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  • Luca Maribondo
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    Coluna


04/04/2011 06:43

O bom diálogo

Luca Maribondo

Diálogo. Diz o Dicionário Houaiss que diálogo é “fala em que há a interação entre dois ou mais indivíduos —colóquio, conversa, bate-papo”. O que me causa estranheza, já que sempre pensei que o prefixo di significasse dois e não “ou mais indivíduos”. Conversação é o “ato de conversar; conversa, colóquio”. Conversar nada mais é que falar, discorrer. Falar é se expressar por meios de palavras. Palavra, diz o mesmo Houaiss, é a “unidade da língua escrita, situada entre dois espaços em branco, ou entre espaço em branco e sinal de pontuação”, que possui um significado.

Diálogos podem ser interessantes ou extremamente chatos, dependendo de quem são os dialogadores. Um colóquio entre dois rural boys sobre a sexualidade da poesia nas composições de Zezé di Camargo & Luciano vai ser anormalmente plano, chato. Agora um diálogo entre dois culturetes sobre a influência de Marcel Duchamps na pintura minimalista-pantaneira pode não ser um diálogo plano, mas ainda assim deve ser muito chato. Enfim, o diálogo em geral é chato pela suas próprias limitações ou dos interlocutores.

Numa analise simplista, o objetivo do diálogo é comunicar, expressar, discutir idéias. Comunicar é o ato ou efeito de emitir, transmitir e receber mensagens, não importando o meio, seja através de sons, grafismos ou até mesmo símbolos gestuais e a expressão corporal. Apesar de tantos meios disponíveis, o diálogo se utiliza basicamente da palavra. Em um diálogo, os gestos, expressões e onomatopéias não passam de meros coadjuvantes. Coadjuvantes são aqueles que auxiliam, que servem de escada para o ator principal, como o Erasmo Carlos para o Roberto Carlos ou o Coutinho para o Pelé ou ainda o Tom para o Jerry .

Claro que existem exceções, como quando alguém comenta, com palavras em um diálogo, algo desairoso sobre a senhora genitora do ouvinte e este retribui com um ato multimídia denominado sopapo nos cornos ou soco na fuça. Neste caso o diálogo se torna um coadjuvante para o dito sopapo, que pode ser comumente substituído pelo chute no saco, principalmente por interlocutoras do sexo feminino. Apesar de equivalentes, sopapo nos cornos e chute no saco resultam em reações desiguais, tanto física quanto moralmente.

Tive a oportunidade de comprovar tal observação da subutilização da linguagem em diálogos em viagens que fiz por alguns países deste nosso sofrido planeta. Países estes vulgarmente chamados de Paraguai, Argentina e Bolívia. Por ser turista e freqüentar ambientes com muitos outros turistas, tive a oportunidade de entrar em contato com muitos gringos —gringo é uma denominação internacional e pejorativa para turistas, principalmente americanos (americanos do norte para ser mais preciso). Mas no caso podemos utilizar o termo gringo para qualquer branquelo de bermuda, camiseta e com uma máquina fotográfica procurando pousadas ou lembrancinhas baratas em seus respectivos guias de viagem. Conheci gringos portugueses, gringos bósnios, gringos iraquianos, e até gringos norte-americanos, entre outros.

Apesar do Brasil ser um país latino e estar localizado na América do Sul, os brasileiros não falam a mesma língua dos supra citados Paraguai, Argentina e Bolívia. O idioma dos brasileiros é o bom português —e nem sempre tão bom assim. E todo bom brasileiro sempre acha que sabe um bom espanhol. Espanhol este falado nos já supra-supra citados Paraguai, Argentina e Bolívia. Mas na verdade, o bom espanhol brasileiro é equivalente ao bom alemão americano (americano do norte): não serve pra nada, muito menos pra conversar. Ou seja, brasileiro mal consegue falar o português direito e ainda quer se meter a falar espanhol.

