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07/11/2011 07:15

Ternura e amor no sonho vivo de Elpídio Reis

Grandezas da Literatura

A história de um ser humano em sua viagem pelo mundo tem um tom dominante. Cada indivíduo expressa na maior parte de sua trajetória, um conjunto de sentimentos em que se destaca uma cor. A cor de Elpídio Reis (1920-1997) é a ternura. Quem lê o seu livro “Ternura Doce Ternura”, poesias, publicado em 1984, entende um pouco da espiritualidade amorosa condensada em letras pelo autor, sente o carinho que a sua alma oferece a mancheias.

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Logo no início do trabalho, com o texto “Embriaguemo-nos”, o poeta a todos convida para um brinde de música, amor e poesia. Pelas veias do romantismo correm os escritos. No texto “Poesia”, define-a, em meio a românticas descrições, como “a linguagem do silêncio, /a mensagem dos mistérios”. A sabedoria das entrelinhas nos fala da profundidade dos espaços internos onde nos habita Deus e o Amor que nos faz. Preferindo a grandeza da simplicidade e da inocência, o autor descomplica o pensamento; por exemplo, com tranquilidade compara a poesia à amizade de um cachorrinho.

Humilde frase de Elpídio resume a alma solícita e disposta às cores do sentimento: “Vou mandar este papel em branco /para meu amor”. Publica no poema “Anúncio”, que precisa de uma amiga, e aí, ao descrever o valor ansiado pelo seu coração, a sublimidade e a aderência harmoniosa do elemento feminino surgem como salvadoras da sua oportunidade humana. Seu mundo de sonhos é repleto de calor, saudade, fl or. “Meu Canto” é de ternura “e de ternura pura... /meu canto é de amor”.

Um quê de adolescente paira sobre seu romantismo. A criança e a pré-adolescência lhe fazem coro. No estado poético de “Eu aqui”, percebe “saudades afagando meu cérebro, /mãos carinhosas /acariciando minhas faces, /lenços brancos tremulando ao vento, /flores coloridas enfeitando minha mesa, /amor no coração...”. Na construção “Quisera”: “fosse possível, /Fazer morada invisível /No fundo dos corações” — “O meu desejo profundo, /É ser, enfim, neste mundo, / Aquilo mesmo que sou”.

O amante adivinha que as suaves alegrias, quando mais íntimas no coração, começam a divisar a hora de partir. Escreveu no item “Meu Túnel do Tempo”, que a noite está chegando “enquanto sonho ainda /com madrugadas /e manhãs de sol...”. Numa pitada de fatalismo, em “Quero Ser” — como as águas: “que vão para os mares, / em loucos cantares, /e rindo ou chorando, /prosseguem, rolando, /não voltam atrás”.

A ternura de Elpídio Reis premia Ponta Porã, sua terra natal, com palavras quentes. Seu livro “Ponta Porã Polca Churrasco e Chimarrão”, generalidades regionais, 1981, é puro prazer de existir. Reúne história romanceada, “causos”, contos e crônicas, homenageia heróis, relata os tempos mais difíceis; “a formação e a vida nas fazendas, com a importação dos costumes gaúchos e a influência dos hábitos da vida dos habitantes do país vizinho, o domínio completo da música paraguaia, não apenas na cidade de Ponta Porã, mas fronteira-adentro do sul de Mato Grosso”.

O currículo do poeta escritor evidencia uma laboriosa atenção humana e a insistência em viver intensamente os sonhos de amor. Seu frutífero trabalho de poeta escritor é um legado do bem. Das obras que escreveu destacam-se ainda: “Serviço Social e Evasão Escolar”; “Tempo de Saudade” (poesia e prosa); “O Cavalo Preto” (contos); “Eu por aí...” (crônicas); “Moralize-se!” (roteiros cinematográficos); “Os 13 Pontos de Hélio Serejo” (biografia); “20 Contos... De Reis...” (contos); “Meu Cantinho, Meu Mundo” (crônicas); “O Nosso Demosthenes” (Demosthenes Martins); e Nenito Brizueña e Sua Sanga Puitã.

Elpídio Reis foi presidente da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, de 1988 a 1997, ocupando a cadeira nº 29, patrono Elmano Soares, hoje honrada por José Pedro Frazão. Grande incentivador da entidade, Elpídio proferiu mais de 300 palestras a estudantes, na Capital, e muitas outras no interior do Estado, na campanha “A Academia nas Escolas”. Advogado, assistente social; jornalista e professor universitário, formado em Relações Públicas e Relações Humanas.

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È gratificante ler alguma coisa escrita pelo poeta Guimarães Rocha sou fã deste artista no inicio ,até alguns meses tinha seu ,livro foipublicado naõ tenho certeza mas acho que foi em 1976,mandei para um amigo em saõ luiz do maranhaõ a pedido do amigo.
Guimarães Rocha sou admirador,hoje é dificil falar com ele, mas naõ deixa de ser admirado pelo povo,
 
Messias Neves em 07/11/2011 08:41:30
É gratificante ter desfrutado da amizade do Elpidio Reis
Como Pontaporanense fronteiriço congratulo-me com o Correio do Estado que sempre, desde J.Barbosa Rodeigues seu criador, abriu as portas da Cultura Estadual e para o HOMEM da Coluna "DÁ PRÁ ENTENDER".
"Muito" aprendí com a leitura de Elpidio Reis, que "muito" aprendeu com Pedro Angelo da Rosa e Helio Serejo nossos Mestres. Ney Magalhães
 
Ramão Ney Magalhães em 07/11/2011 01:19:47
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