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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016



21/11/2011 07:15

História é mais que saudade com Paulo Coelho Machado

Grandezas da Literatura

Ah! A memória... Efeito e causa do nosso viver. Essência biológica (atos refl exos), mãe das ciências humanas. E o historiador, um mago que detém a poção remédio contra o esquecimento. Pelos caminhos da paciência vai esmiuçando o corriqueiro e o insólito; o grão que forma o gigante, detalhando a gota que faz o rio, compõe os oceanos da história. O livro “A Rua Velha”, de Paulo Coelho Machado, é um dos maiores momentos da literatura sul-mato-grossense.

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José Antônio Pereira encontrava um novo pó, a caravana mineira vinha no pós-guerra (Guerra do Paraguai, 1864-1870) para iniciar uma grande região. Era o ano de 1872 e, como observam os historiadores, repetia-se o fenômeno comum em todo o mundo, de refl orescimento das atividades todas, depois de um grande confl ito bélico. Tal renascimento, aqui buscado pelos pioneiros foi antecedido por demorada elaboração, como se depreende da palavra de Paulo Machado: “Os anos que seguiram até 1889 representam a noite da história campo-grandense. Não há, dentro desses quatorze anos – (desde 1875) –, fatos relevantes a anotar”.

“No fi nal de 1898, a população urbana andava perto de trezentas pessoas, todas praticamente morando na mesma Rua 26 de Agosto (...)”, escreve. A estrela do livro é a mãe de todas as outras ruas da cidade. Permaneceu muito tempo sem nome, pois “era a primeira e única do povoado”. Recebera de início o nome de Rua Velha e, depois, Afonso Pena. O nome atual refere-se à criação do Município de Campo Grande pela lei número 225, de 26 de agosto de 1899.

Paulo Coelho Machado, escritor historiador, advogado e professor de Direito, nasceu em Campo Grande, onde foi vereador. Membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, em memória (faleceu em 26 de julho de 1999), ocupou a cadeira 21, hoje ocupada por Reginaldo Alves de Araújo, patrono Arlindo de Andrade Gomes. Foi secretário de Agricultura de Mato Grosso; presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul).

Presidiu a Liga da Divisão do Estado. Escreveu “A Parceria Pecuária” (1972), “A Criminalidade em Mato Grosso”, “Processo e Julgamento de Nosso Senhor Jesus Cristo” (1954), “Arlindo de Andrade, Primeiro Juiz de Direito de Campo Grande” (1988); e a série Pelas Ruas de Campo Grande — “A Rua Velha” (1990), “A Rua Barão” (1991), “A Rua Principal” (1991), “A Rua Alegre”, “A Grande Avenida”, 2000.

Importando-lhe sempre os “marcos” iniciais, o registrador delicia-se em apontar jornalisticamente as primeiras coisas — o primeiro rancho, a primeira igreja, as primeiras fazendas, indústrias, lojas, autoridades, escolas, telefone, migrantes, a primeira crônica (de João Honório Vieira de Almeida a seu irmão Joaquim, seis de junho de 1899): “(...) A população deste districto, que é o 3.º de Miranda é de 7 mil almas (!): é com effeito um campo grande: é uma povoação rica, muitos carros a trançam (...) Terrenos mais aprazíveis que meus olhos tem visto (...)”.

Fatos e curiosidades são trazidos ao leitor, proporcionando o prazer do esclarecimento e a ilustração do saber com pitadas de bom humor, por exemplo, na descrição das origens dos nomes Prosa e Segredo para os córregos da cidade, ligados às fofocas no ambiente fraterno.

Passo a passo com o desdobrar dos acontecimentos, o verbo de Paulo Machado anuncia os problemas e suas raízes, o primeiro deles, mais expressivos, sobre segurança, os demais e as primitivas formas de solução. Nenhum aspecto importante lhe escapa, todos os ramos são visitados. Mais atenção impõe ao contar os maiores acontecimentos, como o de conforto religioso da visita pastoral do bispo d. Carlos Luís D’Amour em 1886, os fatos da emancipação política e muitos outros.

