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08/11/2011 07:15

Frei Gregório árvore de compaixão em Campo Grande

Grandezas da Literatura

Se estivermos de acordo com que nada nasce, cresce, vive e desaparece por acaso, teremos olhos para ver uma providência sábia universal, organizando a vida por toda parte. Presenças que abençoam brilham pela Terra inteira, das gloriosas aglomerações urbanas até as mais ignoradas comunidades. É uma espécie de plantão sublime. Não há coletividade que não disponha de mãos que socorrem, curam e trabalham com altruísmo, seres humanos dispostos ao sacrifício pessoal na misericórdia para com outros. Sendo múltiplas as necessidades, são múltiplas, graças à abastança eterna, as profissões e confissões. Evidente, os melhores são minorias que fazem evoluir as maiorias. Frei Gregório de Protásio Alves faz parte dessa elite do coração, e viveu em Campo Grande.

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O livro Memórias de um Frei Capuchinho, lançado em 1995 reúne basicamente crônicas do próprio Frei Gregório. Nascido Davi Bonato, a 20 de março de 1915 na cidade de Protásio Alves (RS), falecido em Campo Grande (MS), 28 de outubro de 2008, o autor, frade franciscano, além de escritor era músico, compositor, comunicador. Ocupou a cadeira nove da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, anteriormente ocupada por Hugo Pereira do Vale (em memória), patrono marechal Mascarenhas de Morais. Veio para Campo Grande, Escola Miguel Couto, ao final de 1956. Residia na Fraternidade Nossa Senhora de Fátima no Bairro Monte Líbano.

Frei Gregório publicou outras 27 obras em vários estilos e temas. Foi responsável pelos programas na Rádio Educação Rural, de 1965 a 1990. Diretor Espiritual do Cemitério Parque das Primaveras, desde 1973. Cidadão Campo-Grandense (22/8/1979). Membro efetivo da União Brasileira de Escritores (UBE-SP) desde 1988. Colunista do jornal Correio do Estado.

A missão sagrada junto ao povo é clara nas páginas de “Memórias de um Frei Capuchinho”. Lendo-lhe as santas recomendações, percebemo-lo um religioso da verdade, mesmo se independentemente fosse da denominação institucional a que serve. Quero dizer do modo compassivo no tratamento sem exigências. Sal da terra, luz no mundo. Como um filho do húmus identifica-se com o chão e ergue as bandeiras das expressões populares, humildes, com seus mitos e lendas instrutivas, buscando guindar a comunidade aos patamares de maior dignidade. O livro, além das preciosas pitadas de história, fala do cotidiano desse tarefeiro com a população, na convivência construtiva motivando para o infinito e com sustentação primeira nas celebrações da missa, na acolhida dos corações no altar do casamento, nos cerimoniais do batismo, da crisma e primeira comunhão, enfim, na propiciação dos sacramentos. Chama à simplicidade, enaltece o desporto, estimula ao trabalho digno, ao festejo sadio e ao repouso necessário. Agora uma incompreendida transição destrói a tradição. Cadê a quermesse, o festeiro, as prendas, as procissões frequentes, a dança, a música, o folclore, a família?... Sim, ainda há algum coral, festas de padroeiro e outros sinais, mas deterioração dos cerimoniais, profundas transformações psicológicas. Onde o valor cultural popular? Às vezes agora tudo parece provisório, resquício do que deveria ser permanente. No andor da aflição ante a disparada de indiferentes, o padre quase atônito fica afônico de tanto pregar a brotos preguiçosos inclinados a se tornarem figueiras secas. E Jesus à espera com a sua água viva.

Mas Frei Gregório de Protásio Alves distendia-se altaneiro como um otimista crônico, árvore campo-grandense. O bom humor próprio dos evoluídos lhe era próprio. Provavelmente morreria sorrindo, brincando inocentemente para mais além. A paz que transmite não é ingênua, porém. Sabe como ensina em “A simplicidade das pessoas”, que essa paz vem “acompanhada de sofrimentos e aflições”. “O homem propõe e Deus dispõe”, dizia.

Declarava a cada “relancina” um amor à natureza. Em “A imburana continua a servir”, descreve como e o quanto uma árvore pode ser útil e benfazeja, levando-nos a contemplar nela os atributos e as “perfeições divinas”. Amigo de Deus, amigo do povo que trabalha, pois Deus é trabalhador, Jesus um operário. Lúcida calma. Vigilante mansuetude.

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Que Benção quem conheceu esse maravilhoso Frei Capuchinho, peregrinava por esse Mato Grosso do Sul, quantos batizados e casamentos, quantos sacramentos por ele dado, tudo em nome de Deus, ele tinha a transparência de Deus em seu semblante, em suas ações, em seu viver, quanta gratidão por essa cidade que se tornou seu berço, sua devoção com certeza jamais será esquecida Pai Abraão, saudades.Amém...
 
NEUZA RIBERA B.FRANCISCO em 10/11/2011 11:21:01
Que saudades do Frei Gregório. Homem com semblante doce, com alma de criança, e coração de leão. Desafiava os perigos e caminhava pelas pedras, refugando os caminhos mais fáceis e descomplicados. Sempre fazia a comunidade onde morava se unir na intenção de cada ano fazer melhor uma quermesse, uma arrecadação para fim de caridade ou mesmo uma simples missa com a mais singela intenção.Fique com Deus
 
Renato Zancanelli de Oliveira em 08/11/2011 11:24:45
Tive a honra, e o prazer de conhecer este grande homem, figura doce, calma, serena, sorridente, humilde, alegre, festeiro, bom papo, bom "sanfoneiro" e fiél as leis de Deus, um espirito de luz e tenho certeza que hoje habita as mais altas paragens da esfera celestial.
 
antonio mazeica em 08/11/2011 10:28:32
Boas lembranças do Frei Gregório. Homem inteligente e um verdadeiro sacerdote em sua missão evangelizadora. Que Deus o tenha.
 
Paulo Cunha em 08/11/2011 10:19:20
morro em sidrolandia sou de familia tradicional de sidrolandia familia pereira e colmam, fui batizado po frei gregorio na paroquia de nossa senhora da abadia em sidrolandia.frei gregorio usava um opala aqui em nosso municipio , andava com sua safona no carro.saudade de frei gregorio, acho que ja passou da hora da populaçao sidrolandense prestar uma homenagem ao saudoso frei gregorio.
 
valter osmar em 08/11/2011 09:40:08
Parabéns pelo texto. Frei Gregório, homem de fé e de uma simplicidade encantadora, jamais será esquecido. As missas por ele conduzidas eram igualmente simples, sem espetáculos, gestos e cantorias em excesso, com se vê hoje em dia. Com certeza está descansando num lugar especial no céu. Mas não posso de registrar que ao volante ele era um perigo constante, no seu velho opala.
 
Aluir Comparin em 08/11/2011 08:07:44
Este grande homen Frei Gregório, tem uma grande identificação com minha familia, especialmente com meu pai que foi seu auxiliar durante mais de vinte anos nas grandes festas de Nossa Senhora de Fatima, durante os treze dias de festas tudo era motivo de alegria, e religiosidade, cresci vendo a alegria e garra do Frei Gregório. Tive a honra e a satisfação de ter recebido dele o Batismo a 1ª eucarist
 
Celso Pereira em 08/11/2011 03:20:00
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