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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016



14/12/2011 07:15

Hildebrando Campestrini: um eloquente com belas letras

Grandezas da Literatura

A pureza do verbo em seus muitos graus é um dos maiores esplendores da alma humana. As artes de escrever e de dizer são as mães e as esposas, filhas e famílias do desenvolvimento formal e da sabedoria, do nominal-operativo ao criativo-divino.

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Sem escrita, sem evolução; sem o sabor do dizer, não intuição, não dedução, não sentimentos. Veículos das ideias. Da remota antiguidade os filósofos renderam-se à realidade de que o único escape à imperfeição é o mundo das ideias, daí se dizer vida ideal, situação ideal.

Hildebrando Campestrini é um mestre eloquente da transmissão das elevadas ideias. Um galã das palavras, um belo beletrista. Seu livro Cantares de Menestrel, lançado em 1995, prefaciado por Geraldo Ramón Pereira, evidencia-lhe os voos e arroubos da alma cantora, música refinada ao tom do pincel perfeccionista e ao bisturi do espírito operoso.

O professor escritor Hildebrando Campestrini, Cadeira 31 da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, patrono Henrique Cirilo Correia, diplomou-se em Letras com Francês (1972) e em Filosofi a Pura (1984) pela instituição Faculdades Unidas Católicas de Mato Grosso (FUCMT).

Nascido em Rio dos Cedros, Santa Catarina, 1941, começou no magistério em 1961 e diplomou-se em Filosofia e Pedagogia pelo Seminário Maior Salesiano em 1962 e tornara-se especialista em Língua Portuguesa pela Universidade Católica de Minas Gerais em 1979. Foi professor na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (1973-1982) e na Universidade Católica Dom Bosco (1973-1986) e funcionário, por 20 anos, do Tribunal de Justiça de MS.

Professor titular de Linguagem Jurídica na Escola Superior de Magistratura de Mato Grosso do Sul (desde 1986). Tem ministrado grande número de cursos, especialmente na área jurídica e publicadas dezenas de opúsculos e edições várias. Das suas obras destacam-se os livros: Português para o Segundo Grau (I e II, 1980); Literatura Brasileira para o Segundo Grau (1976); História de Mato Grosso do Sul (co-autoria de Acyr Vaz Guimarães, 2002); Santana do Paranaíba (2002); Breve Memória da Justiça Sul-Mato-Grossense (1987); Cartas a Sara (1990); Como Redigir Ementas (1994); Cantares de Menestrel (1995); Questões Gramaticais Sul-Mato-Grossenses (1997); e Como Redigir Petição Inicial (co-autoria de Ruy Celso Barbosa Florence, 2001).

Cantares de Menestrel reúne três momentos de transporte campestriniano: a saudação proferida no dia primeiro de agosto de 1992, na sessão solene da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, em Aquidauana, homenagem ao centenário da cidade; o discurso pro- ferido no dia 20 de agosto de 1993, na sessão solene da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras em homenagem a Pedro Chaves dos Santos; e o discurso de saudação proferido no dia 30 de outubro de 1991, na sessão solene da Academia nos seus vinte anos.

Saudando os acadêmicos quando da assunção de Heliophar de Almeida Serra a Cadeira três (30/10/1991), o autor se desdobra no preito a cada um dos membros, destacando-os cada qual em suas peculiaridades. De Heliophar (corumbaense juiz de direito, desem- bargador, professor escritor) perfila-o como cronista a ver o mundo “com a ingenuidade da criança e não com o azedume do homem solitário.

Nessa paisagem humana, por onde passeia, faz brotar alegrias e emoções”. Condensou a glória daquele momento citando com enlevo uma passagem do fundador da Academia, Ulisses Serra (memória): “Se eu morrer alhures, onde quer que seja, morrerei um exilado e um proscrito de mim mesmo. Como sucedia aos antigos egípcios, minha alma, aflita e errante, esvoaçaria pelo Infinito sem nunca encontrar abrigo. Aqui não morreria de todo.

Ouviria o passo e a voz dos meus amigos, o gorjeio dos pássaros que amo, o farfalhar das frondes que conheço e o bater do coração da minha casa”. A Estrela Humana (como chamou) Pedro Chaves dos Santos teve seu brilho reavivado em homenagem póstuma no discurso (20/8/1993) de Campestrini.

O orador fala daquele que “(...) deixa a Ponta Porã dos ervais e dos entreveros; por caminhos desconfortáveis, dirige-se a Campo Grande, impelido por um ideal vago e indomável (...)”. Fora braçal humilde. Em sua faina “(...) seu suor semeara ruas, alimentara plantas, deitara raízes.

Trabalhara para a cidade e para a gente campo-grandense”; trabalhou na Mace - Moderna Associação Campo-Grandense de Ensino. Um poeta, um idealista. Concretizou sonhos de um projeto educacional. Para Aquidauana, depõe sua assinatura no etéreo imarcescível (em discurso no dia 1º/8/1992).

Lembrando que a região já foi mar, põe no ar a leitura astral ambiental: “Encerras, assim, até hoje, ó princesa, no teu chão, sais e maresias, velas e quilhas desbravadoras; nas gargantas das tuas serranias, nas noites frias sem luar, ouvem-se gemidos de náufragos; lembra teu solo as areias do mar; nos morros que te circundam, ressoa, em surdina, o ruflar das asas longamente cansadas dos albatrozes”.

Discorre sobre a invasão do reino dos índios, conta a história, descreve as belezas e a potencialidade do Município.

Memória dos ventos e das águas, memórias de amor (há algumas centenas de milhares de anos, toda a América do Sul, bem como a maior parte do mundo conhecido, era submersa).

Nos intervalos do sentir das palavras, vejo Hildebrando Campestrini consultando com olhar místico, dos sussurros de oceano segredos novos de concha.

Vai, espírito amigo viajante! Trabalhando milenárias argilas, irmão

do chão e das estrelas.

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Prof.Hildebrando foi meu mestre no CEC(Colégio Estadual Campograndense).Bons tempos.Que diferença para os dias de hoje.Abraço forte,professor.
 
Ronaldo Ancél Alves em 14/12/2011 11:00:10
Parabéns, Guimarães, por mais esta belíssima produção. Tenho o orgulho de haver sido aluno do professor Hildebrando no ensino médio e na universidade.
 
Cleider de Souza Costa em 14/12/2011 08:11:17
Tive a satisfação de ser aluno do Prof. Hildebrando, nos anos 1960, no então Ginásio Perpétuo Socorro aqui em Campo Grande.
Homem de palavras fáceis, conseguia passar aos alunos seus conhecimentos da matéria.
Anos depois, tive o prazer de encontrá-lo, na ocasião de uma solenidade no Tribunal de Justiça.
Parabéns à redação pela publicação da matéria.
 
EDSON TROMBINE LEITE em 14/12/2011 07:41:29
Bela matéria. Com muito orgulho, fui aluna deste renomado professor no ano de 1971, primeiro ano do segundo grau, na Mace, ainda na Rua Rui Barbosa. Que saudades...Um grande abraço, professor.
 
Maria Lúcia Moreira em 14/12/2011 03:11:29
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