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  • Luca Maribondo
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    Coluna


12/04/2011 14:35

Apurado senso assassino

Luca Maribondo

Por incrível que pareça, a ideia partiu do presidente do Senado, senador José Sarney (PMDB-AP). O grande guia nacional diz que irá propor que haja no primeiro domingo de outubro próximo um referendo sobre o comércio de armas no Brasil. Diz Sarney que a pergunta que será encaminhada à população será: “o comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?”.

Pesssoalmente, não creio absolutamente que a proibição de compra e venda de armas vá resolver alguma coisa no País. Vou participar porque é obrigatório e responder “sim”, se acontecer mesmo a consulta, provocada pelo massacre que aconteceu numa escola do rio de Janeiro faz poucos dias, porque sou daqueles que está sempre esperançoso que alguma coisa vá melhorar —é até capaz que as mortes se reduzam por uma questão psicológica.

Desde que o homem surgiu no planeta —sabe-se lá quando, pois os cientistas divergem sobre a época exata, mas tem mais ou menos um milhão de anos que estamos no planeta—, sabemos que é inerente do ser humano matar seu semelhante, seja individualmente, através do assassinato, seja coletivamente, através da guerra. Desenhos e escritos rupestres encontrados em cavernas já mostravam os primeiros seres humanos se engalfinhando pela caça, pela pesca, pela vida, por honras, pedaços de carne crua, posses, amores frustrados, ciúmes etc. etc. e tal.

Povos pré-históricos brigavam por espaço, por comida, por amores e paixões, com apurado senso assassino. Nos livros sagrados de praticamente todas as religiões e seitas, há relatos de espetaculares (e até maquiavélicos) embates entre homens, todos defendendo o que chamavam de bem contra o mal. Da Pérsia, da Grécia, do Egito, da Mesopotâmia, sabemos de histórias de guerras e assassinatos com relatos apaixonados sob as mais diversas ópticas. Versões poéticas ou graciosas nos contam de assassinatos e guerras por amor, por paixões impossíveis, por traição, quando não uma fronteira, uma bandeira, êxodos, saques, violações. É da natureza humana a arte de matar os seus semelhantes, de guerrear.

Resumindo, fazem muitos milhares de anos que os homens se matam entre si, em guerras ou outro tipo de refrega, mas sem precisar de arma de fogo. No princípio, usava-se apenas as mãos, depois, surgiram paus, pedras, flechas, lanças; as primeiras armas de fogo eram versões menores do canhão, que só foi desenvolvido no século 14. De mais ou menos 1425 em diante, o disparo destas armas foi aperfeiçoado —quer dizer, não faz seiscentos anos que as armas de fogo foram inventadas e sempre, desde que o homem existe, se matou no planeta.

Nunca há verdadeiramente vencedores. Não há gente inocente quando um ser humano mata outro, seja um assassinato, seja uma guerra. Nas guerras, somos todos culpados. Uma faca, uma flecha, uma lança, um fuzil, uma bomba, uma arma química, um massacre. Um míssil (seja norte-americano, russo, coreano, israelense ou árabe), que sempre custa milhões de dólares, não seleciona a mira, o alvo. Crianças, velhos, hospitais, igrejas, lupanares, cidades, mulheres, padres, advogados, meretrizes, tudo explode em mil fragmentos. A guerra e o assassinato são a vergonha da espécie humana.

Os Estados Unidos, o chiquérrimo Império da Ianquelâdia, lutando contra os mais miseráveis países do mundo e, para isso, tem por trás todo um dispendioso aparato bélico-militar, ao custo de milhões (quiçá bilhões) de dólares; milhões de pessoas são envolvidas, e, claro, muita gente lucra com isso. Ufanismo calhorda, falsa liberdade, retaliação terrorista de Estado, vingança, orgulho patriótico, tudo isso no fundo é uma grossa balela. O poder, o status, a presunção, o intervencionismo que garanta trâmite de mídia e fulcro financeiro é mais importante. Por trás de uma guerra sempre há um interesse escuso.

