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18/12/2011 08:15

Lucilene Machado: o reino feminino por um fio

Grandezas da Literatura

O livro “Fio de Saliva”, contos, nasceu de Lucilene Machado Garcia Arf, no ano de 2004. Com o poder da elucubração destranca um cofre que somente ela mesma poderia abrir.

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Expõe, brinca com os sonhos, questiona as emoções, a mente, a consciência, para depois guardar sua alma sutil, protegida discretamente com algum mistério. Poderosa como toda planta sincera, atira secretamente seu charme neste mundo de riscos, flertando com o desejo, esbanjando fl ores e perfumes da feminilidade. Lucilene Machado nasceu em Terra Rica, Paraná.

Professora universitária reside em Campo Grande. Escreveu também “Plântula” (poesia); “O Gato Pernóstico” (literatura infantil); “Coisas de Mulher”; e “Claricianas” (este último em parceria com Edgar Nolasco). Ela ocupa a cadeira 36 da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, patrono Frânklin Cassiano da Silva. Teve como antecessor Alceste de Castro (em memória).

Fio de Saliva é o nome do primeiro conto. Começa e termina à procura de um brinco perdido no cinema. Presa da interioridade arrisca o sonho do perigoso “amor à primeira vista”, admitindo, porém, que “ser corajoso é fazer o que se tem medo”.

Levando-nos à ideia de que mulheres tentam, muitas vezes em vão, discutir o relacionamento, projeta diálogos com o seu pretendente, imaginando um duradouro romance e já ensaiando ciúmes dos amores que a teriam antecedido naquele universo masculino. E o “delicado fi o de saliva” resultante de um beijo, passa a ser para ambos a ligação homem- -mulher.

Tinha sido um devaneio vivido na realidade de um sono. No item “Rosas Vermelhas” a mulher admite a ilusão e a satisfação dos sentidos, mas busca primeiro o amor ternura, com futuro e consideração. Em troca, o homem de quem esperava isso, logo no primeiro encontro demonstra maior intenção de efêmera saciedade carnal. Mais uma decepção a aglutinar-se nas formas-pensamento.

Os contos prosseguem ditos às letras com inteligência aguda e penetrante. Das muitas reflexões que nos suscitam, ficam noções de que o desejo não realizado ganha entranhas e influencia personalidades; e se algo não aconteceu, fez bem de não acontecer. Nada se compara ao amor de uma mulher.

Tudo é amor, sendo o ódio apenas uma inversão, mas no capítulo fêmea Deus formulou uma carregada de mistérios dose única. Lucilene fala da sonhadora que fica “imaginando as coisas de um jeito romântico, de um jeito que nunca poderiam ser”. Com o desfazimento do sonho de aconchego, fica “seca e vazia feito a terra do nosso jardim”; e escreve comoventes palavras ao amado encerrando com sepultamento: “talvez eu as tenha escrito para mim, para que um dia eu possa ler e acreditar que amei tanto”...

São belos e vigorosos os ataques e defesas de “Caça e Caçador”. A mulher usa suas armas, depois se assusta. Quem se arrepende mais que uma mulher? Um grito calado de horror leva ao recolhimento quando as flores da paixão feminil são tratadas com frivolidade no mundo masculino tradicional. O campo feminino é uma vastidão. Útero a ser repleto.

Em “Para Esquecer” a escritora aproveita para jogar no papel que “O exercício do esquecimento não faz parte da vida de toda mulher. Algumas apenas transferem. Vão transferindo sentimentos para preencher as ausências”. Interação é a palavra; “objeto” e “depósito” se tornam expressões de insulto.

Portanto a autora adverte: “Nenhuma mulher gosta de homem excessivamente seguro. Segurança exalada pelos poros anula nossa imaginação”. Ataca em “Amor Platônico”, dizendo que a mulher “serpenteia dentro das fantasias e se costura dentro das tramas”. Abrindo um pouco o caminho para a dor desfilar, dá um toque no choro da mulher “de programa” nas noites infinitas de culpas, dores e humilhações. É o conto “Gosto Amargo”. — Lucilene, em “Uma História Qualquer”, as palavras fazem pensar num jogo hermético de esconde-esconde unilateral produzido pela mulher.

Digladiando com o subjetivismo, pensa que o distraído homem, trazido até aqui pela tradição como imaturo e superficial, esteja acompanhando seus movimentos. —Mas, não! De quando em muito busca mais carícias para o próprio umbigo. Enquanto isso a mulher, detentora de um campo emocional de vibrações mais pro- fundas, julga que se denuncia nas intenções e gestos de sedução e teme por isso. Teme a rejeição de um amor que não vem ou não veio.

Também me pergunto, lendo o seu texto “Buscando Estrelas”, se o mais importante seria querer ou acreditar. Talvez as crenças surjam em primeiro, pois são princípios espirituais. Nesse caso, a pergunta que você sugere: “O desejo é que move o mundo?”, poderia ser trans- formada numa afirmação.

O nosso querer seria a simples frutificação das chamas que moram em nossas almas.

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