26/12/2011
Reginaldo Alves alcança a beleza com o Paladino do Pantanal
Grandezas da Literatura
O romance histórico-didático “O Paladino do Pantanal”, trazido em 2001 pelo escritor editor, poeta e professor, hoje (2010) presidente da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras Reginaldo Alves de Araújo, é um toque de percepção daquilo que oscila entre o céu e a terra, um enfeixar das realidades do espinho do chão com as belezas da nossa alma cuja natureza flutuante busca a plenitude. Proteger a natureza.
Que mais é isso a não ser amar e beijar a si mesmo, a Deus e a todas as coisas resumidas em tudo que é sagrado? Suprema loucura é ofender a vida. Destruir a harmonia de que faze- mos parte signifi ca perigosa doença psicótica, a expressão miserável de um vulgar suicídio.
A toda ação covarde tem que corresponder um ato heróico para que o equilíbrio seja restabelecido. Quero dizer: abnegados saneadores colocam-se em sacrifício para desobstruir caminhos entupidos pelo lixo da irresponsabilidade. Compartilhando naturalmente a faixa vibratória do amor à natureza, quis Reginaldo contemplar a história de Astúrio Ferreira dos Santos, nascido em Nioaque, a quem chama “O Paladino do Pantanal”.
Graças à necessidade de contexto, dá-nos ensinamentos técnicos sobre o poderoso santuário. Usos e curas. Espiritualidade. Do que suscita preocupações entre os que inutilmente temem os fenômenos naturais como as impressionantes enchentes do paraíso, surpreende só mais um dos infi nitos momentos lindos da abastança eterna. Abundância, brotos e renovações incessantes.
Vai, porém, carinhoso, também ao enredo de trabalho vigoroso, pureza sentimental e valores morais da família do protagonista. A narrativa abrange os episódios da formação humana do Paladino, culminando com o seu histórico na fundação e à frente de organizações de ação e resistência como o Comitê de Defesa do Pantanal; e Fundação para a Conservação da Natureza de Mato Grosso do Sul (entidades criadas ao fim da década de 1970). Depois (anos 90), dirigindo a Associação dos Pescadores Amadores e Defensores do Meio Ambiente.
Olhou com cuidado, mas sem medo, e transformou em letras um olhar de censura ao desmazelo governamental diante das profanações dos templos naturais. Mobilizou a sociedade pela preservação do Pantanal. Surpreendeu-se, mas por conquista, com repentinos apoios oficiais às suas iniciativas. Reconhecido na honestidade de seus propósitos, foi mandado à militância como autoridade investida de cargos oficiais de Estado.
Astúrio! Seu pai, o pioneiro gaúcho Fideles Ferreira dos Santos, tangido para esta terra pelas bênçãos de Deus, foi vigoroso peão domador de cavalos, administrador e irmão da vida natural; amou a família num tempo em que as famílias se amavam mais e a solidariedade surgia espontânea. — Astúrio foi também domador, mas de espíritos renitentes na insânia, conivência ou indiferença perante a degenerescência ambiental. Sabe discernir o predador do artesão pescador que necessita ex- trair do rio o seu sustento reverenciando a água e os demais sublimes elementos naturais e amando as barrancas.
Arriscou a vida. Predadores traiçoeiros quiseram matá-lo, como se a vida pudesse ter fi m ou parar por obra da estupidez gananciosa. É vitorioso por criar a cultura ambientalista agora já arraigada neste Estado, mas ainda a ser mais bem praticada, pelo menos por três vertentes: erosão e queimadas (combate) e agrotóxicos (controle).
Quebrou decisões poderosas que implantariam usinas de álcool no paraíso. Sua inspiração de sempre se renova com a frase ao final do livro, no poema de Adão Eudóxio Ribeiro de Oliveira: “Seja no templo qual for, /Eis você na casa de Deus”. Reginaldo Alves de Araújo ocupa a cadeira 21 da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, anteriormente honrada por Paulo Coelho Machado (em memória), patrono Arlindo de Andrade Gomes.
Escreveu uma dezena de livros, constrói o mundo literário do Estado, é amigo ombro a ombro com o escritor, dirige e colabora com entidades diversas dedicadas à riqueza do pensamento, da palavra e da ação artístico-cultural. Os feitos e fatos constantes do seu vasto currículo levaram-no ao título de Cidadão Sul-Mato-Grossense em 2006 pela Assembleia Legislativa.
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