Hoje, já bem marcado pela guerra, lembrando babéis, berlins, londres, hiroshimas e vietnãs, fico pensando nas nossas pequenas guerras locais, nas favelas de São Paulo e Rio de Janeiro, nas crianças indígenas de Dourados, nos pontos de droga, nos massacres e chacinas cometidos por policiais —logo eles!—, nos milhões de crianças mortas de fome ou por falta de remédios porque um burocrata corrupto decidiu usar a grana para pagar mensalões ou empréstimos para partidos políticos, em indiozinhos que morrem à míngua porque estão desassistidos ontem, hoje e sempre.

No Brasil, vaquinha de presépio do teatro de bonifrates da economia e política mundiais (notadamente banqueiros-agiotas do capital estrangeiro), o povo, como sempre, entrou de gaiato nesse roldão de inumanismo e falta de ética social e comunitária. E, enquanto as guerras se arrastam no cenário mundial, aqui, com quase 60 milhões ganhando menos que sessenta reais (vida de indigentes) por mês. E isso quando os governantes incompetentes reinam e viçam, e ainda dizem que a economia está dando certo, com uma inflação enrustida, com o nosso hediondo capitalismo calhorda sustentado por um partido de esquerda sendo, como sempre, financiado pela corrupção endêmica institucionalizada em todos os níveis. E tudo segurado pela impunidade.

E a impunidade cria posturas levianas. Temos, a bem da verdade, uma guerra civil no campo, com os sem-terra e ruralistas que temem uma reforma agrária que tanto o Brasil precisa. Temos uma guerra civil na saúde. Temos uma guerra civil no trânsito. Temos uma guerra civil entre na segurança, travada entre policiais, traficantes de drogas e contrabandistas de armas. Temos a periferia com seus justiceiros e matadores de aluguel nos impingindo a cada final de semana, em todo grande polo urbano, bateladas de cadáveres e feridos. Não somos vitimas de terremotos, vulcões, furacões, tornados —e desde sempre nos orgulhamos, por isso, de ser a terra escolhida pelo Todo Poderoso—, mas temos um sistema político basbaque e degenerado, e um empresariado que, na sua maioria (e sociologicamente falando), é mil vezes pior do que isso. Não há boas perspectivas.

Albert Einstein, o grande gênio do século 20, dizia que não sabia como seria a terceira guerra mundial, mas a quarta seria com paus e pedras. E o que diria Nostradamus, ou mesmo São João, o do Apocalipse? Choro e ranger de dentes, certamente. Desde o princípio, quando as clavas, as bordunas, as flechas e as lanças serviam para prover a caça e se defender do inimigo, as armas acompanharam o avanço das civilizações, servindo a grandes conquistas, mas também de instrumento de morte e destruição.

Dizem que o mundo está muito violento. E deve estar mesmo, e eu não vou brigar com o noticiário nosso de cada dia nem com o medo das pessoas de sair de casa. O mundo está violento, muito violento... E ponto final. Vamos pensar numa solução! Solução?! Sim, solução! Existirá no planeta algum problema sem solução? Afinal, somos um ser com uma inteligência privilegiada —assim dizem! O problema —se existe, e dizem que existe— é de fácil solução.

Primeiro, eliminar completa e imediatamente todas as armas pesadas: bombas nucleares, tanques, canhões, mísseis, porta-aviões... Segundo, fazer com que se produzam seis bilhões de armas leves (revólveres, rifles, pistolas, espingardas, fuzis... até uma ou outra granadinha...), isto é, uma para cada habitante do planeta. Terceiro, equipar cada arma destas com um chip de autodestruição programado para explodir num dia qualquer no futuro, 1° de abril de 2012, por exemplo. Quarto, entregar uma arma a cada ser humano, tenha ele dez ou cem anos de idade —vamos poupar apenas as crianças— e munição à vontade.

Enquanto as armas não explodem, todos temos o direito de matarmos quem bem quisermos, sem preconceitos de raça, credo, idade, sexo, time de futebol ou nacionalidade... Vamos matar o cara que nos agride no trânsito, a sogra enxerida, a namorada traidora, a amante assanhada, o comerciante ladrão, o político corrupto. Cada pessoa morta desintegra imediatamente sua própria arma (devido a um mecanismo de identificação arma-dono). Minha expectativa é que, antes do final de abril de 2012, presenciaremos um grande espetáculo de armas de artifício. Terão sobrado algo em torno de um milhão de pessoas (0.017% da população atual). Não haverá mais armas. Teremos espaço de sobra. Não haverá medo de bombas, de poluição, de falta de comida. A humanidade terá alguns milênios de paz e tranqüilidade, até que tudo se torne insuportável de novo...

