Cigana”. O poeta trovador deixou ainda oito livros inéditos que o tempo contará.

Rubens de Castro veio para nós em sete de julho de 1915, nascendo em Lençóis, Bahia, e voltou para novas luzes em quatro de julho de 1999, falecendo em Cuiabá, Mato Grosso. Adotara Corumbá ao fi nal da década de 30, onde se radicara com tanto amor, que se dizia “Corumbaiano”.

Os confrades acadêmicos amorosamente o chamavam “Baiano”. Ocupou a cadeira 28 da Academia Corumbaense de Letras (da entidade tendo sido membro fundador), sob a égide de Luiz Rodrigues Feitosa.

Membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras desde 16 de dezembro de 1988 ocupou a cadeira de número quatro, cujo patrono é o doutor Joaquim Duarte Murtinho, hoje ocupada pelo poeta escritor Guimarães Rocha, que se ufana em homenageá-lo (ao Rubens).

O literato foi premiado e reconhecido e publicado em todo o País, especialmente em Mato Grosso do Sul com suas poesias e trovas. O primeiro ocupante da cadeira foi Alcindo Moreira de Figueiredo.

Fora empossado ao mesmo tempo em que a expressiva Raquel Naveira, mulher de tanta escrita altiplana, assumia a cadeira de número oito da nossa casa em comum, do patrono Itúrbides de Almeida Serra.

Em seu discurso de posse, expunha as dores que lhe provocavam o fato dos homens insistirem na construção de um mundo materializado no sentido de que transformam suas existências numa farsa, relegadas ao segundo plano as coisas relacionadas ao espírito. “Então — dizia —, os costumes se aviltam, a moral se corrompe, a sociedade se desintegra e as consciências se toldam, enquanto o vício, estendendo os seus tentáculos de perdição, prossegue na sua tarefa demolidora, procurando envolver a tudo e a todos”.

Consola-se com a poesia, “Esta constante festa — declara — em que a natureza se agita em bênçãos de luz e sombra, de fl ores e frutos, de frio e calor, de bonança e de tormenta!” — “É — a poesia — o aconchego de penas, é paz e amor dentro da maciez de um ninho!...”. Romântico esteticamente influenciado pela terceira geração e adepto do estilo pré-modernista gregoriano. Autor criativo e preferentemente dicotômico no expressar (“A

mesma terra opulenta /Que nos cria e nos sustenta, /Um dia irá nos tragar”), exaltou a beleza, a mulher, a vida, falou implacavelmente contra a injustiça, o orgulho, a opressão, a hipocrisia.

Não falta quem veja nele Castro Alves, Gregório de Matos Guerra e outras estrelas embriagadas de amor, cortantes, irônicas, multimilionárias em fibras do etéreo coração.

Mais que saudosista, é conhecedor do sentimento quase secreto perante a pantaneira “procissão dos camalotes”, como fala em seu poema “Mato Grosso do Sul”. O Pantanal dá nome ao seu respirar. Ele grita em “Súplica”, atento ao instrumento físico e transcendental que lhe serve ao escrever: “Não me deixes sozinho, minha pena /E obedecendo às letras do teu nome, /Tem de mim compaixão, na rude arena, /Em que a vida se bate e se consome!...”.

No sofrer por amor, ele se queixa da distância e do tempo, referindo-se aos próprios olhos como “dois sóis sentindo frio” na poesia “Três Dias... Três Anos”. Apresenta sínteses, por exemplo: “O amor é sempre o amor em todo o mundo” (...). Revela dramas emocionais em seu trabalho “Nada”, na expressão “Ver em tudo o verniz do fingimento /E sepultar na boca os próprios beijos”.

Seu estilo é tradicional e simples, ao mesmo tempo cortante para defi nir, como em “Presente de Aniversário”, escrito para sua filha, que “Trago em meu peito de pobre /Um coração rico e nobre, /Pleno de amor e perdão”.

Mostra que a alma tem poder, em “O Natalício de Ermelinda”: “Hoje quando o sol nascia /Mandei chamar a poesia / Que andava meio arredia” (...).

Colhendo os tesouros íntimos do amor materno, assim se expressa: “Quero ofertar-te, mãe, esta coroa /do pranto oculto que não foi chorado”.

Ironizando a hipocrisia, alerta em “O Semideus” que “O mais vil pecador se julga um santo /Que milagres opera a cada dia!”. E ao sintetizar os caracteres negativos da alma humana, indica doloridos exemplos como em “A vaidade”, que “Vive à cata de elogios /De quem bajula e quem mente” (...); e na poesia “A soberba”, intrigantemente classificando-a (soberba) como “A revolta da pobreza”; e, sobre “O Orgulho”, a verdade de que “se aproxima de uma bolha de sabão”.

O câncer nos pulmões fechou-lhe a porta física a quatro de jul ho de 1999. Seu corpo velado na Academia Mato-Grossense de Letras foi sepultado em Cuiabá. Homem de espiritualidade forte anunciava desde que escreveu “No Dia em que Eu Morrer”: “A morte, esse fantasma dissolvente, /Quando me abrir o seu seio irei contente /Noutros mundos viver...”.

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Esta homenagem, valeu.Ele foi campeão em friburgos estado do Rio com estwe poiema.
Olhando o tempo passando
um dia vai outro vem...
Meu Deus! é Maria chegando,
Abro meus olhos ... ninguem.
 
Vitorino de Campos em 22/11/2011 08:58:34
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