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02/11/2011 08:15

O mundo de amor em prosa e verso de Antonio Lopes Lins

Grandezas da Literatura

Saudade das coisas perdidas no tempo, anseios inexplicáveis, destinos truncados. A experiência humana avança no sentido único da elevação. Busca os ideais sublimes mesmo chafurdando em lodaçais, quando então a procura pelo amor ainda subjaz. E as chamas da esperança não se desfazem apesar dos indivíduos lançados, temporariamente, nas voragens da desilusão. A obra “Janaína, a Canção do Minuano”, (poesias, 1976), de Antonio Lopes Lins, prefaciada por Demosthenes Martins, demonstra de que forma, pelos fenômenos de interioridade, a elaboração emocional vai acendrando a humanidade, refinando-lhe a sensibilidade que em secreto move o mundo. Novela de cunho íntimo, composta por prosa poética e cartas-poema, vazada em estilo meta-lírico.

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Antonio Lopes Lins (Sobral/CE, 08/6/1912 – Campo Grande/ MS, 05/9/1990). De aprendiz de tipógrafo a caixeiro de livraria, entre seus 10 e 12 anos, em sua cidade natal, depois se formou em odontologia, no Pará. Foi jornalista redator na Paraíba (João Pessoa, jornal “A União” e revista da Secretaria de Estado da Produção), onde em seguida diplomou-se nas faculdades de Comércio e Ciências Econômicas. A partir de 1941, mediante concurso público, fez carreira no Banco do Brasil, gerenciando em Goiana (PE), Italiana (PB), Santarém (PA), Matão (SP), Santana do Livramento (RS) e Campo Grande (MS), culminando no cargo de inspetor. Deputado estadual por Mato Grosso em 1970. Professor de geografia, história e economia das Faculdades Unidas Católicas de Mato Grosso (FUCMT) – (desde 1993, UCDB). Colunista do jornal Correio do Estado.

Membro fundador da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul. Na Academia Mato-Grossense de Letras ocupou a cadeira 18. Escreveu também os livros “Incesto” (novela, 1968), “Caminhos de Lama” (romance, 1973), “O velho maquinista e outras histórias” (contos, 1974), “Pontos de Geografia Geral” (didático), “Eduardo Olímpio Machado”, “Crônicas dos Tempos”, “Sinais de Ramaiana”, “Celestina”, “Histórias Proibidas”, “Acontecências”.

Em “Janaína, a Canção do Minuano”, intensamente romântico, o autor faz o difícil ensaio de o impossível decifrar do coração em sua maior intimidade. Nesse terreno do imponderável, o jeito é trazer o clima para a pessoalidade, colocando a tinta da subjetividade num enredo que bem poderia acontecer ou ter acontecido pelos refolhos da grande novela humana. Trata do encontro de dois corações na trama de uma existência física, um choque espiritual, um amor que se tornou impossível por causa dos imperativos materiais, circunstâncias de escolha individual. O homem apaixonado opta pela realização material, mas com esperanças do sentimento maior vislumbrado; a mulher se recolhe em desalento. Reorganiza a vida junto a outro afeto, compõe família enquanto aquele que buscou em primeiro a ascensão social se torna o poeta sonhador ruminante da lembrança nostálgica de um romance inconcluso.

Seu sonho de amor, tornado conflito interior, por vezes divaga pelas veredas do fantástico suspirando por aventura e liberdade compartilhada. “(...) que tua luz limpasse dos meus sonhos os resíduos de carbono de que é feito nosso corpo mortal. Entretanto, algo dentro de mim teima em trazer para a terra o que é do céu, tirar, do zênite de Deus para o nadir do homem, a luz longínqua da esperança, que tremeluz a indicar-me um caminho”. Noutras faz definições ideais: “Deus é a essência do amor. A terra e o céu são produtos desse amor imenso”; “As pessoas espirituais sentem o espírito no objeto de seu amor”.

Entre a terra e o céu, chora, ardendo em febre, a irreversibilidade do tempo: “Sinto, dentro de mim, a mão gelada /de confusas imagens de saudades (...)”. Entrechocado por certo fatalismo do corpo carnal, em contraposição às requisições da alma, quando em vez vai ao sensualismo buscar temperos da vida e refúgios mentais. No âmago, o ideal puro e divinal e intocável da mulher amada. Ao epílogo momentâneo desse amor, Lopes Lins escreve antíteses: “(...) verbenas e rosas e frutas maduras instilando perfumes no ar; primaveras derramando canções nas criaturas. (...)” e “(...) Na escuridão vazia das noites sem lua, o poeta se convertia em um fantasma de si mesmo, sofrendo e penando, chorando e morrendo. (...)”. Na segunda parte do livro o autor nos oferece amostragem de outros trabalhos poéticos de sua autoria. Em alguns, fala da perfeição e bondade de Jesus e nos chama ao patriotismo e à comunhão com Deus.

Antonio Lopes Lins! Nós trazemos – os amigos que nos contagiamos com o seu verbo flamejante, boas lembranças que nos ajudam a construir edifícios da inteligência emocional. Cuidamos dessa amizade na sua vibração fraterna nos acompanhando de sempre nesta passagem.

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