Só pra finalizar falando das armas de fogo e do referendo: o homem não mata porque tem armas, mas tem armas porque mata.

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violência não é inerente ao ser humanos. O que existe é uma cultura milenar que incentiva a violência como única forma de resolver conflitos. O que o ser humano precisa é de uma culturad e não violência, onde se valorize o diálogo como forma primordial de resolver conflitos. Para os céticos esta idéia pode parecer inocente, mas se não nos despirmos de toda a carga nefasta de ssa cultura de destruição de tudo que é diferente não encontraremos a saída, ou seja, a construção de uma cultura da paz.
 
Rosana Monti Henkin em 04/05/2011 10:16:02
Apurado senso assassino II , poderia ser o nome da sua proxima coluna, afinal aqui no Decadente/porem na lideranca..." Imperio da Lanqueladia"....o finado "bin" se foi..juntar a Sandan Hussein e filhos...pessoal que troca mulher por cachorro...e que acha que "gay" deve nascer morto....estes realmente...tinham apurado "senso de matar"....e de quebra fazerem jovens se suicidarem por "motivos nobres"...e claro...eles mesmos ficarem vivos...como sempre vai ter muita gente...que vai sentir saudades...afinal viver democraticamente...e ter que aceitar...debater ideias...e conviver com pessoas que nao pessam da mesma forma...bem melhor...UNIFORMIZAR TUDO>>>>e DELEGAR PODERES..PRA 1 OU 2...'ESCOLHIDOS POR DEUS'... por sinal...cerveja so pros "escolhidos"..o resto...bebe agua mesmo...e prontooooooooooooo...
 
Lucidio Estevao em 02/05/2011 10:20:26
Acho que se houver a proibição de armas nada irá mudar, afinal mais de 95% das armas hoje apreendidas sao compradas ilegalmente, logo a situação nao mudaria que quase nada e mesmo que se por um milagre houvesse tal inibição , mas cem por cento mesmo, o ser humano usaria outras armas, afinal no principio da historia nao havia armas de fogo e utilizavam outras armas.A questão é a concientização, afinal as armas precisa de um ser para ser carregada e consequentemente desgarregada,logo o problema é o ser humano.
 
Reinaldo Costa em 02/05/2011 03:28:51
Vou concordar com o texto que diz: sempre se matou uns aos outros...então, proibir armas de nada vai adiantar. Acho que deviamos dobrar os investimentos em educação e saúde... gente saudavel e educada vai perder tempo em matar para que? só se for para ganhar o Oscar....
 
agricio araujo em 02/05/2011 02:34:31
É realmente, a proibição pode até ser feita, mas e as fábricas, e as compras ilegais....acho a votação que tem ser generalizada, lei pela metade, já estamos cheios.

 
ADRIANA ALVES em 28/04/2011 12:03:23
"Quando todas as armas forem propriedade do governo e dos bandidos, estes decidirão de quem serão as outras propriedades. " Benjamin Franklin.

Bandido não tem porte de arma e nem compra arma em lojas. O transito mata muito mais gente diariamente que todas as armas do Brasil. Será que vão ter que proibir a venda de veículos também. ( Sem falar na impunidade). Pense em construir um muro em nossas fronteiras primeiro, quem sabe seria mais facil. Com certeza a solução é " Educação com qualidade já" " Tô de zoio"
 
Luiz Carlos em 28/04/2011 07:13:54
Esse é o Pais da demagogia e Hipocresias, esse Sarnei,com i, perdeu uma boa oportunidade de ficar calado. Cadê as verbas p/ educação, segurança, saúde? Quem sabe os Tiriricas solucionem os acidentes de trânsito com os fechamentos das fábricas de veículos!
 
joão carlos jorge em 26/04/2011 04:47:15
Concordo plenamente com Rodrigo Medeiros!
Bandido não tira porte de armas. Chega de oportunismos, como esse Senhor Sarnento que anda com capangas armados até os dentes. bla bla blá...
"DIREITOS HUMANOS AOS HUMANOS DIREITOS".
Tá bom... "pseudointelectuais".
 