Agora é globalização, mas nessas eras iniciáticas a vida era mais detalhada, um tempo que passava num ritmo diferente, em especial no vagar. A limitação de recursos deixava a vida mais simples e intuitiva. Em saúde, exemplifi cando, o importante era purgar e fortalecer, e, por utilização, elementos primários. “(...) O povo era sadio e resistente. O viajante que chegava até aqui, vencendo os índios, as febres malignas, as sezões e as intempéries, suportando a longa e penosa caminhada, é porque em geral tinha o corpo forte, a mente sã e o ânimo intrépido (...)”.

Em que pese enaltecer: “Recebemos constantemente legados de culturas anteriores e de culturas externas, que dão à cidade a feição moderna, progressista, dinâmica, criativa, de verdadeira metrópole (...)”, alerta que a cidade tem que preservar a sua personalidade.

Critica a adoção de sotaques alheios, cita como “de muito mau gosto” usar o artigo e sua contração com a preposição ao indicar o nome de nosso Estado – o Mato Grosso do Sul, no Mato Grosso do Sul, ou ainda, do Mato Grosso do Sul, “quando sempre usamos Mato Grosso, em Mato Grosso, de Mato Grosso”.

Cuida de reportar o cotidiano social das pessoas e famílias, das personagens ilustres, consubstanciando a narrativa da verdade.

As tradições, as festas religiosas, então guardadas religiosamente. Lamenta as muitas destruições, no correr dos anos, de sinais históricos em vários lugares da cidade.

— Ouça! Imortal Paulo Coelho Machado: visitando suas páginas, aprendendo sobre o primeiro tipo popular, o preto velho Mandu, anotado por volta de 1910, não pude deixar de construir comparação. O sonhador citado catava vidros e cristais pelas ruas e arredores de Campo Grande; para ele eram pedras preciosas e sofria pelo desprezo e deboche alheios para com o seu “tesouro”.

Na visão das pessoas insensatas por indiferentes à história e à memória, o seu entesourar é inútil feito mania de Mandu. Para nós é o desejado da cultura que deve fi gurar ao lado do seu fulgurante nome sempre que estudarmos a nossa Capital e o nosso vigoroso Estado de Mato Grosso do Sul.

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Bom dia. Um amigo me indicou o livro "a rua velha", mas não sei onde posso encontra-lo. Podem me indicar uma livraria em c.grande ou s.paulo? Obrigado
 
claudeci pereira luz em 21/08/2013 09:43:21
Dr Paulo um poeta e um sonhador, seus livros são maravilhosos, que deu esse presente para Campo Grande e não Campo-grandenses poderem conhecer esta cidade MORENA, que amo de coração.
 
Antonio Silveira em 05/07/2013 10:48:23
Parabéns pelo texto Sr Guimarães.
Onde encontramos estes livros, ou seja estas pérolas, pois quem nasceu neste estado tem que conhecer mais a sua historia e principalmente da capital.

Valeu...

Beto Fonseca
 
LUIZ ROBERTO DA FONSECA em 22/11/2011 12:02:06
Li e tenho os livros do saudoso Paulo Coelho Machado.Através dessas leituras eu conheci o que cada local ou esquina representou nos primórdios de Campo Grande e, em alguns casos, o de Mato Grosso do Sul. Dizia no prefácio de um dos livros, poucas cidades teve o privilégio de ter a sua história contada em detalhes como Campo Grande. Isso graças aos esforços e dedicação desse escritor. Parabéns
 
Wanderley Guenka em 21/11/2011 11:52:32
Caro Guimarães Rocha,

Fiquei emocionada com o seu texto e seu carinho e lembrança do meu querido pai.
Saudade na literatura, nas histórias tão bem contadas por ele, imagine o tamanho da saudade deswta filha que sempre o teve como exemplo e inspiração na vida.
Obrigada amigo.

Marisa Machado
 
marisa machado em 21/11/2011 09:07:15
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