Apesar dos países europeus estarem muitos próximos uns dos outros, há uma diversidade lingüística enorme. Portanto os gringos franceses não falam a mesma língua dos gringos alemães que vivem ali do lado. Os gringos italianos, como todo bom italiano, falam italiano. Assim como os gringos turcos falam turco, os gringos moldávios falam romeno e assim sucessivamente. O fato é que quase nenhum gringo fala um bom espanhol. Gringo este americano (do norte) ou não. Com exceção dos gringos espanhóis, estes, que pela lógica, falam espanhol.

Em 1887, o médico judeu-polonês Ludwik Lazar Zamenhof criou um idioma para facilitar de comunicação internacional. Denominada esperanto, a novilíngua era a esperança de uma língua universal. A esperança do esperanto foi quebrada pela influência cultural norte-americana (do norte). Através do domínio financeiro, do marketing, de Hollywood e de música pop barata, conseguiram transformar a língua inglesa em uma língua que, de certa forma, apesar de burra, é universal.

Conseqüentemente, nós brasileiros, que não falamos espanhol bem, e os gringos (não necessariamente americanos —do norte), que também não falam espanhol bem, ambos falamos inglês, não necessariamente bem também. Obviamente o inglês não é a língua nativa de ninguém (exceto dos gringos americanos e dos gringos ingleses), que resulta em algumas falhas na comunicação verbal, devido a uma menor amplitude lexical.

Isso não significa que eu tenha algo contra o diálogo. Pelo contrário: afinal, como foi dito no começo, diálogo é a “fala em que há a interação entre dois ou mais indivíduos – colóquio, conversa”. Sou, portanto, extremamente favorável ao diálogo, à conversa. E é conversando que a gente se entende, como se sabe. Principalmente na política, atividade em que se aplica a regra de que diálogo bom é aquele em que você obriga o outro a calar a boca.

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Poxa vida!!! O nível do DIÁLOGO neste artigo foi alto. Gastaram bem a cultura adquirida aqui. Mas... Comunicar algo de verdade é outra coisa bem diferente. Faltou assunto para o Marimbondo!! Mesmo assim continuo seu fã.
 
GILMAR SOUZA CRUZ em 26/04/2011 05:36:01
Caro Alan
Considero línguas burras as línguas ágrafas, isto é, que não têm alfabeto. O inglês não tinha alfabeto (ou seja, os ingleses eram como nossos chamados indígenas) até os romanos chegarem por lá e os obrigarem a adotar o abecedário latino.
 
Luca Maribondo em 14/04/2011 10:44:18
Por que a língua inglesa é burra?
 
Alan Abdallah em 11/04/2011 04:45:01
Caro colunista...achei muito divertida..engracada mesmo a sua definicao de ":gringo"...de alguma forma somos todos "gringos" em alguma situacao...ja reparou paulistas em Bonito...falando :farol e chops???quanto ao dialogo...mais do que falar...acho que precisamos de OUVIR...ja viu o "JO SOARES"...faz pergunta pro entrevistados..e ele mesmo reponde...ja perdemos muito bons momentos..porque simplismente nao deixa os outros falarem, tem pessoas que tem a necessidade de ouvir a propria voz...nem que seja pra falar "bobagens"...quanto ao ingles..sou suspeito pra falar, pois acho uma lingua objetiva...em contraste com as linguas latinas...que precisam de palavras demais pra explicar um evento por exemplo...agora o portugues de Portugal...este definitavamente ,ninguem consegue entender...principalmente quando sao dois acorianos....o portugues do Brasil...e como diria Manuel Bandeira...e "gostoso"...to que aqui onde moro tem 475 pessoas em HAVARD..estudando portugues do BRASIL.. os anuncios nos jornais sao bem definidos..."ensinamos portugues do Brasil"...alias...para abrir a polemica...terno/roupa..pra nos brasileiros...e...FATO..pros portugueses...ex.: vc ja esta com seu fato pronto pra ir a festa?...e "putos"...sao criancas...pros portugueses..e pra nos brasileiros.."putos" somos nos todos que temos que aguentar a turma do mensalao...de Ze Dirceu e Cia....vai entender...
 
Lucidio Estevao em 05/04/2011 01:11:32
" Homo loquenz"..... É o que somos.
Se não reconhecermos isso, fica evidente o conflito e a falta de iniciativas.
 
Ricardo Piazza em 04/04/2011 11:37:26
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