Sereno Jr. em 23/04/2011 08:12:42
se nossas autoridades se esforçasse para faser com que a renda per capita fosse menos hipócritamente distribuida entre as familias brasileira,e houvesse um investimento sério no cidadão desde seu nascimento,poderiamos evitar em muito que assasinos como esse, desta escola surgissem,mas o amor ao dinheiro faz com que surgem leis mais rigorosa para obrigarem aos cidadãos desfavorecidos pelo sistema,a cumprirem ordem absurdas, sobe a ameaça de serem penalizados com rigor,com multas pesadas para o pobre trabalhador,mas os beneficios de leis existente que deveriam formar cidadãos de bem,são dificultados e na maiorias das vezes não chegam na:escola,no emprego,na mesa do trabalhador,o sistema acorrenta o trabalhador com corrente muito pesada,e não querem que surgem os monstros que estamos vendo por ai!
 
evaldo em 22/04/2011 08:45:17
O Chiquerrimo Imperio da lanqueladia...tem cultura armamentista...heranca dos ingleses...uma revolucao de independenca que durou 4 anos, uma guerra de sessao de mais 4 anos, a marcha para o oeste brigando contra os indios/5 anos...a guerra contra o mexico/2 anos...a primeira guerra mundial, a segunda guerra mundial, a guerra da coreia...Vietnan... a primeira guerra contra a libias, Bush pai...a guerra do Afeganistao...a guerra do Iraque...e as guerras e coisa cultural...e bussines, a matanca em Realengo e pelas escolas americanas e em qualquer escola do mundo e fruto de mente doentia...nao tem teoria que explica...nem papo de buteco...
 
Lucidio Estevao em 20/04/2011 10:26:30
O homem deve caminhar pelo desenvolvimento, jamais devemos pegar maus exemplos da história antiga como referencia, se olharmos há mais de 60 anos veremos que a causa do holocausto nazista e o avanço da alemanha foi pelo descaso do desarmamento do próprio país que não foi seguido à risca, já na guerra do vietnã estudantes morreram para que a guerra parasse, hoje não existe guerra sem o consenso da onu, então faz parte do futuro o desarmamento e investimento em educação e ciência.
 
Gilberto Silas em 20/04/2011 02:59:38
Como sempre o Marimbondo chuta o pau da barraca.... fazer o que?
 
GILMAR SOUZA CRUZ em 18/04/2011 08:11:03
Senhor Maribondo, é lugar comum, mas vou repetir: armas não matam pessoas, pessoas matam pessoas. Isso é uma verdade tão inexorável, que dispensa discussões. Se a pessoa quiser cometer atrocidades, armas jamais lhe faltarão. Há desde a possibilidade do uso de armas brancas, ou perfurocortantes, como o de artefatos mais elaborados, como bombas, passando pelo uso de produtos químicos e até biológicos.
Pra que gastar dinheiro com um referendo que já foi rejeitado uma vez, numa rara demonstração da maturidade e independência racional da população brasileira?
Eu votei NÃO da primeira vez, e nada aconteceu de lá para cá, que estimulasse ou justificasse uma mudança de atitude/opinião.
Ademais, o mundo não ESTÁ, violento, o mundo sempre foi, e apenas continua violento. Achar que a coisa está pior hoje do que foi no passado é demonstrar ignorância da História. Muda, talvez, o perfil da violência, mas proprocionalmente temos que admitir que somos muito menos violentos que nossos antepassados.
Nos acostumamos tanto a ver nossos aspectos negativos, que os positivos se tornam insignificantes aos nossos olhos.
Isso, sim, é uma violência sem precedentes e de consequências ainda não delineadas.
 
marly siqueira caramalack em 17/04/2011 08:49:46
como sempre... perfeita as suas colocações... parabéns....
" o homem tem armas porque mata..."
 
sandro trindade benites em 16/04/2011 08:14:39
Caro Luca, não seria mais facil e racional acabar com as fabricas de armas? Ou será que os bandidões irão entregar seus trabucos? Ou ainda...sserá que sou neto da vlhinha da Taubaté?
 
João Carlos Maciel em 14/04/2011 10:28:23
O senhor José Sarney revela-se um oportunista, como sempre. E sua frase explica bem porque: "o homem não mata porque tem armas, mas tem armas porque mata".
 
JulIa Saboia em 14/04/2011 03:40:15
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