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16/12/2011 07:15

Heroísmo educativo no pantanal de José Frazão

Grandezas da Literatura

O drama poético romanceado “Tuiuiú, my brother” foi lançado pelo escritor José Pedro Frazão em 2001. O livro traz a ousadia de desenvolver postulados filosóficos na palavra e no sentimento expresso de tuiuiús e outros bichos pantaneiros em comunicação com os homens e de inteligência organizada entre si, mobilizada em defesa do Pantanal.

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Brother, o protagonista, recebe esse nome de um ecólogo norte- americano em pesquisa no ambiente. A amizade entre Brother e o estrangeiro Ty, como descrita, ignora a xenofobia e aponta que o amor e o senso de responsabilidade em meio à natureza desconhecem barreiras de idioma ou nacionalidade.

Mas a depredação, a degradação – aquelas provocadas pela antropia e não pelos agentes naturais, ameaçam a sobrevivência do conjunto. Do ponto de vista do Brother, é necessário aos viventes do pantanal um treino de resistência.

Daí José Frazão, no fi ccional, atribui ao protagonista o desejo de se tornar um supertuiuiú, então capaz de proteger as espécies. O exercício de tuiuiú passa a ser a reflexão humana. Quem pensa, protege.

Em caráter lúdico educativo, no embalo suave da narrativa o autor descreve o pantanal com riqueza de detalhes estéticos objetivos, traduzindo por palavras os seus efeitos na interioridade do observador.

Ele dá nomes de plantas e aves, usos e costumes, vida indígena, aspectos geográficos, fenômenos da região. José Pedro Frazão conquistou a cadeira número 29 da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, patrono Elmano Soares, substituindo Elpídio Reis (em memória). Jornalista.

Licenciado (licenciatura plena) em Letras (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), natural de Belém, Pará. Reside em Anastácio, Mato Grosso do Sul, desde 1980. Autor dos romances ecológicos: Nas águas do Aquidauana eu andei; e Tuiuiú my brother (indicado para o Prêmio Jabuti, Rio de Janeiro, 2003 e inserido no projeto Tom do Pantanal), obras didáticas integrantes do seu projeto de Educação Ambiental através da literatura.

O artista faz notícias, poesias, crônicas, músicas. Publicou em capítulos, os cordéis: A porca assassina; O boto encantado; Saga, o herói do outro mundo; A ninfa maníaca; e Mapinguari. Foi agraciado pelo Circuito Cultural do Banco do Brasil com o título de “Defensor do Ecossistema Pantaneiro”.

Frazão em “Tuiuiú my brother” educa com simplicidade ao abordar a destruição na natureza, como aquela necessária à alimentação, na feição de fenômeno natural, ao passo que a predação hu- mana induz desequilíbrios a recaírem desastrosamente sobre o todo. Faz pensar que a reação dos elementos, quando devastadora, estaria promovendo justiça contra os atos inconsequentes. O mito e a lenda fazem parte da realidade pantaneira.

As almas simples, reverentes, constroem o imaginário buscando aconchego no coração da mãe natureza, sendo o folclore uma sabedoria secreta que costuma abandonar a lógica. O escritor explora o lendário como um sentimento e conhecimento profundamente arraigado que, mesmo surgindo vagamente na vida prática, acaba conduzindo sutilmente grande parte das nossas ações no cotidiano.

Nas lutas de Brother, a relativização com a marcha humana: o abandono, a tristeza, a busca pelo pai e pela mãe, o perigo, a morte rondando, queimadas, prisões, o imperativo da perseverança, têmpera e fé. E ao final, a grande lição, o segredo maior ensinado de tuiuiú para tuiuiú, ave símbolo do pantanal: o amor, sem o qual tudo seria perdido. “(...) o que mais indignava o tuiuiú era saber que o ciclo de vida dos homens depende exatamente da existência dos animais e das florestas.

Por esse comportamento suicida, começava então a desconfiar da inteligência dos humanos”, escreve. Falando com o amigo estrangeiro Ty, o tuiuiú Brother vaticina o fim do mundo: “O que vai ser destruído não é o mundo exterior, mas sim o mundo imundo que está dentro deste mundo, para se cumprir à lei que condena o pecado e não o pecador”.

E o poeta Frazão ao imprimir na ave a atitude do guerreiro é como se dissesse: — Pantanal! Mova-se! Mobilize-se! Salve-se a si mesmo! — e nós mesmos somos o Pantanal.

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